Os dados preliminares da segunda semana de agosto, divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), apontam tendências distintas para as principais proteínas exportadas pelo Brasil. As aves apresentaram o melhor desempenho no período. Os volumes seguem sólidos no acumulado do mês, enquanto os preços avançaram e ajudaram a melhorar as margens das exportações.
Os spreads de aves, diferença entre os preços de venda e os custos dos principais insumos, cresceram 9% em relação a julho. Na comparação anual, a alta chegou a 28%.
A leitura é positiva para a JBS (JBSS3) e a MBRF (MBRF3), empresas com forte exposição ao mercado de aves.
Carne bovina perde força
As exportações de carne bovina apresentaram números mais fracos em agosto, como já era esperado pelo mercado.
Os volumes médios diários recuaram 20% na comparação semanal, 5% ante julho e 26% em relação ao mesmo período do ano passado.
A queda reflete principalmente a menor demanda da China. O Brasil já atingiu a cota anual de exportação para o país, o que reduziu o ritmo dos embarques.
Os preços médios da carne bovina também recuaram. A queda foi de 2% na comparação semanal e de 3% em relação a julho. Apesar disso, os preços ainda estão 10% acima dos registrados um ano antes.
Margens da carne bovina são pressionadas
A combinação entre preços menores da carne bovina e custos mais altos do gado pressionou as margens de exportação.
Os preços do gado subiram 3% em dólares em agosto. Como resultado, os spreads da carne bovina recuaram 8% em relação a julho.
Na comparação anual, a queda foi de 9%. O indicador também está 9% abaixo da média dos últimos cinco anos.
O cenário deve continuar desafiador no curto prazo, principalmente enquanto a demanda chinesa permanecer limitada pela cota anual.
Volumes de aves seguem sólidos
Os volumes médios diários de aves recuaram 49% na comparação semanal. A queda, no entanto, representa uma normalização após o desempenho muito forte observado na primeira semana de agosto.
No acumulado do mês, os volumes cresceram 8% em relação a julho e 27% ante o mesmo período do ano anterior. O ritmo continua sólido para esta época do ano.
Os preços médios avançaram 6% na comparação semanal, 10% no mês e 17% em 12 meses.
O movimento favoreceu as margens, especialmente diante da evolução mais controlada dos custos dos grãos. A estimativa é de alta de 9% nos spreads de exportações de aves em relação a julho.
O indicador está 24% acima da média dos últimos cinco anos.
Suínos mantêm desempenho positivo
As exportações de carne suína apresentaram comportamento semelhante ao das aves.
Os volumes médios diários recuaram 58% na comparação semanal, após um resultado muito forte na primeira semana do mês. Ainda assim, o acumulado de agosto mostra alta de 13% em relação a julho e de 10% na comparação anual.
Os preços médios caíram 9% na comparação semanal. Em relação a julho, a queda foi de 1%, enquanto o recuo chegou a 8% ante agosto do ano passado.
Mesmo com a redução dos preços, os custos dos insumos continuam favoráveis. Por isso, os spreads de exportação de carne suína seguem 1% acima do nível de julho.
O indicador está 12% acima da média dos últimos cinco anos, embora permaneça 3% abaixo do registrado um ano antes.
JBS e MBRF são beneficiadas
Na avaliação do Safra, as aves são o principal destaque positivo dos dados de agosto. A combinação entre volumes sólidos, preços em alta e custos de insumos favoráveis melhora as perspectivas para empresas com exposição relevante ao segmento.
A JBS e a MBRF estão entre as companhias potencialmente beneficiadas por esse cenário.
A carne suína também apresenta uma dinâmica construtiva, embora menos expressiva. Os volumes acumulados seguem em alta e os custos continuam contribuindo para a rentabilidade.
Já a carne bovina enfrenta maior pressão. A menor demanda da China, os preços de exportação mais baixos e o avanço dos preços do gado reduziram as margens no mês.
O que acompanhar
Os próximos dados de exportações devem mostrar se a demanda chinesa continuará limitando os embarques de carne bovina.
No segmento de aves, o mercado deve acompanhar a manutenção dos volumes acumulados e a evolução dos preços internacionais. A sustentação das margens dependerá também do comportamento dos custos dos grãos.
Para a carne suína, o principal ponto de atenção será a capacidade de preservar margens positivas mesmo com preços inferiores aos do ano passado.
Com base nos dados das duas primeiras semanas de agosto, o Safra considera as aves o principal destaque positivo entre as proteínas exportadas pelo Brasil. As tendências da carne bovina, por outro lado, devem continuar pressionadas no curto prazo.