A Engie (EGIE3) reportou um EBITDA IFRS, incluindo equivalência patrimonial, de R$1.871 milhões (-4,5% ano contra ano), 4% acima da estimativa do Banco Safra, impulsionado por R$151 milhões de margens de construção contabilizadas sob o IFRS.
Ajustando o EBITDA para excluir a equivalência patrimonial e os impactos do IFRS, o resultado teria sido 7% abaixo da expectativa do Safra e 10% inferior ao consenso, refletindo desempenho mais fraco da área de Trading, pressão de custos gerenciáveis e impactos de restrições de geração.
O lucro líquido reportado foi de R$526 milhões (-41% ano contra ano), 22% abaixo das estimativas do Safra e 24% abaixo do consenso. A empresa anunciou dividendos referentes aos resultados do 1S25, com payout de 55% sobre o lucro ajustado, equivalente a um dividend yield de 2,2%, com ações negociando ex-dividendos em 22 de agosto.
Detalhamento dos resultados da Engie (EGIE3) do 2T25
A receita líquida (excluindo impactos do IFRS) caiu 6% ano contra ano e ficou 3% abaixo da estimativa do Safra, devido a:
- (i) preços médios de venda menores (-1,6% ano contra ano) na carteira (mix diferente de contratos);
- (ii) receitas menores do mercado spot, possivelmente impactadas por menor alocação;
- (iii) impactos de restrição de geração (corte de 14%); compensados por
- (iv) aumento de 4,8% ano contra ano nos volumes vendidos;
- (v) início das operações de Santo Agostinho, Serra do Assuruá e Asu Sol.
Os custos consolidados, excluindo construção e depreciação/amortização, caíram 4,2% ano contra ano e ficaram 3,5% abaixo da estimativa do Safra, devido a ganhos não recorrentes que somaram R$53 milhões.
Os custos foram pressionados por resultados piores no mercado spot (custos de compra de energia maiores que o esperado). As despesas PMSO aumentaram 21% ano contra ano e ficaram 5,5% acima da estimativa do Safra.
A equivalência patrimonial foi impulsionada pelos ganhos da TAG, que somaram R$199 milhões (+31% ano contra ano), 15% acima da estimativa do Safra. A frustração no lucro líquido foi explicada principalmente pelos efeitos mencionados e por resultados financeiros piores, refletindo juros mais altos, menor geração de caixa, impacto negativo de instrumentos de hedge e atividades de investimento ainda elevadas.
A alavancagem aumentou para 2,9x dívida líquida/EBITDA, ante 2,7x no 1T25. Neste trimestre, a Engie vendeu cerca de 26 MWa para o período de 2025–2030, com novas vendas concentradas em 2025 e 2028–2030.
Visão do Safra: Os resultados foram novamente prejudicados por restrições de geração e desempenho fraco da área de trading.
Os resultados operacionais ajustados foram negativamente impactados por trading e restrições, além de pressão sobre custos gerenciáveis.
O Safra destaca que a empresa vendeu energia principalmente concentrada no período de 2028–2030, sem orientação de preços. Assim, o Safra espera mais detalhes sobre possíveis tendências na atividade de trading durante a teleconferência.
O Safra mantém a recomendação Neutra para a Engie com base na avaliação, já que vê a empresa negociando com uma TIR real implícita de 8,4%, abaixo de seus pares.