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Data centers no Brasil ganham tração com agenda regulatória e avanço da IA

J. Safra Data Centers Virtual Summit reúne governo e setor privado e reforça otimismo com aprovação do ReData e nova onda de investimentos em infraestrutura digital


Na semana passada, o Safra realizou o primeiro J. Safra Data Centers Virtual Summit. O encontro reuniu representantes da Associação Brasileira de Data Centers (ABDC), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços e da Terra Nova. O objetivo foi discutir gargalos e oportunidades do mercado de data centers no Brasil.

A principal mensagem do evento foi o otimismo com a continuidade das negociações do ReData. Mesmo após a expiração da Medida Provisória no Senado, o programa de incentivo tributário permanece como prioridade do governo federal. Um projeto de lei paralelo, com medidas equivalentes para reduzir custos de importação de servidores e equipamentos, segue em tramitação no Congresso.

Aprovação em 2026 é vista como estratégica

O principal entrave está no calendário eleitoral de 2026. A Lei de Diretrizes Orçamentárias impõe restrições a novas renúncias fiscais em ano de eleição. Ainda assim, interlocutores discutem um Projeto de Lei do Congresso Nacional específico, que poderia viabilizar a iniciativa.

Para o Safra, a aprovação do ReData em 2026 é crucial. O programa ajudaria a preencher o hiato de investimentos antes da entrada em vigor da reforma tributária mais ampla, prevista para 2027. Sem esse mecanismo, há risco de migração de projetos para outros países da América Latina.

ICMS pode aliviar custos no curto prazo

Como alternativa ao atraso do ReData, estados avaliam uma redução do ICMS sobre equipamentos de tecnologia da informação importados e componentes ligados à inteligência artificial. A discussão ocorre no âmbito do Conselho Nacional de Política Fazendária.

A decisão é esperada até o fim de março. Caso avance, a medida pode reduzir o CAPEX dos data centers em até 35%, quando combinada às isenções federais de PIS e Cofins. O ajuste tende a sustentar margens de operações de colocation e estimular a cadeia de Tecnologia da Informação e Comunicação.

Energia limpa reforça vantagem competitiva do Brasil

O custo da energia no Brasil não é o mais baixo da região. O país fica atrás do Paraguai, mas mantém tarifas mais competitivas que México e Chile. A principal vantagem está no perfil ambiental da matriz elétrica.

Mais de 80% da geração brasileira é renovável. A intensidade de carbono gira em torno de 0,35 kg por megawatt-hora, bem abaixo de mercados como os Estados Unidos. Esse diferencial ganha relevância diante das exigências ESG de hyperscalers globais e do crescimento do consumo energético associado à inteligência artificial.

Além disso, o Safra avalia que data centers voltados ao treinamento de IA podem se expandir no Nordeste. A região oferece ampla capacidade eólica e solar, adequada para racks de alta densidade, sem pressionar o sistema elétrico nacional. Já operações de inferência seguem concentradas no Sudeste, por questões de latência e conectividade.

IA redefine o CAPEX dos data centers

A disseminação da inteligência artificial altera profundamente a engenharia dos data centers. GPUs de alto desempenho demandam mais energia e elevam a densidade dos racks, que salta de uma média de 10 a 12 kW para até 60 kW.

Esse movimento exige sistemas avançados de resfriamento e reforço da infraestrutura elétrica. Como resultado, o retrofit de instalações antigas se torna caro e tecnicamente complexo. Durante o summit, especialistas indicaram que os equipamentos de processamento já representam entre 70% e 80% do CAPEX total dos projetos.

Sem incentivos tributários para esses componentes importados, a pressão sobre os retornos tende a crescer. Nesse contexto, o Safra reforça a importância de mecanismos como o ReData para manter a atratividade econômica de grandes campi de inteligência artificial no Brasil.


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