A Ecorodovias (ECOR3) venceu, no dia 31, o leilão da concessão da Rota das Gerais ao oferecer desconto tarifário de 19,00%. O projeto abrange 735 quilômetros das rodovias BR-116 e BR-251 e conecta o norte de Minas Gerais à Bahia.
A concessão mira a modernização de um corredor logístico relevante para o transporte de cargas e passageiros. Além disso, deve elevar os níveis de segurança, ampliar a capacidade das vias e melhorar os serviços em uma região que recebeu baixo volume de investimentos ao longo dos anos.
A expectativa de crescimento do tráfego também contribui para a atratividade do ativo. A projeção indica expansão média anual de 2,1% no fluxo de veículos.
Empresa detalha fundamentos da proposta
Após o leilão, a Ecorodovias realizou uma teleconferência com investidores para explicar os principais pilares da proposta vencedora. Participaram da apresentação Giacomo Barnoni, diretor de novos negócios, Marcello Guidotti, presidente-executivo, e Andrea Fernandes, diretora financeira.
Segundo a administração, a companhia trabalha com taxa interna de retorno real alavancada de 18,7%. Esse patamar se apoia em três fatores centrais.
O primeiro é a estimativa de volumes de tráfego 8,1% acima das projeções do governo. O segundo é a previsão de custos operacionais 21% menores do que os parâmetros oficiais, refletindo sinergias com outros ativos do portfólio. O terceiro é a alavancagem de 90%, com custo da dívida estimado em 7,5%, diante da expectativa de financiamento parcial por BNDES e Banco do Nordeste.
Por outro lado, a companhia também considera um investimento total 2,0 bilhões de reais acima da estimativa inicial. Ainda assim, a empresa projeta valor presente líquido de cerca de 600 milhões de reais, considerando custo de capital próprio de 11%.
Projeto pode gerar valor adicional
A leitura do Safra é positiva para a Ecorodovias (ECOR3). A partir das premissas divulgadas pela companhia, mas com custo de capital próprio de 13,2%, o banco calcula valor presente líquido de 276 milhões de reais.
Esse montante equivale a 4,7% do valor de mercado atual da empresa. Além disso, a estimativa aponta taxa interna de retorno real alavancada de 18,3%.
O retorno projetado representa 1.064 pontos-base acima do título público indexado à inflação de dez anos e 507 pontos-base acima da taxa interna de retorno estimada para o portfólio consolidado da Ecorodovias.
Mudança em relação às projeções anteriores
Antes da divulgação das premissas da companhia, a estimativa do Safra apontava cenário bem menos favorável para o projeto. O banco trabalhava com taxa interna de retorno real alavancada de 9,4%, alavancagem de 80% e os parâmetros de investimento e custo operacional informados pelo governo.
Naquele cenário, o valor presente líquido estimado era negativo em 218 milhões de reais. Agora, com as novas informações, a percepção sobre a concessão mudou de forma relevante.
Impacto financeiro no grupo
Além do potencial de geração de valor, o projeto pode contribuir para a trajetória financeira da companhia. Segundo a Ecorodovias, a concessão tem potencial para reduzir a relação entre dívida líquida e Ebitda consolidado em média 0,3 vez até 2031.
Esse efeito reforça a avaliação de que o ativo pode combinar expansão operacional com disciplina financeira. Em um setor intensivo em capital, esse equilíbrio tende a ganhar peso na análise dos investidores.
O que a vitória representa para a ação
A conquista da Rota das Gerais reforça a estratégia da Ecorodovias de crescer em ativos com potencial de ganho operacional e financeiro. Mais do que ampliar presença em rodovias relevantes, a companhia sinaliza capacidade de capturar sinergias, estruturar financiamento competitivo e extrair retorno acima do inicialmente esperado.
Com isso, o resultado do leilão tende a sustentar uma leitura construtiva para a ação, especialmente após a revisão das premissas que transformou um cenário antes negativo em uma perspectiva de criação de valor.