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Eneva supera estimativas com força em trading e despacho térmico

Eneva (ENEV3) entrega resultado acima do esperado no 1T26, com apoio de trading de gás, despacho térmico e avanço de Parnaíba


A Eneva (ENEV3) divulgou resultados sólidos no primeiro trimestre de 2026, com desempenho operacional acima das estimativas do Safra e do consenso de mercado. O avanço foi puxado principalmente pelo forte resultado da área de trading de gás no Hub Sergipe, pelo bom nível de despacho térmico em Jaguatirica e pela contribuição consistente do complexo de Parnaíba.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, excluindo equivalência patrimonial, somou R$ 1,691 bilhão. O número representa alta de 11% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou 28% acima da estimativa do Safra, além de 32% superior ao consenso.

Já o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado comparável atingiu R$ 1,471 bilhão, 11% acima da projeção do Safra e 15% acima do consenso. O lucro líquido reportado foi de R$ 523 milhões, também bem acima do esperado.

Hub Sergipe e Parnaíba sustentam o avanço da receita

A receita da Eneva cresceu 6% na comparação anual. O resultado foi impulsionado sobretudo por dois fatores. O primeiro foi a forte expansão das receitas do complexo de Parnaíba, que subiram 62% em relação ao primeiro trimestre de 2025. O movimento refletiu maior despacho, o início da operação de Parnaíba VI e o reajuste inflacionário dos contratos.

O segundo fator foi o aumento dos volumes vendidos na área de trading do Hub Sergipe. Por outro lado, parte desse avanço foi compensada pelo encerramento dos contratos PCS, por maiores despesas ligadas às iniciativas de exploração e produção, pelo impacto de restrições operacionais e por margens menores no trading.

O despacho térmico alcançou 33% no trimestre, bem acima dos 8% registrados um ano antes. Esse patamar reforça a melhora operacional observada nas principais unidades de geração da companhia.

Efeitos não recorrentes também influenciam o resultado

O resultado reportado da Eneva também recebeu impacto de itens específicos no trimestre. Houve efeito positivo de R$ 293 milhões ligado a disputas judiciais com fornecedores em Parnaíba e Jaguatirica.

Ao mesmo tempo, a companhia registrou impactos negativos de R$ 37 milhões em ajustes entre Parnaíba III e a câmara de comercialização de energia, além de outros R$ 37 milhões relacionados a efeitos contábeis de marcação a mercado.

Mesmo com esses efeitos, o desempenho ajustado permaneceu forte, o que reforça a leitura positiva sobre a operação no trimestre.

Custos sobem com exploração e maior nível de despacho

Os custos totais, excluindo depreciação e amortização, cresceram 44% na comparação anual. Já as despesas administrativas e comerciais avançaram 6% e vieram 29% acima da estimativa do Safra, principalmente por causa de maior remuneração variável.

A pressão de custos refletiu o aumento das despesas de exploração e produção nas bacias do Paraná e do Amazonas, com alta de 56% em relação ao mesmo período do ano anterior. Além disso, o maior nível de despacho térmico também elevou os gastos operacionais.

Ainda assim, a força da receita e o bom desempenho de negócios estratégicos permitiram à companhia entregar resultado consolidado acima do esperado.

Trading de gás surpreende positivamente

Um dos principais destaques do trimestre foi o desempenho do Hub Sergipe. Segundo o Safra, essa operação ficou 42% acima da estimativa, explicada principalmente pelo avanço do trading de gás.

O lucro operacional do Gas Trading alcançou R$ 201 milhões, acima dos R$ 94 milhões reportados anteriormente como referência. Esse resultado foi determinante para compensar desempenhos mais fracos em outras frentes.

Na área de trading, o lucro operacional ficou em R$ 45 milhões, desconsiderando marcação a mercado, abaixo da estimativa do Safra. Ainda assim, a contribuição do Hub Sergipe ajudou a sustentar a surpresa positiva do trimestre. Já a Futura apresentou resultado negativo de R$ 5 milhões, em linha com a projeção do banco.

Lucro líquido avança, mas alavancagem sobe

A surpresa positiva no lucro líquido decorreu de melhores resultados operacionais e de uma alíquota efetiva de imposto menor no trimestre. Em contrapartida, o resultado financeiro foi mais fraco e limitou parte desse avanço.

A alavancagem da Eneva encerrou março em 2,8 vezes a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. No trimestre anterior, esse indicador estava em 2,6 vezes.

Embora a alavancagem tenha subido, o Safra considera que o resultado operacional robusto ajuda a sustentar uma leitura construtiva para a companhia.

Visão continua construtiva para a companhia

Na avaliação do Safra, os resultados da Eneva no primeiro trimestre de 2026 reforçam a capacidade da companhia de capturar valor em seus ativos de geração e comercialização de gás.

O banco destaca o forte desempenho do Hub Sergipe, além da contribuição sólida de Parnaíba e Jaguatirica, que compensaram o fim dos contratos PCS. Por isso, a visão segue positiva para a trajetória operacional da empresa.

O Safra também avalia que a Eneva deve capturar bons resultados dos projetos adquiridos recentemente no leilão de reserva de capacidade de 2026. Dessa forma, a leitura para o trimestre permanece favorável.


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