As exportações brasileiras de proteínas tiveram desempenhos distintos em agosto. O frango liderou a melhora, com avanço dos volumes e dos preços. A carne bovina, por outro lado, registrou um mês mais fraco, afetada pela redução das compras da China.
Os dados da Secretaria de Comércio Exterior mostram que as margens de exportação do frango cresceram 8% em agosto ante julho. Já as margens da carne bovina recuaram 5%, enquanto as da carne suína caíram 1%.
O cenário reforça uma dinâmica desigual no setor. A recuperação dos preços do frango e a demanda de mercados relevantes sustentam as perspectivas para o segundo semestre de 2026. Na carne bovina, porém, a ausência da China entre os principais destinos ainda limita a recuperação.
Carne bovina perde força
Os embarques de carne bovina caíram 14% em agosto ante julho e recuaram 27% na comparação com o mesmo mês de 2025. O volume ficou próximo do piso observado nos últimos cinco anos.
A queda reflete principalmente o menor fluxo para a China. Os embarques ao país recuaram 90% em um ano e passaram a representar 8,2% das exportações totais brasileiras de carne bovina. Antes da adoção das cotas, a participação chinesa ficava, em média, em 55%.
Outros mercados reduziram parte do impacto. As exportações para os Estados Unidos cresceram 390% em um ano. Os embarques para a Arábia Saudita avançaram 132%, enquanto as vendas para a Rússia subiram 69%.
Ainda assim, a diversificação não compensou totalmente a perda do mercado chinês. Além disso, o preço médio da carne bovina exportada caiu 3% em agosto ante julho. No mesmo período, o preço do gado subiu 2% em dólares.
Com isso, a margem das exportações de carne bovina encolheu 5% no mês. A receita mostrou resiliência maior do que o esperado, mas o ambiente segue desafiador para o segmento.
Frango recupera preços
As exportações de frango mostraram desempenho mais favorável. Os volumes cresceram 22% em agosto na comparação anual, apoiados pela retomada das compras da China após a retirada das restrições à carne de frango brasileira, em dezembro de 2025.
A demanda também avançou em outros destinos relevantes. Os embarques para o Japão cresceram 37% em um ano. Nos Emirados Árabes Unidos, a alta foi de 36%. Na Arábia Saudita, o avanço chegou a 31%.
Os preços médios de exportação subiram 8% em agosto ante julho e 15% em relação ao mesmo mês de 2025. A normalização dos preços dos cortes enviados à China contribuiu para o resultado. O país pagou um valor 42% superior à média das exportações brasileiras.
Mesmo com uma queda mensal de 4% nos preços destinados ao Japão, os valores permaneceram 22% acima dos patamares de um ano antes.
O avanço dos preços, combinado com os custos já contratados de grãos, elevou as margens de exportação de frango em 8% no mês. Na comparação anual, a alta foi de 26%. O indicador também ficou 13% acima da média dos últimos cinco anos.
Suínos mantêm volume, mas preços recuam
As exportações de carne suína mantiveram volumes positivos em agosto. Os embarques cresceram 7% em um ano, com destaque para o Japão, onde as vendas avançaram 93%.
Em sentido contrário, as exportações para as Filipinas recuaram 38% na comparação anual. A queda se repete há quatro meses e limita uma expansão mais ampla do setor.
Os preços, por sua vez, continuaram pressionados. O valor médio das exportações de carne suína caiu 9% em um ano e alcançou a parte inferior da faixa observada nos últimos cinco anos.
A retração foi mais intensa em alguns mercados. Os preços recuaram 16% nas Filipinas e no Vietnã. No Chile, a queda chegou a 21%.
Como resultado, as margens de exportação da carne suína caíram 1% em agosto ante julho. Apesar disso, permanecem 6% acima da média dos últimos cinco anos.
Perspectiva para o segundo semestre
O desempenho de agosto indica que o frango deve seguir como principal vetor de melhora para as exportações brasileiras de proteínas no segundo semestre de 2026.
A manutenção dos preços próximos aos níveis atuais pode garantir margens robustas ao segmento. A continuidade da demanda asiática e do Oriente Médio será decisiva para essa trajetória.
Para a carne bovina, a recuperação dependerá de uma recomposição mais consistente dos embarques para a China ou de uma expansão suficiente em outros mercados. Enquanto isso, o aumento do custo do gado e a queda dos preços de venda mantêm pressão sobre as margens.