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Eneva tem resultado abaixo do esperado com pressão de custos

Desempenho operacional ficou aquém das projeções com impacto de despesas em E&P, enquanto atenções do mercado se voltam para o próximo leilão de reserva de capacidade


A Eneva (ENEV3) apresentou resultados operacionais abaixo das expectativas no quarto trimestre de 2025, principalmente em razão do desempenho mais fraco das operações de upstream, do complexo Parnaíba e do braço de comercialização de gás do Sergipe Hub.

O EBITDA reportado, desconsiderando o resultado de equivalência patrimonial, alcançou R$ 1,492 bilhão, alta de 147% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o número ficou 13% abaixo das estimativas do Safra e do consenso de mercado. O resultado foi impactado negativamente por R$ 54 milhões em efeitos contábeis de mark to market.

No conceito ajustado, o EBITDA somou R$ 1,55 bilhão, valor cerca de 10% inferior às projeções. Já o lucro líquido da Eneva foi de R$ 57 milhões, recuo de 86% na comparação com as estimativas, refletindo principalmente o desempenho operacional mais fraco.

Receitas da Eneva avançam

A receita líquida cresceu 24% na comparação anual, impulsionada por diferentes vetores. Entre eles, destacaram-se o avanço do braço de comercialização de energia, a integração das usinas térmicas recentemente adquiridas, Viana, Povoação e Linhares, e o crescimento das receitas do complexo Parnaíba, que avançaram 13%.

O início da operação da usina Parnaíba VI, a expectativa de contrato de capacidade de reserva para a Parnaíba IV e o reajuste inflacionário de contratos firmados em novembro também contribuíram para o desempenho. Esses fatores compensaram parcialmente a redução das receitas de exportação de energia.

No Sergipe Hub, maiores níveis de despacho térmico ajudaram a sustentar o crescimento da receita, com taxa de despacho alcançando 54%, ante 35% no mesmo período do ano anterior.

Custos e despesas pressionam margens

Apesar do crescimento da receita, a estrutura de custos pressionou a rentabilidade. Os custos totais, excluindo depreciação e amortização, aumentaram 27% em base anual. As despesas com vendas, gerais e administrativas avançaram 37% e ficaram 33% acima das estimativas do Safra, principalmente em função de maior remuneração variável ao pessoal.

O aumento dos custos reflete, sobretudo, a intensificação das iniciativas de exploração e produção nas bacias do Paraná e do Amazonas, cujas despesas cresceram 325% em relação ao ano anterior. A integração de novos ativos e maiores compras de gás no Sergipe Hub também contribuíram para esse movimento.

Upstream e Parnaíba

O EBITDA do complexo Parnaíba ficou 10% abaixo das estimativas do Safra e praticamente estável na comparação anual. O desempenho reflete o aumento dos custos de arrendamento variável e a queda das receitas de exportação de energia.

Já o segmento de upstream apresentou resultado 24% inferior ao esperado, com retração de 65% em relação ao ano anterior, pressionado principalmente pelas maiores despesas de exploração.

No braço de comercialização, o EBITDA alcançou R$ 60 milhões, excluindo efeitos de mark to market, acima da estimativa de R$ 38 milhões. Em contrapartida, os resultados do Sergipe Hub ficaram 15% abaixo do esperado, afetados por margens menores e pelo EBITDA negativo de R$ 18 milhões na comercialização de gás. A Futura também apresentou EBITDA negativo no período.

Reservas e expectativas para o LRCAP

A Eneva também divulgou seu relatório atualizado de reservas de gás da bacia do Parnaíba. As reservas 2P registraram aumento de 1%, enquanto as reservas 3P recuaram 11%. As reservas certificadas avançaram 1%.

Com o resultado operacional aquém do esperado, o foco dos investidores se desloca para os próximos catalisadores, especialmente o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP), que pode trazer maior visibilidade para a contratação de capacidade e para a geração de caixa futura da companhia.


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