A Ero Copper, empresa de mineração canadense com atuação no Brasil na produção de cobre e ouro, apresentou, em 14 de setembro, seu plano de crescimento para os próximos anos durante encontro com investidores realizado em São Paulo.
A companhia destacou o avanço do projeto Furnas Copper-Gold, as perspectivas operacionais das minas de Caraíba, Tucumã e Xavantina e a redução de sua dívida financeira.
A mensagem central do evento foi a transição da Ero Copper para uma fase de maior geração de caixa. A empresa vê potencial para superar a produção anual de 150 mil toneladas de cobre equivalente por meio de projetos próprios.
Esse caminho reduz a necessidade de aquisições para sustentar a expansão. Ao mesmo tempo, ele amplia o debate sobre a destinação do caixa entre novos investimentos e retorno aos acionistas.
Furnas lidera plano de longo prazo
O projeto Furnas Copper-Gold permanece como o principal vetor de crescimento de longo prazo da Ero Copper.
A empresa concluiu em agosto a campanha de 90 mil metros de sondagem exigida pelo acordo de aquisição gradual de participação no ativo. A meta foi alcançada cerca de dois anos antes do prazo previsto.
Com isso, a Ero Copper já perfurou mais de 200 mil metros em uma área mineralizada de aproximadamente nove quilômetros. O objetivo agora é transformar recursos minerais em reservas e avançar nos estudos técnicos do projeto.
A avaliação econômica preliminar de Furnas aponta para uma operação com vida útil de 24 anos e capacidade para processar 13,5 milhões de toneladas de minério por ano.
A companhia pretende concluir o estudo de pré-viabilidade em 2027. A decisão final de investimento segue prevista para 2029.
Além disso, a Ero Copper busca ampliar os recursos minerais próximos às cavas planejadas. A estratégia pode reduzir a queda de produção prevista no plano inicial da mina e prolongar o aproveitamento da infraestrutura regional.
Caraíba amplia capacidade
A operação de Caraíba deve continuar como o principal motor de produção e geração de caixa da Ero Copper no médio prazo.
Após investimentos para remover restrições operacionais, a planta atingiu capacidade para processar 4,8 milhões de toneladas por ano. A unidade receberá minério das minas subterrâneas de Pilar e Vermelhos, além de operações a céu aberto.
A mina de Surubim deve migrar para a região N8 a partir de 2027. A área apresenta teor estimado entre 0,9% e 1,1% de cobre e custo de extração menor que o da mineração subterrânea.
Essa produção adicional deve sustentar a utilização da planta até o início do Projeto de Aprofundamento de Caraíba, previsto para 2028.
O projeto inclui um novo poço de transporte de minério, com capacidade aproximada de 3 milhões de toneladas por ano. A estrutura deve reduzir o tempo de deslocamento até as áreas mais profundas e elevar a produtividade subterrânea em cerca de 30%.
Perfurações em profundidade na mina de Pilar e pesquisas próximas à mina de Vermelhos também podem ampliar a vida útil da operação.
Tucumã deve acelerar produção
Tucumã representa a principal fonte de crescimento imediato da produção da Ero Copper.
A mina foi projetada para processar 4 milhões de toneladas por ano. Entretanto, restrições no sistema de filtragem de rejeitos limitaram o avanço inicial da operação.
A companhia já recebeu filtros adicionais no Brasil e iniciou obras civis para instalá-los. A expectativa é encerrar 2026 com a planta operando em plena capacidade.
Com isso, Tucumã deve ampliar a contribuição de um ativo de cobre de menor custo para a geração de caixa da Ero Copper. Os recursos deverão apoiar tanto a conclusão do projeto de aprofundamento em Caraíba quanto o desenvolvimento de Furnas.
Após atingir a capacidade planejada, a empresa pretende retomar as sondagens em Tucumã no quarto trimestre de 2026. Os trabalhos vão avaliar mineralizações abaixo e ao redor da cava atual.
Os recursos subterrâneos já identificados somam cerca de 1,35 milhão de toneladas, com teor de 2,24% de cobre. Esse potencial pode estender a vida útil da mina por meio da expansão da cava ou da abertura de uma operação subterrânea.
Xavantina reforça geração de caixa
A operação de Xavantina também deve contribuir para a geração de caixa da Ero Copper.
A planta tem capacidade para processar 300 mil toneladas por ano. No entanto, a mina ainda precisa ampliar sua produção para utilizar plenamente essa estrutura.
A empresa planeja adotar mineração mecanizada na operação. A medida deve acelerar o desenvolvimento das frentes de lavra, reduzir a variabilidade operacional e permitir o acesso a áreas mais espessas do depósito de Santo Antônio.
Perfurações recentes em Santo Antônio East indicaram mineralização de alto teor. Além disso, uma sondagem mais profunda identificou a continuidade da sequência mineralizada cerca de um quilômetro além do limite dos recursos definidos em 2025.
A venda de concentrado de ouro deve seguir como fonte adicional de caixa ao menos até o primeiro semestre de 2027. Os embarques registraram teor médio próximo de 35 gramas por tonelada, em linha com as amostras já analisadas.
A continuidade dessas vendas ao longo de 2027 dependerá do ritmo de processamento, da capacidade de secagem e das condições climáticas.
Dívida menor abre espaço para retorno
A redução da dívida financeira cria uma nova etapa para a alocação de capital da Ero Copper.
A alavancagem bruta caiu de 2,8 vezes para menos de uma vez a geração operacional de caixa. No mesmo período, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado avançou de US$ 216 milhões para US$ 533 milhões em cerca de 18 meses.
A companhia espera quitar os US$ 95 milhões restantes de sua linha rotativa de crédito e concluir compromissos de pré-pagamento de cobre nos próximos dois ou três trimestres. O cronograma dependerá, em parte, dos preços dos metais.
A administração poderá discutir uma política formal de retorno aos acionistas após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre de 2026. A implementação parece mais provável a partir de 2027.
Ao mesmo tempo, eventuais aquisições terão de competir por recursos com a expansão de Tucumã, os ganhos de produtividade em Caraíba e Xavantina e o desenvolvimento de Furnas.
Para o Safra, a Ero Copper entra em uma fase na qual a discussão tende a migrar da redução da dívida para o equilíbrio entre remuneração aos acionistas e financiamento de um amplo plano de crescimento orgânico.