Os dados de maio divulgados pelo Instituto Aço Brasil reforçam um cenário mais favorável para os produtores de aços planos no mercado doméstico. As vendas internas cresceram 1% na comparação anual, mesmo diante de uma queda expressiva de 14% no consumo aparente.
Esse desempenho se explica, sobretudo, pela forte retração das importações de laminados planos, que recuaram 57% em relação a maio do ano anterior. Além disso, tanto as vendas domésticas quanto as exportações de aços planos avançaram no período, ajudando a compensar a fraqueza da demanda final.
Aço longo segue sob maior pressão
O ambiente para os aços longos permaneceu mais desafiador em maio. As vendas domésticas e as exportações desse segmento recuaram na comparação anual, refletindo um consumo ainda fraco e menor dinamismo em setores intensivos em vergalhão e produtos relacionados.
Mesmo com a redução das importações de aços longos, o ajuste da demanda interna segue incompleto. O consumo aparente caiu, o que limita a capacidade das siderúrgicas de repassar preços de forma mais consistente.
Utilização de capacidade melhora no mês
Apesar do quadro misto, houve um sinal positivo do lado operacional. A utilização de capacidade de aço bruto aumentou 2,2 pontos percentuais em relação a abril, alcançando 65,2%. O avanço indica um ajuste gradual da oferta, ainda que em um ambiente de demanda contida.
O movimento reforça a leitura de que o setor atravessa uma fase de normalização, com maior seletividade entre produtos e mercados.
Preços domésticos têm espaço, mas enfrentam limites
A análise de paridade de importação sugere que os produtores de aços longos contam, em tese, com mais espaço para anunciar reajustes de preços do que os fabricantes de bobinas laminadas a quente. Considerando um prêmio justo entre 5% e 10%, o vergalhão aparece em posição relativamente mais confortável.
Segundo a Platts, os preços domésticos de bobinas laminadas a quente acumulam alta de 9% no ano, enquanto os preços do vergalhão avançaram 8%. À frente, a expectativa de definição de medidas antidumping, somada ao aumento de tarifas de importação para determinados códigos, tende a favorecer um mercado mais equilibrado em 2026.
Esse cenário pode abrir espaço para maior disciplina de preços, à medida que a cadeia ajusta níveis de estoques. Para bobinas laminadas a quente, no entanto, uma decisão semelhante é esperada apenas no fim de 2026.
Consumo fraco ainda preocupa
Apesar dos avanços do lado da oferta, o consumo segue como o principal ponto de atenção. Em maio, o consumo de aços planos caiu 18% na comparação anual, enquanto o de aços longos recuou 8%.
Além disso, a perspectiva de menor número de dias úteis em 2026 e a atividade econômica mais moderada podem limitar o potencial de alta dos preços domésticos. Esse fator tende a gerar frustração nas expectativas de parte dos investidores, mesmo em um ambiente de menor pressão de importações.
Principais destaques
Entre os pontos positivos do mês, destacam-se a forte queda das importações de aços planos, o crescimento das exportações desse segmento, a alta das vendas domésticas de laminados planos e o aumento da utilização de capacidade. Pelo lado negativo, o recuo do consumo, a queda das vendas domésticas de aços longos e a redução das exportações desse segmento reforçam que a recuperação da demanda ainda ocorre de forma lenta e desigual.