O setor brasileiro de alimentos e bebidas registrou melhora relevante no segundo trimestre de 2026, impulsionado pelo avanço das exportações de proteínas e pela recuperação dos spreads, especialmente no segmento de aves.
Dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os spreads das proteínas avançaram em junho. O crescimento foi de 4% na comparação mensal para bovinos e suínos e de 14% para aves.
Na avaliação do Safra, o desempenho favorece empresas expostas ao mercado externo, principalmente Minerva (BEEF3), no segmento bovino, e BRF (BRFS3) e JBS (JBSS3), por meio da operação da Seara, em aves.
Carne bovina mantém forte demanda internacional
As exportações brasileiras de carne bovina continuaram fortes em junho, com China e Estados Unidos liderando a demanda.
Os volumes embarcados cresceram 16% na comparação anual e 7% frente a maio. O avanço foi impulsionado principalmente pelas compras da China, dos Estados Unidos, do Chile e da Arábia Saudita.
No acumulado do segundo trimestre, os volumes exportados avançaram 13% em relação ao mesmo período de 2025.
Os preços médios permaneceram próximos das máximas dos últimos cinco anos. Em junho, o valor médio atingiu US$ 6.538 por tonelada, praticamente estável frente ao mês anterior e 20% acima do registrado um ano antes.
A China continuou pagando prêmio relevante sobre os preços médios globais, reforçando a sustentação da rentabilidade do setor.
Além disso, os preços da carne bovina superaram o comportamento do gado no período. Enquanto a proteína manteve preços elevados, o custo do boi recuou 3% em dólares na comparação mensal, favorecendo expansão dos spreads de exportação.
Segundo o Safra, a Minerva segue como a companhia mais exposta a essa dinâmica positiva.
Segmento de aves foi o principal destaque
O mercado de aves apresentou o melhor desempenho entre as proteínas em junho.
As exportações brasileiras de carne de frango cresceram 44% na comparação anual, impulsionadas pela retomada das compras de países que haviam suspendido o comércio no ano anterior devido aos casos globais de gripe aviária.
China, Filipinas, África do Sul e México lideraram o movimento de recuperação da demanda.
No segundo trimestre, os volumes embarcados avançaram 21% frente ao mesmo período de 2025.
Além do crescimento das exportações, o setor também registrou melhora relevante de preços. O valor médio das vendas externas subiu 12% na comparação anual e 6% frente ao mês anterior.
China, Japão e México pagaram prêmios expressivos em relação aos preços médios globais.
O cenário favorável de preços, combinado à queda dos custos de insumos agrícolas, impulsionou os spreads de exportação de aves em 14% no mês.
Segundo o Safra, o ambiente continua positivo para o segundo semestre de 2026, já que os custos dos grãos seguem em patamares mais baixos enquanto os preços internacionais permanecem elevados.
BRF e Seara, divisão da JBS, devem ser as principais beneficiadas por esse cenário.
Carne suína mostra melhora gradual
As exportações de carne suína apresentaram comportamento mais moderado.
Os volumes embarcados recuaram 5% na comparação anual em junho, pressionados principalmente pela redução das compras da China e das Filipinas.
Ainda assim, os níveis permaneceram próximos das máximas históricas para o período.
Japão e Chile ajudaram a compensar parcialmente a retração da demanda chinesa.
No acumulado do segundo trimestre, os volumes cresceram 3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Os preços médios permaneceram praticamente estáveis no mês. Ao mesmo tempo, os menores custos de insumos favoreceram melhora de 4% nos spreads de exportação.
O Safra avalia que o segmento deve continuar apresentando recuperação gradual de rentabilidade ao longo do segundo semestre de 2026.
Custos menores fortalecem margens do setor
Além do avanço dos volumes exportados, o setor também se beneficia da melhora da relação entre preços e custos de produção.
A redução dos custos de grãos, principal insumo da cadeia de proteínas, vem sustentando a expansão das margens operacionais, especialmente no segmento de aves.
Com demanda internacional aquecida e preços ainda elevados em diversos mercados, o cenário para as empresas brasileiras do setor permanece construtivo no restante de 2026.