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Dona da Sabesp, Equatorial supera estimativas

Equatorial (EQTL3) entrega resultados ajustados acima do esperado, com avanço operacional em distribuição, menor inadimplência e custos sob controle, embora o balanço tenha sido pressionado por efeitos extraordinários


A Equatorial (EQTL3), empresa responsável pela gestão da Sabesp, encerrou o quarto trimestre de 2025 com números reportados pressionados por efeitos extraordinários, mas com desempenho ajustado melhor do que o esperado. O EBITDA reportado, desconsiderando equivalência patrimonial, somou R$ 1,649 bilhão, com queda de 38% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número ficou 42% abaixo da estimativa do Safra e 48% inferior ao consenso de mercado.

O principal fator por trás desse recuo foi o reconhecimento de perdas contábeis em diferentes frentes. A companhia registrou impairment de R$ 879 milhões na Echoenergia, de R$ 309 milhões na CSA e impacto líquido de R$ 110 milhões na holding. Além disso, o resultado também sofreu efeito da atualização financeira da base de ativos das distribuidoras, de R$ 96 milhões, da marcação a mercado da área de trading, de R$ 58 milhões, e de outros eventos não recorrentes, com impacto negativo de R$ 36 milhões.

Com isso, a Equatorial reportou prejuízo líquido de R$ 512 milhões no trimestre, resultado bem abaixo da projeção do Safra, que apontava lucro de R$ 719 milhões.

Lucro ajustado e custos trazem leitura mais positiva

Ao excluir os efeitos extraordinários, o balanço mostra uma dinâmica mais favorável. O EBITDA ajustado da Equatorial (EQTL3) atingiu R$ 3,125 bilhões, com alta de 17% em base anual. O resultado ficou 17% acima da estimativa do Safra e apenas 1% abaixo do consenso.

Já o lucro líquido ajustado somou R$ 802 milhões, número 12% superior à projeção do banco. Na avaliação do Safra, o destaque positivo veio do controle de custos e da qualidade operacional, sobretudo após a exclusão dos itens não recorrentes.

Os custos gerenciáveis ajustados avançaram apenas 1% na comparação anual e ficaram 2,4% abaixo da estimativa do Safra. As despesas ajustadas de pessoal, material, serviços e outros recuaram 6,4% em um ano e vieram 10% abaixo da projeção.

Distribuição sustenta crescimento da receita

A receita da Equatorial (EQTL3), excluindo construção, cresceu 17% na comparação com o quarto trimestre de 2024. O avanço refletiu principalmente o crescimento de 4,0% do volume total distribuído no segmento de distribuição e os reajustes e revisões tarifárias.

Embora o mercado cativo tenha mostrado retração de 1,7%, o desempenho ainda foi melhor do que a expectativa do Safra, que projetava queda de 3,3%. Por outro lado, parte desse avanço foi compensada pela venda do ativo de transmissão e pelos eventos de restrição na geração renovável, conhecidos como curtailment.

No segmento de distribuição, a leitura operacional foi positiva. A inadimplência reportada ficou em 1,4% da receita, abaixo dos 1,8% do trimestre anterior e também melhor do que a estimativa de 1,5%. As perdas totais de energia subiram levemente para 18,1%, ante 18,0% no trimestre anterior, mas seguiram abaixo do nível regulatório de 18,9%.

Sabesp ajuda e alavancagem recua

Outro fator de apoio ao resultado foi a contribuição de equivalência patrimonial da Sabesp (SBSP3), que atingiu R$ 394 milhões no trimestre. Esse efeito ajudou a compensar, em parte, o impacto das maiores despesas financeiras e dos ajustes extraordinários reconhecidos no período.

A alavancagem da Equatorial (EQTL3) também mostrou melhora relevante. A relação entre dívida líquida e EBITDA caiu para 2,6 vezes, ante 3,3 vezes no trimestre anterior. Segundo a análise do Safra, esse movimento decorre da venda do ativo de transmissão.

Além dos números, a companhia anunciou proposta para reduzir o dividendo mínimo obrigatório para 1% do lucro líquido ajustado, ante 5% anteriormente. A medida ainda depende de aprovação em assembleia de acionistas.

Safra mantém visão positiva para Equatorial

Na avaliação do Safra, os números ajustados da Equatorial (EQTL3) reforçam uma leitura construtiva para a tese, apesar da piora pontual dos resultados reportados. O banco destaca que a companhia apresentou desempenho operacional sólido em distribuição, menor inadimplência e disciplina em custos.

Ao mesmo tempo, o Safra observa que a empresa voltou a registrar um volume relevante de itens não recorrentes, especialmente as perdas contábeis em Echoenergia e CSA, o que prejudicou a leitura do resultado contábil.

Ainda assim, o banco mantém visão positiva para a Equatorial. A avaliação se apoia no histórico de execução operacional da companhia e em sua estratégia de alocação de capital.


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