A construtora Cury (CURY3) registrou receita líquida de R$ 1,61 bilhão no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior. O número ficou 4% acima da estimativa do Banco Safra.
O desempenho reflete, sobretudo, o forte ritmo de vendas registrado pela companhia nos últimos trimestres. Esse avanço sustentou a expansão da receita e reforçou a consistência operacional da incorporadora no início do ano.
Margem bruta recua, mas segue em nível saudável
A margem bruta ajustada da Cury ficou em 39,3% no trimestre. O resultado mostrou estabilidade na comparação anual, mas recuo de 1,3 ponto percentual frente ao trimestre anterior.
Segundo a análise do Safra, a queda ocorreu em meio a provisões mais conservadoras para inflação da construção. Ainda assim, a rentabilidade dos projetos permaneceu em patamar saudável. A margem do backlog encerrou o período em 42,9%, com leve recuo na comparação trimestral e anual.
Eficiência operacional impulsiona resultado
O principal destaque do trimestre veio da maior diluição das despesas gerais, administrativas e comerciais. Com despesas comerciais abaixo do esperado e avanço da alavancagem operacional, a relação entre essas despesas e a receita líquida caiu para 11,4%.
Como consequência, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado somou R$ 416 milhões, alta de 42% em um ano e 6% acima da estimativa do Safra. A margem nessa linha alcançou 25,5%, com ganho de 1,7 ponto percentual em 12 meses.
Lucro líquido supera projeções
O lucro líquido da Cury atingiu R$ 303 milhões no primeiro trimestre, com crescimento de 42% na comparação anual. O resultado ficou 6% acima da projeção do Safra.
A margem líquida chegou a 18,8%, enquanto o retorno anualizado sobre o patrimônio líquido alcançou 78%. Para o banco, o trimestre mostrou que a empresa conseguiu compensar integralmente a pressão sobre a margem bruta com mais eficiência operacional.
Geração de caixa e dividendos reforçam a leitura positiva
A Cury também apresentou geração de caixa de R$ 93 milhões no trimestre. Ao fim de março, a companhia mantinha uma posição saudável, com alavancagem de caixa líquido sobre patrimônio de 22%.
Além disso, a empresa anunciou o pagamento de R$ 160 milhões em dividendos, o que representa retorno de 1,7%.
O que sustenta a visão positiva para a ação
Na avaliação do Safra, a Cury divulgou números fortes e acima das estimativas em todas as principais linhas do balanço. Embora provisões mais conservadoras para inflação tenham pressionado a margem bruta, o efeito foi compensado pela maior eficiência nas despesas.
O banco mantém recomendação de compra para a ação. A leitura é que a recente queda dos papéis já incorporou boa parte dos riscos no cenário. Além disso, a companhia conta com um portfólio de recebíveis corrigidos pela inflação, fator que ajuda a reduzir o impacto de uma eventual alta dos custos de construção.
Outro ponto relevante é o nível de valuation. Segundo o Safra, a ação negocia a múltiplos atrativos, com potencial adicional de distribuição de dividendos até o fim de 2027.
Perspectiva segue favorável
A combinação de crescimento de receita, disciplina operacional, geração de caixa e pagamento de dividendos reforça a visão construtiva para a Cury.
Mesmo em um ambiente que ainda exige cautela com a inflação da construção, a companhia mostrou capacidade de preservar rentabilidade e entregar expansão de lucro. Para o Safra, o conjunto do resultado do primeiro trimestre sustenta uma tese positiva para a ação.