A Dexco (DXCO3) apresentou resultado positivo no segundo trimestre de 2026, com desempenho operacional acima das expectativas.
O EBITDA ajustado e recorrente somou R$ 547 milhões, valor 5% acima da estimativa do Safra, de R$ 520 milhões, e 2% acima do consenso de mercado.
A surpresa positiva veio principalmente dos segmentos de produtos de madeira e metais e louças sanitárias. Além disso, a divisão de revestimentos cerâmicos também superou a projeção do Safra e voltou ao campo positivo.
Na avaliação do Safra, o trimestre reforça a tração do processo de recuperação operacional da companhia.
Madeira lidera desempenho
O segmento de produtos de madeira foi o principal destaque da Dexco no trimestre.
A divisão registrou EBITDA de R$ 485 milhões, resultado 4% acima da estimativa do Safra.
O desempenho refletiu volumes e preços realizados acima do esperado, que compensaram o maior custo caixa por metro cúbico.
As vendas totais atingiram 792 mil metros cúbicos, volume 7% acima da projeção do Safra. O preço realizado ficou em R$ 1.983 por metro cúbico, em linha com a estimativa.
A margem EBITDA do segmento alcançou 30,9%, levemente abaixo da previsão do Safra, de 31,5%.
Deca ganha margem
A divisão de metais e louças sanitárias também apresentou melhora relevante.
O EBITDA recorrente somou R$ 56 milhões no segundo trimestre, resultado 26% acima da estimativa do Safra.
A margem EBITDA atingiu 11,8%, acima da projeção de 9,1%.
O avanço veio principalmente de preços realizados superiores ao esperado. Esse fator compensou volumes menores e custo caixa por unidade mais alto.
As vendas totais somaram 3,6 milhões de itens, 5% abaixo da estimativa do Safra. Já o preço realizado foi de R$ 130 por item, 2% acima da projeção.
Para os próximos trimestres, o Safra espera continuidade na melhora das margens, apoiada em reajustes de preços, melhor posicionamento de produtos, redução de custos fixos e ganhos de produtividade.
Revestimentos voltam ao positivo
A divisão de revestimentos cerâmicos também mostrou evolução.
O EBITDA recorrente atingiu R$ 6,7 milhões, acima da estimativa do Safra, de R$ 1,8 milhão.
A margem EBITDA ficou em 3,5%, contra projeção de 1,1%.
O desempenho foi impulsionado por volumes mais fortes e custo caixa por metro quadrado menor do que o esperado.
As vendas totais chegaram a 4,2 milhões de metros quadrados, volume 19% acima da estimativa do Safra. O preço realizado ficou em R$ 45 por metro quadrado, 5% abaixo da projeção.
Na avaliação do Safra, a divisão pode apresentar resultado próximo do equilíbrio ou levemente positivo no segundo semestre de 2026, sustentada por ajustes de capacidade, redução de custos e menores despesas com frete.
Celulose sente preços menores
A LD Celulose reportou EBITDA de R$ 339 milhões no segundo trimestre de 2026, com margem de 47,4%.
O resultado caiu em relação ao trimestre anterior, pressionado por preços mais fracos da celulose solúvel e efeitos cambiais.
Os volumes permaneceram amplamente estáveis no período.
Apesar da queda sequencial, a operação segue relevante para os resultados consolidados da Dexco.
Caixa segue positivo
A Dexco registrou fluxo de caixa livre recorrente de R$ 121 milhões no trimestre.
O valor ficou abaixo da estimativa do Safra, de R$ 137 milhões, devido a maiores investimentos e maior necessidade de capital de giro.
Esses fatores mais do que compensaram a redução de impostos pagos em caixa e o desempenho operacional mais forte.
Ainda assim, a geração de caixa foi considerada positiva e representou retorno anualizado próximo de 5%.
Alavancagem recua
A alavancagem líquida da Dexco, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA, caiu para 2,72 vezes no segundo trimestre.
No primeiro trimestre de 2026, o indicador estava em 2,99 vezes.
A melhora foi impulsionada pela redução da dívida líquida, que caiu para R$ 5,1 bilhões, ante R$ 5,3 bilhões no trimestre anterior.
A companhia também se beneficiou de vendas de ativos florestais, troca de madeira e maior EBITDA acumulado em 12 meses.
O que esperar da Dexco
O Safra mantém visão construtiva para a Dexco.
No segmento de madeira, a plena captura dos recentes aumentos de preços e a queda dos custos de insumos como ureia e metanol devem sustentar a expansão das margens.
Na Deca, a combinação de reajustes de preços, melhora do mix, redução de custos fixos e ganhos de produtividade pode manter a trajetória de recuperação, embora o cobre siga como fator de pressão e a demanda por louças sanitárias continue fraca.
Em revestimentos cerâmicos, o Safra espera melhora gradual no segundo semestre, com apoio de ajustes de capacidade e redução de custos.
Diante desse cenário, o balanço do segundo trimestre reforça a leitura positiva para Dexco, com melhora operacional, geração de caixa e avanço no processo de recuperação da companhia.