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Dasa supera no operacional, mas deixa lucro a desejar

Dasa entrega EBITDA acima do esperado no primeiro trimestre, mas lucro líquido decepciona com maior depreciação e despesas financeiras


O EBITDA consolidado da Dasa (DASA3) somou R$ 573 milhões no primeiro trimestre, alta suficiente para ficar 14% acima da estimativa do Safra. A margem avançou 2,7 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano anterior, para 25,8%.

Segundo a análise do Safra, a melhora foi disseminada entre os principais segmentos da companhia. O resultado refletiu o avanço da área de diagnósticos, a evolução do Hospital da Bahia e a recuperação da Rede Américas após os ruídos contábeis observados no fim de 2025.

Lucro líquido decepciona

Apesar da melhora operacional, o lucro líquido reportado foi de R$ 9 milhões, valor 76% abaixo da estimativa do Safra, que projetava R$ 38 milhões.

A diferença se explica, principalmente, por despesas maiores com depreciação e amortização, além de gastos financeiros acima do esperado. Parte dessa pressão veio da conclusão do processo de alocação do preço de compra na Rede Américas, o que elevou essa linha em R$ 57 milhões acima da projeção do banco.

Diagnósticos lideram o avanço

A divisão de diagnósticos apresentou um dos principais destaques do trimestre. A receita bruta atingiu R$ 2,198 bilhões, com crescimento de 15% na comparação anual. O avanço foi impulsionado pelo aumento de 15% no volume de exames, com destaque para o segmento entre empresas, que cresceu 20%.

A receita líquida somou R$ 2,037 bilhões, alta de 16% em um ano. Já a margem bruta ajustada alcançou 38,7%, com ganho de 0,5 ponto percentual. O resultado refletiu ganhos de produtividade e melhor uso da capacidade instalada.

Ao mesmo tempo, a companhia seguiu com o fechamento planejado de unidades de menor desempenho e priorizou ativos com maior potencial. Com isso, o número de unidades de atendimento caiu de 849 para 838 em 12 meses.

Hospital da Bahia ganha tração

Na frente de hospitais e oncologia, a receita bruta ficou em R$ 203 milhões, com alta de 2% na comparação anual. O principal destaque veio do Hospital da Bahia, que cresceu 17% no período.

A taxa de ocupação da unidade chegou a 82,4%, com avanço expressivo em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. Além disso, os dias de internação subiram 10% e o ticket médio avançou 7%.

A margem bruta ajustada do segmento ficou em 31,4%, com expansão de 3,2 pontos percentuais. Para o Safra, o desempenho mostra ganho de tração operacional do ativo.

Rede Américas se recupera

A Rede Américas também mostrou recuperação no trimestre. A receita líquida atingiu R$ 3,081 bilhões, enquanto a margem bruta voltou para 17,9%, após o impacto extraordinário registrado no quarto trimestre de 2025.

O EBITDA da operação foi de R$ 438 milhões, com margem de 14,2%. Já o lucro líquido da Rede Américas somou R$ 38 milhões. Desse total, a Dasa reconheceu R$ 19 milhões via equivalência patrimonial.

A melhora reforça a leitura de normalização operacional após os ajustes contábeis que haviam afetado o desempenho no trimestre anterior.

Alavancagem sobe no trimestre

O fluxo de caixa do acionista ficou negativo em R$ 148 milhões no primeiro trimestre de 2026. Nesse número, está incluído o efeito de R$ 48 milhões relacionado ao acordo entre Amil e Ímpar.

Com isso, a dívida líquida, já considerando contas a pagar de aquisições, subiu 4% em relação ao trimestre anterior, para R$ 5,646 bilhões. A alavancagem passou de 2,67 vezes para 2,99 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses.

Ainda assim, o índice de covenant ficou em 2,88 vezes pela nova metodologia adotada no trimestre, portanto abaixo do limite de 4 vezes.

O que muda para a tese da ação

Na visão do Safra, o balanço da Dasa trouxe uma mensagem mista. De um lado, o resultado operacional foi melhor do que o esperado, com avanço consistente de margem e melhora em diferentes divisões. De outro, a pressão de itens abaixo da linha operacional limitou a conversão desse desempenho em lucro líquido.

Mesmo assim, o banco mantém recomendação de compra para a ação. A leitura é que a recuperação operacional segue em curso e pode ganhar mais consistência ao longo dos próximos trimestres, desde que a companhia avance no controle da alavancagem e na melhora da geração de caixa.

Leitura do trimestre

O primeiro trimestre de 2026 mostrou que a Dasa conseguiu acelerar sua recuperação operacional. Diagnósticos entregaram expansão forte, o Hospital da Bahia avançou e a Rede Américas voltou a mostrar melhora de margem.

Por outro lado, a pressão de depreciação, amortização e despesas financeiras ainda pesa sobre o lucro final. Assim, o trimestre reforça sinais positivos na operação, mas indica que a companhia ainda precisa transformar essa melhora em resultado líquido mais robusto.


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