A Embraer (EMBR3) apresentou resultado positivo no segundo trimestre de 2026. Embora o período tenha sido beneficiado por itens não recorrentes, o desempenho subjacente ficou acima do consenso nas principais linhas.
A margem operacional ajustada chegou a 13,3%, alta de 2,74 pontos percentuais na comparação anual. O resultado foi impulsionado principalmente por um crédito tributário extraordinário.
Excluindo esse benefício e mantendo os custos remanescentes relacionados às tarifas, a margem teria sido de 10,2%. Mesmo nesse cenário, o indicador teria ficado 1,41 ponto percentual acima do consenso.
Sem o impacto remanescente das tarifas, a margem operacional ajustada teria alcançado 10,6%.
Receita cresce 23%
A receita líquida avançou 23% em um ano, para US$ 2,24 bilhões. O crescimento foi sustentado pelo desempenho positivo de todas as unidades de negócio.
A receita da divisão de Defesa e Segurança aumentou 38%, apoiada pelo maior reconhecimento de receitas do KC-390. O resultado refletiu o perfil dos clientes e o estágio dos produtos.
A receita da Aviação Executiva cresceu 32%, impulsionada pelo aumento dos volumes e por uma composição mais favorável. A companhia entregou 45 aeronaves no trimestre, ante 38 no segundo trimestre de 2025.
Na Aviação Comercial, a receita avançou 8%, com a entrega de 20 aeronaves, ante 19 um ano antes.
A receita de Serviços e Suporte aumentou 24%, refletindo maiores volumes em todas as unidades de negócio.
Defesa e Serviços são destaques
A divisão de Defesa e Segurança apresentou margem operacional de 11,9%, alta de 2,66 pontos percentuais na comparação anual.
Serviços e Suporte registrou margem de 17,6%, avanço de 2,09 pontos percentuais em um ano.
A Aviação Executiva também teve desempenho positivo. A margem chegou a 16,1%, alta de 1,54 ponto percentual na comparação anual.
O desempenho dessas unidades compensou parcialmente a menor rentabilidade da Aviação Comercial.
Aviação Comercial pressiona margens
A margem operacional da Aviação Comercial recuou 1,34 ponto percentual em um ano, para 2,9%.
A Embraer atribuiu a queda principalmente à composição dos clientes e ao aumento das despesas de pesquisa e desenvolvimento.
A divisão foi o principal ponto negativo do trimestre, apesar do crescimento da receita e do aumento das entregas.
Lucro ajustado cresce 38%
O lucro líquido ajustado, excluindo a Eve, somou US$ 219 milhões, alta de 38% na comparação anual.
O resultado ficou 84% acima da estimativa do Safra e do consenso.
O desempenho foi sustentado pelo avanço operacional e pela redução de 92% nas despesas financeiras líquidas. O resultado foi parcialmente compensado por impostos mais elevados no trimestre.
A comparação com o segundo trimestre de 2025 foi reapresentada pela companhia após a Embraer deixar de classificar impostos diferidos como itens extraordinários.
Fluxo de caixa livre é positivo
O fluxo de caixa livre, excluindo a Eve, alcançou US$ 401 milhões no segundo trimestre.
A geração foi beneficiada por aproximadamente US$ 68 milhões relacionados ao crédito tributário extraordinário.
Também houve entrada de aproximadamente US$ 300 milhões em passivos contratuais, principalmente por adiantamentos de clientes relacionados à área de Defesa.
O resultado representa uma melhora relevante em relação ao fluxo de caixa livre negativo registrado no período anterior de comparação.
Projeção de margem aumenta
A Embraer elevou a projeção de margem operacional ajustada para 2026. A faixa passou de 8,7% a 9,3% para 10% a 10,6%.
A revisão representa aumento de aproximadamente US$ 110 milhões, ou 1,30 ponto percentual, no ponto médio da projeção.
Do impacto total, US$ 68 milhões, equivalentes a 0,80 ponto percentual, estão relacionados ao crédito tributário não recorrente.
Outros US$ 38 milhões, ou 0,45 ponto percentual, refletem a isenção de tarifas diretas de importação dos Estados Unidos no segundo semestre de 2026.
A melhora efetiva do ambiente de negócios representa apenas US$ 4 milhões, ou 0,05 ponto percentual, da revisão.
A companhia ainda está sujeita a aproximadamente US$ 12 milhões por ano em tarifas indiretas.
Entregas e receita são mantidas
A Embraer manteve as projeções de entregas para 2026.
A previsão para a Aviação Comercial continua entre 80 e 85 aeronaves. Para a Aviação Executiva, a expectativa permanece entre 160 e 170 aeronaves.
A projeção de receita consolidada também foi mantida entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões.
Projeção de caixa é elevada
A Embraer aumentou a projeção de fluxo de caixa livre para US$ 400 milhões ou mais em 2026.
A estimativa anterior indicava geração de US$ 200 milhões ou mais.
A revisão reforça a visão de que a companhia deve encerrar o ano com desempenho financeiro mais forte, apoiado pelo avanço operacional, pelos créditos tributários e pelos adiantamentos relacionados à área de Defesa.
Trimestre reforça visão positiva
O resultado do segundo trimestre foi positivo para a Embraer, apesar da influência relevante de itens não recorrentes.
A companhia apresentou crescimento em todas as unidades de negócio, elevou a margem operacional ajustada e registrou forte geração de fluxo de caixa livre.
A Aviação Comercial permanece como o principal ponto de atenção, devido à pressão sobre as margens e ao aumento das despesas de pesquisa e desenvolvimento. Ainda assim, a elevação das projeções para 2026 reforça a perspectiva positiva para os resultados da companhia.