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ANÁLISE

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Embraer reforça rota de crescimento e melhora de rentabilidade

Reunião com a administração da Embraer apontou avanço operacional, resiliência da demanda e espaço para margens acima do esperado nos próximos trimestres


A reunião recente com a administração da Embraer (EMBR3) reforçou uma visão construtiva para a companhia. Na avaliação do Safra, a fabricante segue em trajetória compatível com suas metas para 2026, mesmo após um primeiro trimestre com rentabilidade mais fraca.

Segundo a administração, a pressão sobre as margens no início do ano refletiu sobretudo o perfil das entregas, e não uma piora estrutural do negócio. Como esse efeito tende a não se repetir, o resultado dos próximos períodos pode mostrar recuperação mais clara.

Além disso, a companhia segue avançando em eficiência operacional. Esse movimento, combinado com um ambiente mais benigno em tarifas, abre espaço para um desempenho melhor do que o inicialmente previsto.

Margens podem surpreender positivamente

Um dos principais pontos da reunião foi a leitura mais favorável para as margens da Embraer. A administração indicou que, nas condições atuais, não espera pagamentos relevantes ligados a tarifas no segundo semestre de 2026.

Esse fator pode sustentar rentabilidade acima das projeções formais da companhia. Para o Safra, a combinação entre menor pressão de custos, ganhos de eficiência e melhor composição operacional cria uma base mais sólida para a expansão das margens.

A leitura é relevante porque o mercado vinha acompanhando com atenção os efeitos de custos extras e de um ambiente externo mais incerto. Agora, o cenário parece menos pressionado.

Demanda segue firme na aviação comercial

Na divisão de aviação comercial, a Embraer destacou que as campanhas de venda continuam ativas, apesar da guerra no Oriente Médio e dos preços mais altos dos combustíveis.

A avaliação da companhia é que decisões de frota têm natureza de longo prazo. Por isso, oscilações conjunturais não alteraram de forma visível o volume de pedidos nem a carteira contratada.

A margem mais fraca no primeiro trimestre, segundo a administração, decorreu principalmente do perfil das entregas, incluindo aeronaves E175 destinadas à Republic, além de custos logísticos mais altos. Como esses fatores foram pontuais, a expectativa é de normalização ao longo do ano.

Outro ponto importante envolve a Republic. Não há entregas previstas para 2026, ainda que exista uma carteira de 26 aeronaves. Além disso, o adiamento de entregas em março permitiu à Embraer (EMBR3) renegociar condições contratuais mais favoráveis, o que ajuda a sustentar a rentabilidade.

Risco de cancelamento parece limitado

A administração também tratou da exposição à Avelo. Nesse caso, a Embraer afirmou não ver risco material de cancelamento de encomendas.

A companhia citou a capitalização da empresa aérea e seus planos de expansão como fatores que ajudam a preservar a carteira. As entregas para a Avelo estão previstas para começar em 2028.

Esse ponto ajuda a reduzir uma preocupação potencial do mercado em relação à visibilidade de receitas futuras. Em um setor sensível a oscilações econômicas, a manutenção do volume contratado ganha peso adicional.

Aviação executiva deve recuperar fôlego

Na divisão de aviação executiva, a administração também adotou um tom mais confiante. O desempenho mais fraco no primeiro trimestre foi atribuído, em grande parte, ao adiamento de entregas solicitado por clientes de leasing.

Na prática, parte das unidades que deveriam ter sido entregues no fim de 2025 acabou sendo deslocada para o início de 2026. Além disso, lançamentos de produtos e o efeito das tarifas também influenciaram o resultado.

Apesar disso, a demanda segue forte. A companhia citou longos prazos de espera e um mercado secundário mais apertado como sinais de que o segmento continua saudável. Com isso, a expectativa é de melhora das margens em relação a 2025, em bases comparáveis.

Outro vetor positivo vem do novo Praetor. Segundo a administração, o novo modelo está sendo comercializado com preço cerca de 2 milhões de dólares acima das versões anteriores. Isso pode favorecer a rentabilidade no longo prazo, à medida que as entregas avancem a partir do fim de 2028.

Defesa ganha espaço na tese

A área de defesa também apareceu como um ponto de maior otimismo. A Embraer avalia que, com o aumento da produção e os ganhos de eficiência, a rentabilidade do C-390 pode alcançar cerca de 14% ao fim da década.

Essa projeção supera as expectativas médias hoje refletidas pelo mercado para o segmento. Por isso, o avanço dessa divisão pode se tornar um importante vetor adicional de revisão positiva para a tese de investimento.

Além disso, contratos na Índia seguem no radar como um possível catalisador. A companhia vê potencial em acordos que envolvam transferência de tecnologia e conteúdo local, o que pode fortalecer a presença internacional do programa.

Plano mira acelerar expansão da receita

Outro tema relevante foi o esforço da Embraer para antecipar sua meta de receita de 10 bilhões de dólares. A administração trabalha em um plano para trazer esse objetivo para mais cedo.

A estratégia passa por melhorias na cadeia de suprimentos, com uso de inteligência artificial, aumento de produtividade e ajustes organizacionais. A intenção é ganhar velocidade sem comprometer a execução.

Esse movimento reforça a percepção de que a companhia atravessa uma fase de amadurecimento operacional. Mais do que crescer, a Embraer busca crescer com mais eficiência e previsibilidade.

Menor pressão de tarifas ajuda cenário

No campo tarifário, a leitura também melhorou. Segundo a administração, no regime atual apenas a Section 232 incide sobre partes não cobertas por isenções do setor aeronáutico.

Na prática, isso resulta em impacto muito limitado quando comparado ao regime anterior. Com isso, a companhia não espera efeitos relevantes no segundo semestre de 2026 sob as regras hoje em vigor.

Ainda assim, a Embraer segue monitorando a investigação em andamento sob a Section 301 envolvendo o Brasil. Embora esse risco permaneça no radar, ele não altera por ora a visão mais favorável apresentada pela companhia.

Ação segue com desconto

Na avaliação do Safra, a reunião reforçou a leitura de que a Embraer combina fundamentos operacionais em melhora com avaliação ainda descontada em relação a pares globais.

A ação negocia a múltiplo inferior ao de empresas comparáveis, mesmo diante de sinais mais consistentes de recuperação de margens, resiliência comercial e potencial de crescimento em diferentes frentes de negócio.

Por isso, o encontro com a administração consolidou uma percepção mais positiva sobre a companhia. O foco agora recai sobre a execução ao longo dos próximos trimestres, especialmente na evolução das margens, no ritmo de entregas e na capacidade de transformar o bom momento operacional em resultados mais fortes.


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