A Embraer (EMBJ3) apresentou resultados levemente positivos no quarto trimestre, sustentados pelo crescimento da receita e por uma geração robusta de caixa, mesmo diante de um ambiente global mais desafiador. A receita líquida avançou 15% na comparação anual, alcançando US$ 2,65 bilhões, refletindo desempenho sólido na maior parte das unidades de negócio.
O avanço ocorreu em um contexto de normalização gradual das cadeias globais de suprimentos, mas ainda marcado por tensões geopolíticas e por políticas comerciais mais restritivas, especialmente nos Estados Unidos, principal mercado da companhia.
Tarifas dos EUA pressionam margens operacionais
O lucro operacional medido pelo EBIT ajustado somou US$ 231 milhões, queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior, com margem de 8,7%. O desempenho reflete, principalmente, o impacto de US$ 27 milhões em tarifas de importação impostas pelos Estados Unidos, além de margens menores nas divisões de Serviços e Defesa.
O cenário internacional segue desafiador para a indústria aeroespacial. A intensificação de medidas protecionistas, em meio a disputas comerciais e à reorganização das cadeias globais de produção, tem elevado custos e aumentado a volatilidade operacional para fabricantes com atuação global.
Aviação Executiva e Serviços
Entre os segmentos, a Aviação Executiva registrou crescimento de 20% na receita, apoiada por maior volume de entregas e preços mais elevados. O segmento de Serviços e Suporte avançou 25%, impulsionado por maiores volumes em todos os mercados atendidos e por ganhos de eficiência operacional.
Na divisão de Defesa e Segurança, a receita cresceu 48%, com maior reconhecimento de receitas do programa KC-390, embora a margem tenha sido pressionada por efeitos de mix e por uma base de comparação mais forte. Já a Aviação Comercial apresentou leve retração de 1% na receita, refletindo o perfil dos clientes, apesar do aumento no número de aeronaves entregues.
Lucro líquido recua, mas supera expectativas
O lucro líquido ajustado atingiu US$ 153 milhões, queda de 11% na comparação anual, impactado principalmente pela menor margem operacional. Ainda assim, o resultado superou as estimativas do Safra e do consenso de mercado, sinalizando disciplina financeira em um ambiente adverso.
A margem líquida ajustada ficou em 5,8%, refletindo a combinação entre crescimento de receita, pressão de custos e efeitos cambiais ao longo do período.
Forte geração de caixa
A Embraer encerrou o trimestre com geração de fluxo de caixa livre de US$ 738 milhões, excluindo o negócio de mobilidade aérea urbana. O desempenho foi impulsionado por entregas mais fortes e por um bom ritmo comercial, que elevou os recebimentos de pré-entrega.
A geração de caixa reforça a posição financeira da companhia em um momento de juros globais ainda elevados e maior seletividade por parte dos investidores, especialmente em setores intensivos em capital.
Projeção de 2026 indica postura conservadora
A companhia também divulgou o guidance para 2026, projetando entregas de 80 a 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 jatos executivos. A receita estimada varia entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, com margem EBIT ajustada entre 8,7% e 9,3%, já incorporando o impacto das tarifas de importação dos Estados Unidos.
O fluxo de caixa livre ajustado deve ser de, no mínimo, US$ 200 milhões. O Safra avalia o guidance como conservador, refletindo cautela diante das incertezas do cenário geopolítico, das políticas comerciais e da evolução da demanda global por aeronaves.
Perspectivas seguem ligadas ao cenário global
Para os próximos trimestres, o desempenho da Embraer deve continuar condicionado à evolução das tensões comerciais, ao ritmo de crescimento das economias desenvolvidas e à normalização dos custos industriais. Ainda assim, a diversificação do portfólio e a forte carteira de pedidos tendem a sustentar a resiliência operacional da companhia em um ambiente global mais complexo.