A Cury (CURY3) registrou receita líquida de R$ 1,69 bilhão no segundo trimestre de 2026. O valor representa alta de 26% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou 2% acima da estimativa do Banco Safra.
O crescimento refletiu principalmente o forte ritmo de vendas registrado pela companhia nos últimos trimestres. A relação entre vendas e imóveis disponíveis alcançou 72% nos 12 meses encerrados no segundo trimestre, segundo a prévia operacional da empresa.
O indicador mostra a velocidade de comercialização dos empreendimentos da Cury e reforça a demanda pelos imóveis ofertados pela companhia.
Margem bruta avança
A margem bruta ajustada aumentou 0,5 ponto percentual na comparação trimestral, para 39,8%. O indicador ficou 0,3 ponto percentual acima da projeção do Safra e permaneceu estável em relação ao segundo trimestre de 2025.
A margem bruta da carteira de recebíveis também apresentou evolução. O indicador alcançou 43,5%, alta de 0,6 ponto percentual na comparação trimestral e de 0,1 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano anterior.
Para o Safra, o avanço da margem refletiu o maior foco da Cury em preços, em um cenário de preocupações com a inflação. A melhora, no entanto, foi parcialmente compensada por despesas comerciais maiores do que o esperado.
Resultado operacional
O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado da Cury alcançou R$ 392 milhões no segundo trimestre de 2026. O resultado representa crescimento de 20% em um ano e ficou 3% acima da estimativa do Safra.
A margem operacional ajustada foi de 22,9%, queda de 1,1 ponto percentual na comparação anual e 0,2 ponto percentual abaixo da projeção do banco.
As despesas comerciais ficaram 11% acima do esperado. Com isso, a relação entre despesas de vendas, gerais e administrativas e receita líquida subiu para 14,5%, aumento de 0,5 ponto percentual em relação à estimativa do Safra.
O avanço das despesas reduziu parte do ganho de eficiência operacional da Cury. Ainda assim, o crescimento da receita e a manutenção de margens elevadas sustentaram a expansão do resultado.
Lucro líquido
O lucro líquido da Cury somou R$ 270 milhões no segundo trimestre de 2026. O valor representa alta de 14% em relação ao mesmo período do ano anterior e ficou em linha com a estimativa do Safra.
A margem líquida foi de 16%, queda de 1,5 ponto percentual na comparação anual. O retorno anualizado sobre o patrimônio líquido ficou em 65%, recuo de 5,8 pontos percentuais em um ano.
O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 22 milhões, acima da perda de R$ 14 milhões projetada pelo Safra. Esse efeito reduziu parte do impacto positivo da melhora da margem bruta.
Geração de caixa
A Cury gerou R$ 145 milhões em caixa no trimestre, resultado já divulgado pela companhia.
Ao final de junho, a relação entre caixa líquido e patrimônio líquido ficou em 14%. O indicador melhorou 7 pontos percentuais na comparação trimestral e permaneceu estável em relação ao segundo trimestre de 2025.
A geração de caixa continua entre os principais pontos positivos da Cury, segundo a análise do Safra. A capacidade de converter resultados em caixa também ajuda a sustentar a distribuição de proventos aos acionistas.
Dividendos aprovados
A Cury aprovou o pagamento de dividendos adicionais de R$ 190 milhões. A distribuição representa retorno estimado de 2% sobre o valor das ações.
Considerando as projeções até o fim de 2027, o Safra estima um retorno adicional em dividendos de 17% para os acionistas da Cury.
Visão do Safra
Para o Safra, os resultados da Cury vieram em linha com as expectativas. A surpresa positiva na margem bruta foi parcialmente compensada pelas maiores despesas comerciais e pelo resultado financeiro mais fraco.
O banco avalia que a expansão da margem da carteira de recebíveis pode sustentar níveis elevados de rentabilidade nos próximos trimestres.
O Safra reitera a recomendação de compra para as ações da Cury. A avaliação considera a expectativa de que a companhia continue entre os principais destaques do setor, com forte geração de caixa e níveis atrativos de rentabilidade.
As ações são negociadas a aproximadamente 6,4 vezes o lucro projetado. Para o Safra, esse patamar representa uma avaliação atrativa diante das perspectivas operacionais e do potencial de distribuição de dividendos.