O primeiro trimestre de 2026 deve mostrar um setor de e-commerce ainda pressionado por um ambiente mais competitivo e por custos mais elevados. Nesse contexto, o Mercado Livre (MELI) deve se destacar em crescimento dentro do setor acompanhado pelo Safra. Ainda assim, a companhia também deve registrar margem operacional menor na comparação com o mesmo período do ano anterior, diante do avanço de custos e despesas necessários para sustentar sua posição competitiva.
Ao mesmo tempo, e-commerce como a Magazine Luiza (MGLU3) e a Casas Bahia (BHIA3) devem apresentar expansão mais contida. Com isso, o ritmo de crescimento das receitas tende a não ser suficiente para evitar uma leve compressão das margens operacionais.
Magazine Luiza deve ter vendas estáveis e voltar ao prejuízo
O Safra projeta que a Magazine Luiza registre vendas de R$ 9,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026, número praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025, com alta de 1%.
O desempenho deve refletir dinâmicas distintas entre os canais. De um lado, as lojas físicas devem avançar 5% na comparação anual. De outro, esse movimento tende a ser quase totalmente compensado pela queda de 12% nas vendas de terceiros e pela estabilidade nas vendas próprias, em meio à continuidade da pressão sobre categorias como eletrônicos e eletrodomésticos.
Como resultado, a companhia deve enfrentar nova pressão de rentabilidade. A estimativa é de queda de 27 pontos-base na margem EBITDA em relação ao primeiro trimestre de 2025. Além disso, o Safra prevê prejuízo líquido de R$ 28 milhões, ante lucro líquido de R$ 11 milhões um ano antes. A piora deve decorrer principalmente do aumento das despesas financeiras em um ambiente de juros elevados.
Casas Bahia deve crescer pouco e seguir no vermelho
Para a Casas Bahia, a expectativa do Safra é de crescimento de 3% da receita líquida na comparação anual. O principal vetor positivo deve vir das vendas próprias, com avanço estimado de 25%, após alguns trimestres de ajustes no sortimento. Esse movimento também deve ser beneficiado pela parceria com o Mercado Livre.
Por outro lado, as vendas de terceiros devem ficar estáveis, enquanto as vendas nas lojas físicas tendem a cair 6%, pressionadas por uma base de comparação mais forte.
Esse mix menos favorável deve afetar a rentabilidade. A margem bruta da companhia deve recuar 32 pontos-base na comparação anual. Já a margem EBITDA deve cair 27 pontos-base, já que o crescimento mais lento da receita não deve compensar integralmente a mudança na composição das vendas.
No resultado final, o Safra estima prejuízo líquido de R$ 274 milhões no primeiro trimestre de 2026. Apesar do desempenho ainda negativo, o número representa melhora em relação ao prejuízo líquido de R$ 408 milhões registrado no primeiro trimestre de 2025. A redução da perda deve ser explicada pela melhora do resultado financeiro após a conversão de dívida em capital.
O que observar nos resultados do setor
Os números do primeiro trimestre devem reforçar uma mensagem importante para o investidor no setor de e-commerce. Em um ambiente mais disputado, crescer receita já não basta. O foco do mercado deve permanecer na capacidade de preservar margens, administrar despesas e sustentar geração de resultado em meio a juros ainda elevados.
Por isso, a temporada deve trazer sinais relevantes sobre o equilíbrio entre crescimento e rentabilidade no varejo digital. Para Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3), o desafio parece maior. Já para o Mercado Livre (MELI), a principal questão deve ser até que ponto o avanço mais forte das vendas conseguirá compensar a pressão crescente sobre as margens.