A EcoRodovias (ECOR3) apresentou um desempenho operacional sólido no segundo trimestre de 2026, com resultados próximos das expectativas do mercado e do Banco Safra.
O EBITDA ajustado alcançou R$ 1,35 bilhão, recuo de 1,1% na comparação anual. Apesar da queda reportada, a comparação foi impactada pelo encerramento da concessão Ecovias Sul em março de 2026.
Quando esse efeito é desconsiderado, o resultado operacional mostra uma trajetória mais positiva. Em bases comparáveis, o EBITDA cresceu 9% em relação ao mesmo período do ano passado e atingiu R$ 1,36 bilhão.
Na avaliação do Safra, o trimestre confirma a solidez operacional da companhia e reforça a capacidade de execução da administração.
Tráfego e tarifas impulsionam receitas
A receita bruta ajustada somou R$ 2,06 bilhões no trimestre.
O crescimento reportado foi limitado pelo fim da concessão Ecovias Sul. No entanto, excluindo esse impacto, a receita comparável avançou 9,7% na comparação anual.
O principal motor desse desempenho foi o crescimento das receitas de pedágio, que aumentaram 10,1%.
Entre os destaques estiveram a Ecovias Capixaba, a Ecovias Norte Minas, a Ecovias Minas Goiás e a Ecovias Imigrantes, todas com expansão relevante das receitas.
O tráfego comparável cresceu 3,2%, enquanto as tarifas médias avançaram 7%, superando a inflação acumulada de 4,6% no período.
Disciplina de custos preserva rentabilidade
Mesmo com a expansão do portfólio de concessões, a companhia manteve controle sobre os custos operacionais.
Os custos caixa cresceram 12,3% na comparação anual, movimento influenciado principalmente pelo Ecoporto e pela incorporação de novos ativos.
Contudo, ao excluir esses efeitos, os custos comparáveis avançaram apenas 4,7%, praticamente em linha com a inflação.
Segundo o Safra, esse desempenho evidencia a disciplina da gestão e a capacidade da empresa de preservar ganhos de escala mesmo durante um ciclo de expansão.
A margem EBITDA comparável recuou apenas 0,6 ponto percentual, encerrando o trimestre em 73,8%, nível ainda considerado elevado para o setor.
Resultado financeiro segue como principal pressão
Apesar do bom desempenho operacional, o resultado final continuou pressionado pelo aumento das despesas financeiras.
O lucro líquido ajustado atingiu R$ 52,9 milhões, resultado 22,9% acima da projeção do Safra, mas significativamente inferior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
As despesas financeiras líquidas cresceram 31% e alcançaram R$ 804,6 milhões.
O aumento foi provocado principalmente pelo maior volume de dívida e pela elevação da correção monetária sobre debêntures, influenciada pela inflação mais elevada no período.
As despesas com juros sobre debêntures também registraram crescimento relevante na comparação anual.
Endividamento aumenta com expansão do portfólio
A dívida líquida da Ecorodovias encerrou o trimestre em R$ 23,48 bilhões, alta de 18,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Como consequência, o indicador de alavancagem medido pela relação entre dívida líquida e EBITDA passou de 3,9 vezes no primeiro trimestre para 4,1 vezes no segundo trimestre.
Embora o avanço da alavancagem mereça acompanhamento, o Safra avalia que o movimento está relacionado ao ciclo de investimentos e à incorporação de novas concessões.
Avaliação segue atrativa
Na visão do Safra, os resultados confirmam a qualidade operacional da Ecorodovias, mesmo em um período marcado por mudanças relevantes no portfólio de ativos.
O crescimento das receitas comparáveis, o avanço do tráfego e a disciplina de custos demonstram que a companhia continua capturando ganhos operacionais em suas concessões.
Embora as despesas financeiras tenham limitado a evolução do lucro líquido, o banco entende que a relação entre risco e retorno permanece atrativa.
Nos níveis atuais de negociação, a ação oferece um retorno implícito considerado elevado em relação aos títulos públicos indexados à inflação, o que reforça o potencial de valor para investidores com horizonte de longo prazo.