A Engie Brasil Energia (EGIE3) concluiu em 14 de julho sua oferta subsequente de ações, conhecida no mercado como follow-on, para financiar a aquisição de uma participação de 40% na Usina Hidrelétrica de Jirau.
O preço por ação foi definido em R$ 30,50 após o processo de bookbuilding. O valor representa um desconto de 5,5% em relação à cotação de mercado. A operação movimentou R$ 8,4 bilhões por meio da emissão de 274 milhões de novas ações.
Desse total, 179 milhões de papéis foram subscritos pela própria companhia. Outros 95 milhões ficaram com acionistas minoritários, em uma estrutura desenhada para reduzir os efeitos de diluição.
Após a conclusão da oferta, a Engie Brasil Participações manterá cerca de 68% do capital da companhia, enquanto os minoritários passarão a deter aproximadamente 32%.
Operação encerra incerteza sobre transferência de Jirau
Na avaliação do Safra, a conclusão da operação representa um evento relevante de redução de risco para a Engie. Isso porque o mercado aguardava há bastante tempo a transferência da participação em Jirau.
Com o fechamento da oferta, a companhia elimina parte das incertezas ligadas ao valuation da transação e ganha maior previsibilidade sobre a integração do ativo ao portfólio.
Os recursos captados serão destinados principalmente à aquisição da fatia de 40% em Jirau, avaliada em R$ 5,7 bilhões. Parte dos recursos também poderá ser usada para o pagamento antecipado das despesas de Uso do Bem Público (UBP), estimadas em R$ 2,4 bilhões.
Além disso, a operação pode contribuir para melhorar a estrutura de capital da empresa.
Avaliação de Jirau segue como ponto de atenção
Apesar da conclusão da oferta, o Safra avalia que o preço atribuído à participação em Jirau foi exigente. Ainda assim, existem fatores que podem melhorar os retornos do ativo ao longo do tempo.
Entre os pontos monitorados estão uma eventual renovação dos benefícios fiscais da Sudam até 2037, ganhos relacionados à modulação de energia e uma melhora do chamado Generation Scaling Factor (GSF), indicador que mede riscos hidrológicos no setor elétrico.
Ao preço definido na oferta, o Safra calcula uma taxa interna de retorno implícita de 9,9% para a Engie. O patamar é considerado razoável e próximo da média observada entre empresas do setor elétrico.
Safra mantém recomendação de venda para Engie
Mesmo com a redução de riscos após a conclusão da transação, o Safra mantém recomendação de venda para EGIE3.
A visão reflete principalmente questões de valuation. Segundo o banco, outras empresas do setor elétrico apresentam retornos implícitos mais atrativos neste momento.