close

Abra sua conta

CSN avança na desalavancagem e mantém foco na redução da dívida

Companhia ganha tração na venda de ativos e melhora operacional, enquanto CSN Mineração segue pressionada pelo cenário do minério de ferro


O Banco Safra avalia que a trajetória de desalavancagem da CSN (CSNA3) ficou mais consistente nos últimos meses. Ainda assim, o banco manteve recomendação neutra para a companhia, diante da necessidade de execução concreta das iniciativas anunciadas e da elevada alavancagem financeira.

Desde a última atualização do Safra, as ações da CSN acumularam queda de cerca de 47%, enquanto o Ibovespa avançou aproximadamente 10% no mesmo período. Segundo o banco, o movimento refletiu a compressão dos múltiplos da companhia, pressionados pelo aumento dos spreads de crédito e pelo maior custo de rolagem da dívida.

Ao mesmo tempo, o Safra destaca que o plano de desinvestimentos ganhou tração, o cenário para o aço melhorou e o segmento de cimento segue apresentando desempenho sólido.

Venda de ativos ajuda percepção de risco

O Safra reduziu o preço-alvo da CSN para o fim de 2026 de R$ 11,30 para R$ 6,10 por ação. A revisão considera perspectivas mais fracas para mineração e logística, parcialmente compensadas pelo desempenho mais favorável das divisões de aço e cimento.

A dívida líquida da companhia atingiu R$ 40,5 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Com isso, a alavancagem chegou a 3,4 vezes a relação entre dívida líquida e EBITDA.

Na avaliação do banco, o segmento de cimento pode desempenhar papel importante na estratégia financeira da companhia. O Safra estima que o negócio tenha valor superior a R$ 10 bilhões, montante que poderia ajudar a cobrir vencimentos de dívida previstos entre 2026 e 2027.

Além disso, o banco vê espaço para monetização de participações em ativos logísticos, o que poderia destravar aproximadamente R$ 7 bilhões. Outro potencial reforço de caixa está relacionado ao processo judicial envolvendo a Ternium, com expectativa de recebimento entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões.

Aço e cimento compensam parte da fraqueza

O Safra avalia que o segmento de aço deve continuar apresentando desempenho relativo positivo. O banco também vê potencial de melhora adicional caso medidas antidumping para aço laminado a quente avancem até o fim de 2026.

Já a operação de cimento continua ajudando a compensar a fraqueza observada nas áreas de mineração e logística.

Mesmo com esses fatores, o Safra entende que ainda é cedo para uma recomendação mais otimista. A instituição afirma que o mercado precisa observar resultados concretos da execução do plano de desalavancagem.

CSN Mineração enfrenta pressão do minério de ferro

Para a CSN Mineração (CMIN3), o Safra manteve recomendação de venda e reduziu o preço-alvo para o fim de 2026 de R$ 5,80 para R$ 5,40 por ação.

As ações da mineradora recuaram desde a última revisão, acompanhando a queda dos preços do minério de ferro. Ainda assim, os papéis se recuperaram cerca de 34% desde as mínimas recentes, impulsionados pelo programa de recompra de ações.

Segundo o Safra, a companhia recomprou aproximadamente 37 milhões de ações, o equivalente a cerca de 9% do free float.

Apesar disso, o banco avalia que os fundamentos continuam desafiadores. A expectativa é de pressão adicional sobre os resultados diante dos preços mais fracos do minério de ferro e do aumento de custos, principalmente com diesel e frete marítimo.

O Safra projeta queda de aproximadamente 20% no EBITDA da companhia em 2026 na comparação anual.

Geração de caixa segue como preocupação

Na avaliação do banco, o valuation da CSN Mineração também limita espaço para valorização das ações.

O Safra calcula que o preço atual dos papéis embute um preço do minério de ferro de cerca de US$ 118 por tonelada, acima da estimativa do banco de US$ 99 por tonelada para 2027.

Além disso, a geração de caixa livre deve continuar pressionada com o avanço dos investimentos no projeto P15.

Outro fator de cautela envolve a percepção de que a CSN Mineração pode continuar apoiando as necessidades de liquidez da CSN, cenário que impede uma visão mais positiva para a companhia.

Projeções revisadas

O Safra reduziu sua projeção de EBITDA para a CSN entre 2026 e 2027 para R$ 22,5 bilhões, cerca de 2% abaixo das estimativas anteriores.

A revisão incorpora melhora nas expectativas para aço e cimento, mas considera desempenho mais fraco em mineração, logística e energia.

Para a CSN Mineração, o banco elevou as projeções de produção e vendas para 2026 e 2027. Ainda assim, custos mais elevados e premissas cambiais mais fortes continuam pressionando a rentabilidade esperada.

Principais riscos no radar

O Safra destaca quatro fatores principais de risco para as teses envolvendo CSN e CSN Mineração:

  1. Oscilações nos preços do minério de ferro e do aço.
  2. Mudanças no cronograma dos projetos de mineração.
  3. Alterações na estratégia de alocação de capital.
  4. Mudanças regulatórias, incluindo medidas antidumping e regras ambientais.

Abra sua conta