O Banco Safra avalia que o risco climático para o setor de infraestrutura aumentou de forma significativa após a última atualização do Climate Prediction Center, divulgada em 11 de junho. As projeções para o período entre março de 2026 e fevereiro de 2027 apontam uma elevação expressiva na probabilidade de ocorrência de um El Niño moderado a muito forte.
Para os intervalos de setembro a novembro e de outubro a dezembro de 2026, a chance de El Niño subiu para 98 por cento. O dado mais relevante foi o aumento da intensidade esperada. A categoria de evento muito forte teve a maior revisão e passou a concentrar 62 por cento de probabilidade no trimestre de outubro a dezembro, período considerado o mais sensível do ponto de vista hidrológico.
Impactos históricos reforçam alerta
Episódios históricos de El Niño moderado ou forte costumam reduzir a profundidade dos rios da região Norte em mais de 17 por cento. Em eventos classificados como muito fortes, as quedas podem superar 30 por cento.
Esse padrão aumenta o risco de disrupções logísticas, especialmente no fim de 2026, quando a vulnerabilidade hidrológica tende a ser maior. A leitura do banco é de que o cenário climático ganhou contornos mais disruptivos após a revisão das probabilidades.
Indicadores hidrológicos já mostram deterioração
Além das projeções climáticas, os indicadores hidrológicos recentes reforçam a preocupação. Em maio, os níveis dos rios recuaram 1,8 por cento na comparação anual e ficaram 2,5 por cento abaixo da média histórica.
As medições mais recentes mostram o rio Tapajós, em Itaituba, em nível próximo da média, enquanto o rio Amazonas, em Santarém e em outros trechos monitorados, apresenta níveis cerca de 3 por cento abaixo do histórico. A combinação de níveis já pressionados e maior probabilidade de El Niño eleva o risco de restrições de navegabilidade no Arco Norte.
Hidrovias do Brasil enfrenta cenário mais desafiador
Nesse contexto, o Safra manteve recomendação neutra para a Hidrovias do Brasil (HBSA3). O banco avalia que o aumento do risco hidrológico e a possibilidade de disrupções prolongadas limitam o potencial de valorização das ações no curto prazo.
Restrições operacionais nos corredores fluviais podem afetar volumes e eficiência, especialmente no quarto trimestre de 2026, período crítico para o escoamento de grãos.
Rumo pode se beneficiar do redirecionamento logístico
Por outro lado, o cenário é visto como positivo para a Rumo (RAIL3). Historicamente, dificuldades no Arco Norte levam ao redirecionamento dos fluxos de exportação para o Arco Sul, com destaque para o porto de Santos.
Caso o cenário de El Niño forte se confirme, o Safra avalia que a Rumo tende a capturar volumes adicionais e ganhos de preço no quarto trimestre de 2026. O aumento da demanda em um ambiente de maior restrição logística nos modais alternativos pode funcionar como um vetor relevante de crescimento para os resultados da companhia no fim do ano.