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Exportações de proteínas enfraquecem em julho

Dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram queda nos embarques de carne bovina e preços menores para aves e suínos


As exportações brasileiras de proteínas apresentaram desempenho mais fraco em julho de 2026. Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram queda nos volumes de carne bovina e recuo nos preços médios de aves e suínos.

Apenas a diferença entre os preços de exportação e os custos da matéria-prima da carne bovina melhorou no mês. O indicador avançou 1% em relação a junho, beneficiado principalmente pela queda dos preços do gado.

Os volumes de aves e suínos permaneceram sólidos. No entanto, os preços menores comprimiram os resultados dos exportadores dessas proteínas.

Na avaliação do Banco Safra, um possível efeito de composição dos produtos exportados pode ter distorcido os preços e as diferenças entre receitas e custos no segmento de aves.

China reduz embarques de carne bovina

As exportações de carne bovina recuaram conforme o esperado, principalmente pela redução dos embarques para a China.

Segundo estimativas do Safra, os frigoríficos podem ter atingido a cota anual de exportação para o país. Como o transporte da carne até a China pode levar até 60 dias, os embarques acumulados entre novembro de 2025 e julho de 2026 já teriam superado a cota anual de 1,1 milhão de toneladas.

O volume exportado em julho caiu 18% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Os embarques para a China recuaram 48% na comparação anual.

Outros destinos compensaram parte da queda. As exportações para os Estados Unidos cresceram 106%, enquanto os embarques para o Chile aumentaram 88%. As vendas para a Arábia Saudita avançaram 72%.

O desempenho dos Estados Unidos ganhou relevância. Em julho, o Brasil exportou para o país mais que o dobro do volume registrado no mesmo mês de 2025.

Preços do boi recuam

O preço médio da carne bovina exportada caiu 3% em relação a junho, mas ainda acumulou alta de 14% na comparação anual.

Mesmo com a queda mensal, o preço da carne bovina teve desempenho melhor que o valor do gado, que recuou 4% em dólar no mesmo período.

Essa diferença ajudou a ampliar em 1% a diferença entre o preço de exportação e o custo da matéria-prima da carne bovina em relação a junho.

O movimento foi uma exceção entre as principais proteínas analisadas pelo Safra.

Aves mantêm volumes fortes

Os volumes exportados de aves cresceram 7% em relação a junho. Os embarques para a China aumentaram 41%, enquanto as vendas para as Filipinas avançaram 39%.

A alta foi parcialmente compensada pela queda dos volumes destinados aos Emirados Árabes Unidos, de 11%. Os embarques para o Japão recuaram 18%, enquanto os destinados ao México caíram 23%.

Apesar do bom desempenho dos volumes, os preços médios das aves recuaram 8% em relação a junho.

A principal pressão veio das exportações para a China, cujos preços caíram 38% no período. Segundo o Safra, esse movimento parece incomum, já que a China costuma pagar um prêmio de aproximadamente 43% sobre o preço médio das exportações de aves.

A diferença pode estar relacionada à composição dos produtos vendidos, com maior participação de cortes de menor valor.

Como consequência, a diferença entre os preços de exportação e os custos das aves caiu 8% em relação a junho. Ainda assim, o indicador acumula alta de 8% em um ano e permanece 6% acima da média dos últimos cinco anos.

Suínos seguem com bons volumes

As exportações de carne suína permaneceram sólidas em julho, próximas do topo da faixa observada nos últimos cinco anos.

Os preços médios, porém, recuaram 4% em relação a junho e 9% na comparação anual.

Entre os principais destinos, os embarques para o Japão cresceram 102% em um ano e 7% em relação a junho. O avanço foi parcialmente compensado pela queda das exportações para as Filipinas, de 47% na comparação anual e de 9% em relação ao mês anterior.

Os preços médios também recuaram na maioria dos mercados. As quedas chegaram a 12% nas Filipinas, 20% no Chile, 16% no Vietnã e 19% em Singapura.

Com isso, a diferença entre os preços de exportação e os custos da carne suína caiu 4% em relação a junho e 8% em um ano. O indicador, no entanto, permanece 6% acima da média dos últimos cinco anos.

Safra mantém cautela

O Safra avalia que os dados de julho foram mais fracos para as empresas brasileiras exportadoras de proteínas.

A queda dos volumes de carne bovina, principalmente para a China, e os preços menores de aves e suínos pressionaram o desempenho do setor.

A carne bovina foi a única proteína a apresentar melhora mensal na diferença entre os preços de exportação e os custos da matéria-prima. O indicador avançou 1%, enquanto recuou 8% para aves e 4% para suínos.

Para os próximos meses, a evolução dos embarques para os Estados Unidos, a recomposição dos volumes destinados à China e o comportamento dos preços internacionais serão determinantes para os resultados das companhias do setor.


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