A Energisa (ENGI11) reportou resultados abaixo das expectativas no segundo trimestre de 2026. O desempenho refletiu custos operacionais mais elevados e diversos efeitos não recorrentes, sem impacto direto no caixa.
O resultado operacional ajustado, medido pelo EBITDA, atingiu R$ 2,266 bilhões. O valor representa alta de 4% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou 1% acima da estimativa do Banco Safra.
No entanto, em bases comparáveis, o resultado operacional ajustado somou R$ 1,954 bilhão. Esse número ficou 13% abaixo da projeção do Safra e 12% abaixo do consenso de mercado.
A diferença ocorreu porque o trimestre concentrou efeitos pontuais relevantes. Entre eles, a Energisa registrou R$ 235 milhões da atualização inflacionária da base de ativos, impacto negativo de R$ 268 milhões no braço de transmissão, acordo de crédito tributário de R$ 489 milhões com o Estado de Rondônia e R$ 19 milhões em efeitos de marcação a mercado.
Lucro cai no trimestre
O lucro líquido ajustado da Energisa somou R$ 88 milhões no segundo trimestre. O valor representa queda de 73% frente ao mesmo período de 2025.
O resultado também ficou 74% abaixo da estimativa do Safra e 73% abaixo do consenso de mercado. Segundo o banco, a principal pressão veio do resultado financeiro, que ficou pior do que o esperado.
A Energisa reconheceu despesas financeiras maiores no período, relacionadas ao acordo firmado com o Estado de Rondônia. Esse efeito somou R$ 594 milhões.
Além disso, itens não recorrentes ligados a instrumentos financeiros marcados a mercado também afetaram o resultado. A queda contou com compensações parciais de menores participações de minoritários e de despesas tributárias mais elevadas.
Receita avança com tarifas
A receita da Energisa, excluindo a margem de construção, cresceu 4% na comparação anual. O número ficou 9% acima da estimativa do Safra.
O avanço refletiu o crescimento de 3% nos volumes totais de energia, embora o mercado cativo tenha ficado estável. Também contribuíram os reajustes tarifários em distribuidoras como Energisa Sergipe, Energisa Paraíba, Energisa Mato Grosso do Sul, Energisa Rondônia e Energisa Acre.
No segmento de transmissão, a Energisa contou com o reajuste anual da receita permitida e menor indisponibilidade das linhas em relação ao que o Safra esperava.
O segmento de gás também ajudou a receita. As vendas cresceram 3% em relação ao ano anterior e ficaram 16% acima da projeção do Safra, impulsionadas pelo ajuste das margens de comercialização.
Margens ficam abaixo
Apesar do crescimento da receita, as margens brutas da Energisa ficaram 12% abaixo da estimativa do Safra.
As despesas gerenciáveis caíram 4% em relação ao mesmo período do ano anterior e vieram 7% abaixo da projeção do banco. Esse desempenho refletiu, principalmente, ganhos não recorrentes do acordo com o Estado de Rondônia sobre créditos tributários.
No segmento de distribuição, as provisões representaram 2,2% da receita líquida. O indicador ficou em linha com o trimestre anterior e 0,5 ponto percentual abaixo da estimativa do Safra.
Por outro lado, os custos operacionais da distribuição, incluindo pessoal, materiais, serviços e outros gastos, somaram R$ 928 milhões. O valor cresceu 12% na comparação anual e ficou 6% acima da projeção do banco.
Perdas seguem controladas
As perdas totais de energia da Energisa aumentaram levemente no trimestre. O indicador passou de 12,19% no primeiro trimestre para 12,28% no segundo trimestre.
Ainda assim, as perdas permaneceram abaixo do nível regulatório de 13,05%. Esse ponto ajuda a limitar a pressão operacional no segmento de distribuição.
No braço de transmissão, o resultado operacional regulatório somou R$ 164 milhões. O número ficou 4% abaixo da estimativa do Safra.
Dívida melhora após capitalização
A alavancagem da Energisa, medida pela relação entre dívida líquida e resultado operacional ajustado, atingiu 3,1 vezes no fim do segundo trimestre.
O indicador recuou em relação ao primeiro trimestre, quando estava em 3,5 vezes. A melhora refletiu a capitalização de R$ 1,4 bilhão da Denerge, concluída em junho.
Segundo o Safra, a redução da alavancagem representa um ponto positivo em um trimestre marcado por pressão nos custos e por efeitos extraordinários relevantes.
Safra mantém Compra
Na avaliação do Safra, os resultados da Energisa vieram abaixo das expectativas em bases comparáveis. O banco destaca que custos operacionais maiores pressionaram o desempenho do trimestre.
Além disso, o período teve forte influência de itens não recorrentes. Os principais foram o acordo com o Estado de Rondônia, relacionado a créditos tributários, e a perda contábil associada à venda de cinco linhas de transmissão anunciada em maio.
Apesar do resultado mais fraco no trimestre, o Safra mantém recomendação de Compra para a Energisa. A visão positiva se apoia em valuation.
Segundo o banco, a Energisa negocia a uma taxa interna de retorno de 12,4%, nível que sustenta a recomendação de Compra para as ações.