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Eneva e Cemig avançam em eficiência e investimentos

Reuniões com executivos reforçam os planos das companhias para crescimento, eficiência operacional e disciplina financeira


A Eneva (ENEV3) detalhou os efeitos da venda da usina termelétrica a carvão Itaqui para a Diamante Energia. A operação simplifica a estrutura corporativa e pode ampliar a eficiência tributária da companhia.

A transação também tende a gerar valor para os acionistas. A estimativa é de criação de valor próxima de R$ 1,4 bilhão.

A companhia também se prepara para uma eventual incorporação de novos contratos de capacidade de reserva. A Agência Nacional de Energia Elétrica pode solicitar que a Eneva assuma cerca de 790 megawatts após a desclassificação de outro participante do leilão.

A administração reconhece que essa alternativa traz desafios maiores do que outros projetos. Ainda assim, a empresa se organiza para cumprir uma eventual obrigação.

Demanda por capacidade segue relevante

A Eneva avalia que novos leilões de capacidade de reserva continuarão necessários para assegurar o atendimento ao sistema elétrico brasileiro.

Dados da Empresa de Pesquisa Energética indicam demanda potencial de cerca de 40 gigawatts. Esse cenário reforça a importância das usinas termelétricas na segurança do fornecimento de energia, sobretudo em períodos de menor geração renovável.

Outro ponto em discussão envolve uma possível redução das exigências de operação contínua para determinadas termelétricas. O tema está sob análise do Tribunal de Contas da União e pode evoluir nos próximos meses.

Balanço permanece sob controle

A Eneva afirmou que mantém atenção à gestão da dívida e à preservação da flexibilidade financeira. A companhia possui compromissos elevados de investimentos, mas avalia alternativas para financiar o crescimento.

Entre as opções estão a emissão de ações preferenciais e a antecipação de recebíveis. Essas iniciativas podem reforçar a estrutura de capital sem comprometer o ritmo dos projetos.

A estratégia combina expansão da capacidade instalada, disciplina financeira e busca por ganhos de eficiência.

Cemig renova concessão e amplia investimentos

A Companhia Energética de Minas Gerais, Cemig (CMIG4), destacou a renovação por 30 anos da concessão da usina de Sá Carvalho, agora sob o regime de cotas.

A empresa também negocia a renovação das concessões das usinas de Nova Ponte e Emborcação. A manutenção desses ativos fortalece a previsibilidade operacional e preserva uma parcela relevante da geração de energia da companhia.

Os investimentos na distribuidora seguem como ponto central da estratégia. A Cemig busca ampliar sua base de ativos regulatória antes da revisão tarifária prevista para 2028.

A execução do plano de investimentos deve ampliar a visibilidade dos resultados e sustentar retornos regulados mais atrativos nos próximos anos.

Eficiência continua como prioridade

A Cemig mantém o foco na simplificação societária e na eficiência operacional. A companhia já vendeu ativos considerados não estratégicos, como participações na Transmissora Aliança de Energia Elétrica, Taesa, na hidrelétrica de Belo Monte e na Companhia de Gás de Minas Gerais, Gasmig.

Mesmo com menor espaço para novas vendas, a administração vê oportunidades adicionais de eficiência. Entre elas estão medidas relacionadas a passivos de fundos de pensão.

A agenda regulatória também permanece favorável. As distribuidoras defendem melhorias na metodologia de cálculo da remuneração regulatória. A Cemig espera resultados melhores com a nova fórmula de cálculo de um dos componentes do fator de produtividade aplicado às tarifas.

Comercializadora enfrenta pressão no curto prazo

A área de comercialização de energia da Cemig ainda enfrenta um cenário mais desafiador no curto prazo. Para 2027, a companhia mantém uma posição aberta, o que aumenta sua exposição às condições futuras do mercado.

A partir de 2028, no entanto, a empresa já conta com uma posição comprada em energia. Esse movimento reduz parte da incerteza e melhora a visibilidade para os anos seguintes.

A companhia reafirmou que pretende preservar sua estratégia, independentemente de mudanças no ambiente político. O plano inclui controle da dívida e distribuição de 50% do lucro aos acionistas.

Perspectiva permanece construtiva

As reuniões reforçam uma visão positiva para o setor elétrico no longo prazo. A Eneva avança na reorganização de ativos e preserva alternativas para financiar seu crescimento, em um cenário de demanda estrutural por capacidade de geração.

A Cemig, por sua vez, mantém uma estratégia concentrada nos ativos principais, na disciplina operacional e no ciclo de investimentos da distribuidora.

As margens da comercializadora devem seguir pressionadas no curto prazo. Ainda assim, a combinação entre eficiência, investimentos e evolução regulatória sustenta perspectivas mais favoráveis para a companhia no médio e longo prazos.


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