A Dexco (DXCO3) mantém como principal prioridade a redução da alavancagem financeira, ao mesmo tempo em que avança em iniciativas para recuperar margens e ampliar eficiência operacional. A avaliação surgiu após encontro do Safra com executivos da companhia, incluindo a diretora financeira Lucianna Raffaini e representantes da área de relações com investidores.
Entre os principais temas discutidos estiveram a expansão da comercialização florestal, o cenário para o negócio de painéis de madeira, a recuperação das operações da Deca e Revestimentos, além da estratégia para preservar disciplina de preços no varejo.
Dexco amplia monetização de ativos florestais
A companhia pretende expandir a comercialização de madeira para além do abastecimento interno. A estratégia busca monetizar o conhecimento em gestão florestal e gerar valor adicional com áreas próprias de terras e florestas.
Segundo a administração, a operação independente de comercialização florestal já gerou contribuição relevante para o EBITDA na última década.
A Dexco também pretende ampliar áreas arrendadas para capturar ganhos em relação às taxas de juros de mercado, preservando ao mesmo tempo o acesso à matéria-prima.
Outro foco envolve operações de swap de madeira ao longo da cadeia de suprimentos. O contrato anunciado recentemente deve adicionar cerca de R$ 50 milhões por trimestre ao EBITDA em 2026. Em 2027, o impacto pode alcançar R$ 117 milhões antes de retornar a patamares próximos de R$ 50 milhões em 2028.
Painéis devem ganhar fôlego com queda de custos
A Dexco segue como líder no mercado brasileiro de MDP, com participação entre 33% e 34%. No MDF, a companhia detém cerca de 20% do mercado.
Nos últimos meses, o segmento enfrentou pressão relevante de custos devido à alta global dos preços de ureia e metanol, impulsionada por tensões geopolíticas.
A resina, cujo principal insumo é a ureia, representa aproximadamente 20% dos custos de produção dos painéis de madeira.
A companhia trabalha com cerca de 45 dias de estoque de ureia. Por isso, a redução recente das cotações ainda deve demorar para aparecer integralmente no custo dos produtos vendidos.
Mesmo assim, a administração acredita em melhora gradual das margens ao longo dos próximos trimestres. O setor já anunciou reajustes de preços para compensar a inflação dos insumos, enquanto a dinâmica de oferta e demanda segue favorável para sustentar preços mais estáveis.
Deca busca recuperar rentabilidade
A Dexco mantém a meta de alcançar margem EBITDA próxima de 20% na Deca no longo prazo. No primeiro trimestre de 2026, o indicador ficou em torno de 9%.
A estratégia de recuperação envolve melhor posicionamento de produtos, redução de custos fixos e ganhos de produtividade por meio da automação industrial.
A companhia também pretende ampliar a participação de componentes terceirizados na operação de louças sanitárias. Atualmente, esse percentual gira em torno de 13%, mas a meta é atingir 20% até o fim do ano.
No longo prazo, a administração vê espaço para elevar essa participação para um intervalo entre 30% e 50% das vendas.
Esse movimento aumenta a exposição cambial da operação. Por isso, a empresa avalia reforçar a estratégia de proteção financeira contra oscilações do dólar.
Revestimentos deve atingir equilíbrio operacional
A divisão de Revestimentos segue em processo de reestruturação e deve atingir breakeven ou resultado levemente positivo no segundo semestre de 2026.
Para isso, a Dexco fechou unidades menos eficientes e concentrou a produção em fábricas mais modernas e próximas dos consumidores finais.
A medida deve reduzir custos fixos, despesas variáveis e gastos logísticos.
Apesar disso, a companhia reconhece que o ambiente competitivo segue desafiador devido à concorrência global e à pressão sobre a demanda do setor.
Casa Dexco ajuda a proteger margens
Em meio ao consumo mais fraco, a companhia aposta na expansão da rede Casa Dexco para preservar disciplina de preços e proteger margens.
A rede deve passar de 12 para 20 lojas até o fim de 2026. O crescimento ocorrerá por meio da conversão de lojas multimarcas em franquias, sem necessidade de investimento direto da companhia.
O modelo utiliza estoque centralizado e entrega direta ao consumidor em até dois dias, permitindo que as lojas operem sem estoque próprio.
Segundo a administração, esse formato reduz riscos de guerra de preços no varejo e evita canibalização entre canais de venda.
Redução da dívida segue como prioridade
A desalavancagem continua no centro da estratégia financeira da Dexco.
A dívida líquida caiu de R$ 5,5 bilhões para aproximadamente R$ 5 bilhões. A administração trabalha com o objetivo de reduzir esse valor para cerca de R$ 4 bilhões, considerado um patamar mais sustentável no atual cenário de juros elevados.
Hoje, as despesas financeiras da companhia somam cerca de R$ 800 milhões por ano.
Diante desse contexto, a Dexco não prevê novos projetos relevantes de expansão ou operações de fusões e aquisições até 2028.
A companhia também espera que a joint venture LD Celulose comece a distribuir dividendos em 2026. Inicialmente, o valor pode alcançar US$ 5 milhões, com potencial de crescimento nos próximos anos conforme a operação amplie a geração de caixa e reduza sua dívida líquida.