Após um longo período de queda, as ações de celulose subiram desde a última atualização do Safra: Suzano (SUZB3) +12% e Klabin (KLBN11) +10%, enquanto apenas a CMPC (CMPC) caiu cerca de 11%. Os especialistas do Safra esperam que o momentum para as ações do setor continue, pois a visão é construtiva sobre os preços de celulose.
A Suzano deve superar Klabin e CMPC, sustentada por sua forte ligação aos ciclos de alta da celulose, maior geração de caixa e valuations mais atraentes.
As estimativas de EBITDA para 2026 da Suzano foram elevadas (+3%), e para Klabin e CMPC reduzidas (-6% e -7%, respectivamente), agora usando projeções de câmbio mais fortes.
As premissas de custo médio ponderado de capital (WACC) são 11,4% para Suzano (vs. 11,7% anteriormente), 10,7% para Klabin (vs. 11,1%) e 7,4% para CMPC (vs. 8,8%), refletindo menor custo da dívida para empresas brasileiras e menor risco-país para CMPC.
Preços de celulose
Choques inesperados de oferta fortaleceram as perspectivas até 2026. Os preços de BHKP na China estão em USD 593/t (BHKP) e USD 690/t (NBSK), e a Suzano anunciou um novo aumento de USD 20/t para BEK na Ásia em março, após altas de USD 20/t e USD 10/t em janeiro e fevereiro.
Outros produtores, incluindo APP e Eldorado, também elevaram preços na Ásia e em outras regiões. A oferta de madeira apertou devido ao cancelamento de licenças florestais na Indonésia, ao adiamento da expansão da APP OKI para o fim de 2026 e a sinais mais firmes de
demanda chinesa, melhorando o balanço de oferta e demanda.
O Safra projeta preços médios de 2026 em USD 602/t para BHKP e USD 714/t para BSKP.
Suzano
Posicionada para o ciclo de alta e ainda a principal escolha; Compra (TP R$ 71,00; TSR 22%).
A Suzano continua a melhor posicionada para um ciclo positivo de BHKP, com ~85% do EBITDA atrelado à celulose de fibra curta. Especialistas enxergam a Suzano negociando a 5,8x EV/EBITDA 2026 e 5,0x em 2027, versus média de 6,0x em cinco anos.
A projeção é de um FCF yield médio ~13% em 2026–2028 (inalterado), acima dos pares, reforçando Suzano como top pick
no setor de celulose.
Klabin
Menor geração de caixa e upside limitado; rebaixada para Neutro (TP R$ 23,30; TSR 13%).
A Klabin teve bom desempenho desde a última atualização do Safra, mas câmbio mais forte, premissas mais baixas para kraft e maiores
estimativas de custo limitam o upside. As tendências do kraft nos EUA confirmam a visão, embora os mercados globais ainda não tenham equilíbrio suficiente para inflação mais ampla.
O guidance de custo caixa de 2026, entre R$ 3.200–3.300/t, preocupa para um ano de baixa manutenção, especialmente com a redução dos ganhos de venda de terras.
Espera-se um menor ritmo de lucros, desalavancagem mais lenta e um gap de valuation maior vs. Suzano.
O valuation é menos atraente a 7,6x EV/EBITDA 2026 e 6,6x 2027 (vs. média de 7,0x), e o FCF yield médio agora é ~8% em 2026–2028 (vs. ~11% antes).
CMPC
Desafios de alavancagem e menor retorno relativo reduzem otimismo; Neutro (TP CLP 1.440; TSR 15%).
O Safra mantém recomendação Neutra devido à menor atratividade vs. pares brasileiros e riscos de um novo ciclo de capex.
A CMPC negocia a 7,5x EV/EBITDA 2026 e 6,8x em 2027, acima da média histórica de 5,5x. A projeção do FCF yield médio é de ~2% em 2026–2028 (vs. ~4% antes).
Riscos da tese
- Preços de celulose, papel e embalagens abaixo do previsto;
- Custos operacionais acima do esperado;
- Desalavancagem mais lenta;
- Mudanças inesperadas de CAPEX;
- Câmbio mais forte que o projetado.