A Even Construtora e Incorporadora (EVEN3) divulgou resultados neutros no primeiro trimestre de 2026, com sinais mistos entre operação, rentabilidade e caixa. O principal ponto de pressão veio do desempenho mais fraco de vendas, após a ausência de lançamentos no período, o que limitou o avanço da receita e reduziu a rentabilidade da companhia.
A receita líquida somou R$ 330 milhões, com queda de 2% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número ficou 6% abaixo da estimativa do Safra. Segundo a leitura do banco, o ritmo mais fraco de comercialização foi o principal fator por trás do resultado mais contido no trimestre.
Margem surpreende positivamente
Por outro lado, a Even entregou uma margem bruta ajustada melhor do que o esperado. O indicador ficou em 35,6%, sustentado pelo maior reconhecimento de empreendimentos recentes com rentabilidade mais elevada. O resultado veio 4 pontos percentuais acima da projeção do Safra.
Além disso, a margem do estoque em carteira avançou para 38,7%, o que reforça a qualidade dos projetos ainda a serem reconhecidos pela companhia. Já a margem bruta do estoque pronto permaneceu praticamente estável, em 33,1%.
Esse desempenho ajudou a compensar parte da pressão vinda da receita menor. Ao mesmo tempo, as despesas gerais e administrativas ficaram abaixo do esperado, o que também favoreceu o resultado operacional.
Lucro cai com impostos maiores e participação de minoritários
Mesmo com esses fatores positivos, a última linha do balanço seguiu pressionada. O lucro líquido da Even ficou em R$ 33 milhões, com retração de 39% na comparação anual. Ainda assim, o número superou em 6% a estimativa do Safra.
O resultado operacional medido pelo EBITDA ajustado alcançou R$ 59 milhões, acima da projeção do banco. No entanto, a companhia enfrentou uma carga tributária maior do que a esperada e registrou impacto relevante da participação de acionistas minoritários, de R$ 9 milhões.
Com isso, o retorno sobre o patrimônio líquido ficou em 6,9%, praticamente em linha com a estimativa do Safra, mas ainda em nível considerado fraco para o trimestre. Na comparação com um ano antes, houve recuo de 4,5 pontos percentuais.
Consumo de caixa é menor, mas alavancagem sobe
No caixa, a Even consumiu R$ 56 milhões no trimestre. O número veio melhor do que a projeção de R$ 86 milhões do Safra, embora ainda mostre pressão financeira no período. Segundo o banco, desembolsos maiores com aquisição de terrenos contribuíram para esse movimento.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e patrimônio líquido, chegou a 24,8%. O patamar representa alta tanto na comparação trimestral quanto na anual e reforça a necessidade de acompanhar com atenção a evolução do balanço.
Dividendos amenizam leitura mais cautelosa
Como ponto de apoio para o investidor, a Even anunciou distribuição adicional de dividendos de R$ 30 milhões. O pagamento implica retorno em dividendos de 2,7%, o que ajuda a suavizar a leitura de um trimestre operacionalmente misto.
Ainda assim, o Safra avalia que os dividendos não mudam o quadro mais amplo. O banco destaca que a combinação entre estoques elevados e um pipeline concentrado em projetos de alto padrão pode aumentar a pressão sobre o balanço em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
Análise dos especialistas
Na avaliação do Safra, o trimestre reforça uma visão de cautela para EVEN3. Embora a companhia tenha mostrado disciplina em margens e despesas, o enfraquecimento das vendas e o retorno modesto limitam uma leitura mais construtiva.
O banco mantém recomendação Neutra para a ação. A decisão reflete o nível elevado de estoques, equivalente a 19 meses de vendas dos últimos 12 meses, além do risco de execução de grandes lançamentos em um cenário de juros altos e demanda mais seletiva.
Em resumo, a Even começou 2026 com indicadores operacionais que trouxeram algum alívio, mas ainda sem força suficiente para destravar uma melhora mais clara na rentabilidade.