Os dados preliminares da quarta semana de setembro indicam um cenário misto para as exportações brasileiras de proteínas. Os volumes de frango e carne suína seguem em níveis consistentes, enquanto a carne bovina mostra melhora em relação a agosto.
Ainda assim, a queda dos preços de aves e suínos tende a reduzir as margens do setor. A análise do Safra, com base em números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), aponta recuo mensal de 3% nas margens de frango e de 2% nas de carne suína.
A carne bovina, por sua vez, deve manter margens estáveis no mês. Os preços avançaram em linha com a valorização do gado, embora os níveis ainda permaneçam próximos das mínimas observadas nos últimos cinco anos.
O quadro revela uma demanda externa resiliente. Porém, preços menores seguem como ponto de atenção para as empresas de alimentos e bebidas, sobretudo nos segmentos de frango e suíno.
Carne bovina melhora, mas ainda fica abaixo do ano passado
As exportações de carne bovina ganharam ritmo em setembro. Os volumes médios diários caíram 9% na comparação semanal, mas acumulam alta de 5% ante agosto.
No ritmo atual, os embarques totais do mês devem crescer 5% em relação a agosto. Apesar disso, o volume ainda deve registrar queda de 35% na comparação com setembro do ano anterior.
Os preços médios recuaram 1% na semana, mas seguem 2% acima do nível de agosto e 12% superiores aos de um ano antes. O movimento acompanha a alta de cerca de 2% nos preços do gado em dólar no mês.
Com isso, as margens de carne bovina tendem a permanecer estáveis frente a agosto. Ainda assim, o indicador deve ficar 6% abaixo do nível de um ano antes e 9% inferior à média dos últimos cinco anos.
Frango pode alcançar recorde de volume no mês
O frango deve registrar o melhor desempenho em volumes entre as proteínas analisadas. Embora os embarques médios diários tenham recuado 14% na semana, o acumulado de setembro aponta alta de 2% ante agosto.
Se o ritmo se mantiver até o fim do mês, as exportações totais de frango devem crescer 2% na comparação mensal e 1% na anual. O resultado pode representar um recorde para setembro.
A evolução dos preços, no entanto, reduz parte do efeito positivo dos volumes. As cotações médias caíram 3% na semana e acumulam baixa de 4% em setembro, embora ainda superem em 9% os preços de um ano antes.
O Safra estima compressão mensal de 3% nas margens de frango. O patamar ainda supera em 17% o registrado há um ano e está 18% acima da média dos últimos cinco anos.
No fim do ano, a tendência é de leve deterioração das margens. A expectativa considera a possível alta dos preços dos grãos, que pressionaria os custos de produção.
Carne suína mantém volume elevado
As exportações de carne suína voltaram a ganhar força após uma semana mais fraca. Os volumes médios diários cresceram 20% na comparação semanal e avançam 9% em relação a agosto.
No ritmo atual, os embarques totais de setembro devem subir 9% frente ao mês anterior. Na comparação anual, porém, o volume ainda deve recuar 7%.
Mesmo com a queda anual, os embarques permanecem próximos do topo da faixa observada nos últimos cinco anos. O desempenho indica uma demanda externa ainda favorável para o segmento.
Os preços médios avançaram 3% na semana. No acumulado do mês, contudo, apresentam queda de 3% frente a agosto e de 12% na comparação anual, para o menor nível do ano.
A estimativa do Safra aponta recuo mensal de 2% nas margens da carne suína. O indicador deve ficar 4% abaixo do patamar de um ano antes, embora ainda permaneça 7% acima da média dos últimos cinco anos.
Demanda externa segue como suporte
O setor de proteínas entra no fim de setembro com volumes firmes, especialmente em frango e carne suína. A demanda internacional continua a sustentar os embarques e ajuda a compensar parte da volatilidade dos preços.
Por outro lado, a redução das cotações limita a expansão das margens. O cenário exige atenção para a evolução dos preços de exportação e dos custos com grãos nos próximos meses.