A Eneva (ENEV3) apresentou resultado operacional ajustado de R$ 1,43 bilhão no segundo trimestre de 2026, queda de 15% na comparação anual.
O valor ficou 14% acima da estimativa do Banco Safra e 10% acima do consenso de mercado. O resultado considera os efeitos de marcação a mercado e exclui a perda contábil relacionada à venda de ativos em Pecém.
O resultado operacional reportado, por outro lado, somou R$ 1,24 bilhão, recuo de 26% em 12 meses. O número ficou praticamente em linha com a projeção do Safra e 4% abaixo do consenso.
A comparação anual foi afetada por uma perda contábil de R$ 128 milhões relacionada à venda de Pecém e por um impacto negativo de R$ 59 milhões decorrente da marcação a mercado.
Receita cresce
A receita da Eneva avançou 13% na comparação anual. O desempenho foi impulsionado principalmente pelo complexo Parnaíba, cuja receita cresceu 21%.
A expansão refletiu níveis mais elevados de despacho das usinas, o início antecipado dos contratos de reserva de capacidade da usina Parnaíba IV e os reajustes pela inflação previstos em contratos assinados em novembro.
A companhia também registrou aumento dos volumes vendidos no Hub Sergipe e na área de comercialização de energia.
Esses efeitos foram parcialmente compensados pelo encerramento de contratos no Espírito Santo, pelas restrições à geração de energia e por margens menores na comercialização de gás.
O despacho térmico alcançou 20%, ante 15% no segundo trimestre de 2025.
Parnaíba mantém força
O resultado operacional do complexo Parnaíba ficou 5% acima da estimativa do Safra e cresceu 8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O desempenho refletiu principalmente o maior despacho das usinas, que ampliou a geração de receita no trimestre.
A evolução de Parnaíba foi um dos principais fatores que ajudaram a compensar os efeitos negativos do encerramento dos contratos no Espírito Santo.
Comercialização de energia surpreende
A área de comercialização de energia registrou resultado operacional de R$ 194 milhões, excluindo os efeitos de marcação a mercado. O valor ficou muito acima da estimativa do Safra, de R$ 32 milhões.
O desempenho foi favorecido pelo aumento dos volumes vendidos e por condições mais positivas na negociação de energia.
No Hub Sergipe, o resultado ficou 16% acima da projeção do banco. A principal contribuição veio do maior volume de energia negociado no mercado de curto prazo.
A área de comercialização de gás apresentou resultado operacional de R$ 89 milhões, ligeiramente abaixo da estimativa do Safra, de R$ 93 milhões.
Custos e despesas aumentam
Os custos totais, excluindo depreciação e amortização, cresceram 37% na comparação anual.
As despesas administrativas e gerais avançaram 52% e ficaram 48% acima da estimativa do Safra. O aumento refletiu principalmente maiores despesas com planos de incentivo de longo prazo, devido ao vencimento de determinados programas, além de provisões mais elevadas.
A pressão sobre custos e despesas limitou parte do ganho obtido com o crescimento da receita e com o desempenho das operações de comercialização de energia.
A Futura, por sua vez, apresentou resultado operacional negativo de R$ 9 milhões, ante uma estimativa positiva de R$ 8 milhões do banco.
Lucro fica acima da projeção
O lucro líquido reportado da Eneva alcançou R$ 31 milhões, queda de 92% em relação ao segundo trimestre de 2025.
O valor ficou 15% acima da estimativa do Safra, mas 44% abaixo do consenso de mercado.
A surpresa positiva em relação à projeção do banco refletiu principalmente o melhor desempenho operacional e uma alíquota efetiva menor de imposto. Esses efeitos foram parcialmente compensados por um resultado financeiro mais fraco.
Alavancagem aumenta
A relação entre dívida líquida e resultado operacional ajustado encerrou o segundo trimestre em 3,2 vezes, ante 2,8 vezes no trimestre anterior.
O aumento da alavancagem reforça a importância da geração de caixa e da evolução dos projetos recentemente adquiridos pela companhia.
A trajetória do endividamento continuará entre os principais pontos de atenção para os investidores, especialmente diante do aumento das despesas e dos investimentos necessários para a expansão da operação.
Safra mantém visão construtiva
Na avaliação do Banco Safra, os resultados ajustados da Eneva ficaram acima das estimativas, apesar da queda na comparação anual.
Os principais destaques foram a comercialização de energia e o desempenho dos complexos Parnaíba e Hub Sergipe. Esses fatores compensaram parcialmente o encerramento dos contratos no Espírito Santo e o aumento das despesas administrativas e gerais.
O Safra mantém uma visão construtiva para a Eneva. O banco espera que a companhia se beneficie dos projetos recentemente adquiridos no leilão de reserva de capacidade de 2026.
A expectativa de melhora operacional desses ativos sustenta a avaliação positiva para a empresa nos próximos períodos.