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Dasa tem avanço operacional e tem recomendação de compra

A Dasa (DASA3) mostrou melhora operacional com avanço de margens e redução da dívida líquida, mas a receita de diagnósticos abaixo do esperado e efeitos não recorrentes pressionaram o lucro


A Dasa (DASA3) encerrou o quarto trimestre de 2025 com sinais mais claros de avanço operacional, embora os números finais tenham vindo abaixo das expectativas do mercado. O desempenho recorrente evoluiu na comparação anual, mas a receita mais fraca em diagnósticos e os impactos de itens não recorrentes limitaram a leitura positiva do balanço.

O EBITDA recorrente somou R$ 397 milhões, alta de 21% em relação ao mesmo período do ano anterior. Ainda assim, o indicador ficou 31% abaixo da estimativa do Safra e 20% inferior ao consenso. A principal frustração veio da divisão de diagnósticos, que registrou preço médio por exame abaixo do esperado e pressionou o resultado consolidado.

No lucro líquido, o trimestre foi ainda mais ruidoso. A companhia reportou prejuízo líquido de R$ 948 milhões, influenciado por desinvestimentos e mudanças de políticas contábeis.

Sem esses efeitos, o prejuízo teria sido de R$ 679 milhões. Mesmo assim, a visão sobre a tese permanece apoiada na melhora operacional recorrente e na trajetória de desalavancagem.

Diagnósticos perdem força na receita

A divisão de diagnósticos apresentou crescimento de volume, mas o avanço da Dasa não se traduziu em receita na mesma intensidade. O número de exames subiu 16% na comparação anual. Por outro lado, o preço médio por teste caiu 2%, o que levou a receita líquida a R$ 1,828 bilhão, alta de 3% em um ano.

O resultado ficou 9% abaixo da projeção do Safra, principalmente porque o preço por exame veio 13% inferior ao esperado. Ainda assim, houve sinais construtivos dentro da operação. As atividades recorrentes no mercado doméstico cresceram 13% na comparação anual.

A margem bruta ajustada das operações domésticas ficou em 32,4%. O número representa avanço de 50 pontos-base em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, sustentado por maior volume de vendas e ganhos de produtividade ligados ao programa de excelência operacional.

Hospitais e oncologia mostram reação

A área de hospitais e oncologia entregou um trimestre mais forte. Em base pro forma, a receita líquida atingiu R$ 442 milhões, com crescimento de 27% na comparação anual e resultado 3% acima da estimativa do Safra.

A operação contou com 448 leitos operacionais, abaixo dos 494 registrados um ano antes. Ainda assim, a taxa de ocupação subiu de forma relevante e alcançou 84,9%. O ticket médio também avançou 14% na comparação anual.

Em oncologia, a receita cresceu 17% e ajudou a sustentar margem bruta ajustada de 35,9%. Esse desempenho reforça uma tendência de melhora operacional em áreas mais rentáveis do portfólio.

Rede Américas amplia ruído no trimestre

A Rede Américas teve receita líquida de R$ 3,4 bilhões e margem bruta de 8,9%. O trimestre, porém, foi impactado por um ajuste sem efeito caixa de R$ 199 milhões ligado à harmonização de práticas contábeis.

Sem esse impacto, o EBITDA da operação teria alcançado R$ 368 milhões, com margem de 12,2%. Ainda assim, o resultado final foi negativo, com prejuízo líquido de R$ 204 milhões.

Para a Dasa, a equivalência patrimonial da Rede Américas ficou negativa em R$ 101 milhões no trimestre. No período anterior, essa linha havia contribuído positivamente em R$ 62 milhões. Com isso, a operação elevou a volatilidade dos números consolidados.

Despesas caem e alavancagem segue em queda

No consolidado, a margem bruta ficou em 28,4%, com avanço de 530 pontos-base em relação ao mesmo período de 2024. O desempenho refletiu a melhora do lucro bruto nas divisões de hospitais e diagnósticos. Ainda assim, o indicador ficou abaixo da projeção do Safra.

As despesas com vendas, gerais e administrativas caíram 3% na comparação anual, desconsiderando efeitos de desconsolidação. O movimento reflete revisões de processos e ajustes organizacionais, o que ajuda a sustentar a recuperação de rentabilidade.

O EBITDA reportado foi de R$ 111 milhões, pressionado por R$ 101 milhões em equivalência patrimonial e por cerca de R$ 400 milhões em perdas ligadas ao desinvestimento da HSD. Ajustado por esses efeitos, o EBITDA chegou a R$ 397 milhões.

As despesas financeiras líquidas recuaram 50% em um ano, acompanhando a redução da dívida líquida. Já o imposto de renda teve peso relevante no trimestre, com despesa de R$ 230 milhões relacionada ao reconhecimento de tributos diferidos associados a impairments e reestruturações.

Geração de caixa perde força, mas tese continua positiva

A dívida líquida caiu para R$ 5,416 bilhões, ante R$ 6,657 bilhões no terceiro trimestre de 2025. A alavancagem para fins de covenant ficou em 2,54 vezes, em linha com o guidance de fim de ano da companhia. Pela métrica de dívida líquida sobre EBITDA, o indicador ficou em 2,67 vezes, levemente acima do trimestre anterior.

O fluxo de caixa operacional somou R$ 460 milhões, queda de 31% na comparação anual. Parte relevante desse movimento decorre de uma base de comparação mais forte no quarto trimestre de 2024, quando houve efeitos pontuais positivos em capital de giro. Excluindo esse fator, a retração teria sido de 8%.

Após investimentos de R$ 109 milhões e pagamento de R$ 470 milhões em juros, o fluxo de caixa livre ficou em R$ 119 milhões. Embora o trimestre tenha mostrado geração de caixa mais pressionada, a desalavancagem segue como um dos principais pontos de sustentação da tese.

O que sustenta a visão positiva para a ação

O quarto trimestre de 2025 da Dasa trouxe uma combinação de melhora operacional e forte ruído contábil. A receita mais fraca em diagnósticos e os efeitos extraordinários comprometeram a leitura do lucro no curto prazo. Por outro lado, a evolução de margens, o controle de despesas e a redução da dívida reforçam uma tendência mais favorável para os próximos trimestres.

Nesse contexto, o Safra mantém recomendação de compra para Dasa (DASA3). A avaliação considera a continuidade da recuperação operacional recorrente e o avanço do processo de desalavancagem, mesmo em um trimestre marcado por números voláteis.


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