As empresas de educação devem apresentar resultados sem grandes surpresas no segundo trimestre, com crescimento moderado de receita e margens estáveis. A principal exceção deve ser a Cogna (COGN3), beneficiada pelo calendário de vendas do Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD).
Crescimento segue limitado pela retração do ensino a distância
O segundo trimestre deve manter uma tendência já observada nos períodos anteriores: crescimento modesto para a maior parte das companhias do setor.
A principal razão continua sendo a redução das matrículas no ensino a distância, segmento que enfrenta impactos das mudanças regulatórias implementadas nos últimos anos.
Enquanto o ensino remoto segue em retração de dois dígitos, os cursos híbridos absorvem parte dessa demanda e o ensino presencial continua avançando em ritmo moderado.
Como consequência, o crescimento do número de alunos perde força e o aumento do ticket médio passa a ser o principal motor da receita.
Cursos de saúde ganham importância
O desempenho das companhias tem sido cada vez mais influenciado pela composição de seus portfólios.
Instituições com maior participação de cursos de medicina e outras graduações da área da saúde tendem a apresentar crescimento mais resiliente.
Além disso, a redução da concessão de descontos ajuda a sustentar os preços médios cobrados dos estudantes.
Segundo o Safra, as diferenças esperadas entre as empresas neste trimestre estão mais relacionadas à exposição a segmentos premium do que à execução operacional propriamente dita.
Cogna deve apresentar maior crescimento
A Cogna deve registrar o crescimento mais expressivo entre as companhias acompanhadas pelo Safra.
O desempenho será impulsionado principalmente pelo calendário do Programa Nacional do Livro e do Material Didático, responsável por concentrar receitas relevantes no segundo trimestre.
Apesar do avanço esperado da receita, o banco destaca que esse movimento não necessariamente representa uma melhora estrutural do negócio principal da companhia.
Além disso, a maior participação das receitas do PNLD tende a reduzir a margem operacional do período devido às características desse segmento.
Margens devem permanecer estáveis
No consolidado do setor, a expectativa é de estabilidade das margens em relação ao mesmo período do ano anterior.
A perda de alunos no ensino a distância continua pressionando a rentabilidade, já que essa modalidade tradicionalmente apresenta margens mais elevadas.
Por outro lado, fatores como normalização das despesas de marketing, melhora dos indicadores de inadimplência e programas de eficiência operacional ajudam a compensar parte desse efeito.
Entre as empresas analisadas, a Ânima (ANIM3) deve registrar a maior expansão de margem. A Yduqs (YDUQ3) tende a manter níveis semelhantes aos do ano anterior, enquanto a Vitru (VTRU3) pode apresentar leve retração.
Geração de caixa deve continuar pressionada
O segundo trimestre costuma ser o período mais fraco do ano para a geração de caixa das empresas de ensino superior.
Isso ocorre porque os principais recebimentos estão concentrados nos ciclos de captação de alunos, enquanto os custos operacionais permanecem distribuídos ao longo do semestre.
Por essa razão, o Safra espera fluxo de caixa livre negativo para a maior parte das companhias e aumento da dívida líquida na comparação trimestral.
A exceção deve ser a Cogna, beneficiada pelos recebimentos associados ao PNLD.
O que esperar de cada companhia
Para a Ânima, o Safra projeta resultados operacionais superiores ao consenso do mercado, com destaque para a expansão das margens.
Na Vitru, a expectativa também é ligeiramente mais otimista do que a média das projeções.
As estimativas para a Cogna permanecem alinhadas ao consenso, enquanto a visão para a Yduqs é mais conservadora, especialmente em relação ao lucro líquido.
Perspectivas
Na avaliação do Safra, o segundo trimestre representa uma pausa no ritmo de recuperação do setor, e não uma mudança de tendência.
As pressões sobre o ensino a distância continuam presentes, mas a evolução dos cursos presenciais, de medicina e de outros segmentos premium segue sustentando a resiliência das receitas.
Por isso, a preferência do banco permanece voltada para empresas com portfólios mais defensivos, maior exposição a cursos de maior valor agregado e trajetória consistente de redução do endividamento.