A Engie Brasil (EGIE3) aprovou em Assembleia Geral Extraordinária, realizada em 2 de julho, a aquisição da participação de 40% na Usina Hidrelétrica de Jirau detida pela Engie Brasil Participações. O valor atribuído ao ativo foi de R$ 5,7 bilhões.
A reunião contou com a presença de acionistas que representavam 89,8% do capital votante da companhia. Apesar da aprovação, dois acionistas relevantes votaram contra a proposta.
A operação marca um movimento estratégico relevante para a companhia no segmento de geração de energia. Além disso, reforça a exposição da Engie a um dos principais ativos hidrelétricos do país.
Oferta de ações deve movimentar até R$ 8,4 bilhões
Após a aprovação da aquisição, a expectativa do Safra é de que a Engie avance com uma oferta primária de ações para concluir a operação por meio de troca de ações.
Segundo as estimativas do banco, os acionistas minoritários precisariam subscrever cerca de R$ 2,6 bilhões adicionais para evitar diluição, além da oferta-base de R$ 5,7 bilhões. Com isso, o volume total da operação pode alcançar aproximadamente R$ 8,4 bilhões.
Na avaliação do Safra, trata-se de uma oferta relevante para o mercado brasileiro, com potencial para aumentar a volatilidade das ações da companhia no curto prazo.
Recursos podem financiar expansão e reduzir obrigações
Além da aquisição de Jirau, o Safra avalia que os recursos captados podem ser utilizados em diferentes frentes estratégicas.
Entre os principais destinos estão:
- Liquidação da obrigação relacionada à UBP, estimada em cerca de R$ 2,4 bilhões.
- Financiamento dos investimentos em ativos de transmissão atualmente em construção.
- Otimização da estrutura de capital da companhia.
O movimento pode ampliar a flexibilidade financeira da Engie em um momento de expansão operacional.
Safra vê valuation exigente para a operação
Na visão do Safra, o valor aprovado para a participação em Jirau ficou acima da estimativa original do banco para o ativo. Por isso, a avaliação é de que a transação apresenta um valuation exigente.
Ainda assim, o banco destaca que os números podem melhorar caso alguns fatores positivos se confirmem. Entre eles estão a renovação do benefício fiscal da Sudam até 2037, ganhos de modulação estimados em R$ 10 por megawatt-hora e uma premissa mais favorável para o risco hidrológico do setor elétrico.
Nesse cenário, a taxa interna de retorno da operação poderia alcançar aproximadamente 9,3%.
Recomendação segue negativa para Engie
Mesmo com a aprovação da aquisição, o Safra manteve recomendação de venda para EGIE3.
Para o banco, a perspectiva de uma oferta primária de grande porte e o valuation considerado elevado para a aquisição seguem como fatores de pressão para o desempenho das ações.