A Energisa reportou um EBITDA de R$2.527 milhões (+36% ano a ano), 17,1% acima da nossa estimativa e 28,4% acima do consenso, com resultados melhores do que o esperado no braço de geração distribuída e resultados sólidos no braço de distribuição.
O EBITDA reportado foi afetado por:
- (i) +R$176 milhões do ajuste para inflação da base de ativos regulatórios (VNR) sem impactos de caixa;
- (ii) +R$262 milhões de margens de construção de transmissão (efeitos IFRS) vs. o número regulatório de R$137 milhões (efeitos IFRS). (ii) +R$262 milhões de margens de construção de transmissão (efeitos IFRS) vs. o número regulatório de R$137 milhões;
- (iii) -R$120 milhões de despesas marcadas a mercado na área de Trading sem impactos no caixa;
- (iv) +R$141 milhões de reversões de contingências relacionadas a contratos de energia da ERO; (v) -R$61 milhões de provisões para remuneração variável; e (vi) -R$9 milhões de provisões na EAC.
Assim, ajustando por esses fatores, o EBITDA like-for-like teria sido de R$2.276 milhões, 5,4% acima de nossas estimativas e 15,6% acima do consenso. Detalhes dos resultados do 1T24. As receitas foram impulsionadas por:
- (i) mais um trimestre de forte volume total de vendas (+11,9% em relação ao mesmo período do ano anterior), com grande contribuição do segmento residencial (+17,6% em relação ao mesmo período do ano anterior), com destaque positivo para os estados de Mato Grosso (+15,0%), Tocantins (+14,6%) e Mato Grosso (+12,6%), ainda impulsionados pelas temperaturas mais altas causadas pelos efeitos do El Niño;
- (ii) reajustes tarifários;
- (iii) entrada em operação de projetos no Amazonas e no Pará; e
- (iv) entrada em operação de novas unidades no braço de Geração da Distribuição. O EBITDA do segmento DisCo aumentou 22% em relação ao ano anterior e ficou 2,4% abaixo da nossa estimativa, principalmente devido a provisões para inadimplência acima do esperado.
O PMSO no segmento DisCo aumentou 5,3% em relação ao ano anterior (vs. inflação LTM de 3,9%) e ficou 4,8% abaixo de nossas estimativas. A Energisa também começou a reportar mensalmente provisões para remuneração variável (atingindo R$61 milhões no trimestre), o que não foi considerado em nosso modelo para esse trimestre.
As provisões para inadimplência aumentaram 33% em relação ao ano anterior, atingindo 2,0% da receita líquida (vs. 1,3% estimado), explicando a maior parte do erro em nossos números.
As perdas totais de energia aumentaram 120 pontos-base no trimestre para 12,74% de 12,62% no trimestre anterior, encerrando o trimestre acima dos níveis regulatórios de 12,61%, também como resultado do aumento das temperaturas no trimestre.
O EBITDA regulatório de transmissão de R$137 milhões ficou 12% abaixo de nossa estimativa e a ES Gas reportou EBITDA de R$47 milhões 11% abaixo de nossas estimativas.
O destaque positivo vai para a geração distribuída, cujo EBITDA ficou 5,2% acima da nossa estimativa. Nossa opinião: Um trimestre forte para a Energisa. Em nossa opinião, os resultados foram sólidos, impulsionados principalmente pelos volumes de vendas de energia do braço distribuição, que também apresentou um bom controle de custos gerenciáveis.
O aumento da inadimplência e das perdas é resultado dos altos volumes. A Energisa também apresentou bons resultados na área de Geração Distribuída. No geral, os resultados ficaram ligeiramente acima das estimativas.
Acreditamos que a Energisa será capaz de apresentar um bom desempenho no futuro, e o controle de custos e os indicadores de qualidade devem continuar a ser os pontos mais importantes a serem seguidos. Mantemos a recomendação de Compra para a empresa por motivos de valuation.