A CSN (CSNA3) e a CSN Mineração (CMIN3) divulgaram resultados operacionais melhores do que o esperado no primeiro trimestre de 2026. Ainda assim, a leitura do Safra para as duas companhias é levemente negativa, já que a geração de caixa continuou fraca e limitou a qualidade do resultado.
Na CSN, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado somou R$ 2,646 bilhões. O número ficou 3% acima da estimativa do Safra e 1% superior ao consenso de mercado. O desempenho foi puxado principalmente pelos segmentos de mineração, cimento e energia, que mais do que compensaram a fraqueza em logística e o resultado em linha no aço.
Na CSN Mineração, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado atingiu R$ 1,420 bilhão. O resultado ficou 2% acima da projeção do Safra e 3% acima do consenso. A surpresa positiva veio de preços realizados mais altos e custo caixa menor, mesmo com embarques abaixo do esperado.
Fluxo de caixa segue como principal ponto de atenção
Apesar do avanço operacional, o fluxo de caixa livre continuou sob pressão nas duas companhias. Na CSN, o fluxo de caixa livre comparável ficou negativo em R$ 1,459 bilhão, em linha com a estimativa do Safra. O principal fator de pressão foi o consumo de capital de giro, que mais do que anulou o efeito positivo do resultado operacional acima do esperado e dos investimentos menores no período.
Na CSN Mineração, o quadro foi mais fraco. O fluxo de caixa livre comparável ficou negativo em R$ 521 milhões, revertendo a geração positiva observada no trimestre anterior e vindo pior do que a projeção do Safra. O desempenho refletiu resultado operacional mais fraco do que o potencial do trimestre e consumo expressivo de capital de giro, em meio à redução de contas a pagar diante de menores compras de minério de terceiros.
Em outras palavras, os números mostram que o desempenho da operação melhorou, mas essa evolução ainda não se traduziu em geração de caixa mais robusta.
Alavancagem melhora na CSN e segue baixa na mineradora
A alavancagem da CSN recuou para 3,36 vezes a relação entre dívida líquida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização. No quarto trimestre de 2025, esse indicador estava em 3,47 vezes.
A melhora foi apoiada por lucro operacional acumulado em 12 meses um pouco maior, pré-pagamento de minério de ferro e efeito cambial positivo sobre a dívida. Já na CSN Mineração, a alavancagem permaneceu em nível baixo, em 0,11 vez. A dívida líquida caiu 6% na comparação trimestral, para R$ 683 milhões.
Aço mostra avanço com maior volume de vendas
O segmento de aço da CSN entregou lucro operacional de R$ 393 milhões no primeiro trimestre de 2026, em linha com a estimativa do Safra. Na comparação com o trimestre anterior, a melhora foi impulsionada por volumes maiores, sobretudo nas exportações.
As vendas totais alcançaram 1.116 mil toneladas, nível 12% acima da projeção do banco. Por outro lado, os preços no mercado doméstico ficaram abaixo do esperado, o que reduziu parte do efeito positivo do maior volume. Além disso, os custos continuaram pressionados.
A expectativa do Safra é de contribuição mais favorável desse segmento ao longo do ano, sustentada por preços melhores e pela sazonalidade. Ainda assim, a alta de custos de matérias-primas deve limitar parte desse avanço.
Mineração sustenta surpresa positiva no trimestre
A mineração foi o principal destaque positivo da divulgação. Na CSN Mineração, o lucro operacional de R$ 1,420 bilhão ficou acima da projeção do Safra por causa de preços realizados mais altos e custo caixa mais baixo.
As vendas somaram 9.636 mil toneladas, 3% abaixo do esperado. Ainda assim, o preço realizado superou ligeiramente a estimativa, enquanto o custo caixa ficou abaixo da projeção. Essa combinação ajudou a sustentar a margem do trimestre.
Para o segundo trimestre de 2026, a expectativa do Safra é de volumes maiores e preços realizados mais altos, o que pode favorecer uma nova melhora operacional da companhia.
Cimento reforça resultado acima do esperado
O segmento de cimento também contribuiu de forma relevante para o resultado consolidado da CSN. O lucro operacional alcançou R$ 393 milhões no primeiro trimestre, 3% acima da estimativa do Safra.
A margem operacional ficou em 31,2%, acima do esperado. O volume vendido veio em linha com as projeções, enquanto o preço realizado ficou levemente abaixo. Ainda assim, custos e despesas menores do que o previsto garantiram o desempenho superior.
Leitura é levemente negativa para as ações
Na avaliação do Safra, os números do primeiro trimestre de 2026 trouxeram um sinal misto para CSN e CSN Mineração. Por um lado, o resultado operacional mostrou resiliência e veio acima do esperado, com contribuição relevante de mineração, cimento e energia.
Por outro, a geração de caixa seguiu pressionada e limitou a qualidade da divulgação. Para o banco, esse continua sendo o principal ponto de atenção na tese de investimento, especialmente no caso da CSN, que ainda opera com alavancagem mais elevada.
Assim, a leitura final para o trimestre é levemente negativa para as duas companhias. O resultado operacional foi melhor, mas ainda falta uma evolução mais consistente do caixa para sustentar uma visão mais construtiva.