O monitor mensal de crédito imobiliário do Banco Safra mostra que os desembolsos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para habitação de baixa renda somaram 10 bilhões de reais em maio. O volume caiu 1% em relação a abril e 18% na comparação anual. No acumulado dos últimos doze meses, porém, alcançou 125,7 bilhões de reais, com alta de 3%.
Maio marcou o primeiro mês completo com os novos parâmetros do programa Minha Casa Minha Vida. O crédito para construtoras respondeu por cerca de 26% do total do crédito habitacional, acima do patamar observado em maio de 2025 e ligeiramente superior à média recente.
Faixa 4 perde fôlego apesar dos incentivos
O financiamento de imóveis usados via FGTS atingiu 1 bilhão de reais em maio. O número avançou na comparação mensal, mas recuou de forma relevante frente ao mesmo período do ano anterior. A participação no total do mês ficou em 10%.
Mesmo após ajustes na Faixa 4 do Minha Casa Minha Vida, como aumento do teto de preço e da renda elegível, as originações mensais recuaram para 1 bilhão de reais. No ano, o volume soma 5,1 bilhões de reais. Até maio, essa faixa representou 12% dos desembolsos totais do programa.
Novos ajustes no Minha Casa Minha Vida entram no radar
Com apenas 37% do orçamento anual do FGTS já executado, o debate sobre novos estímulos ganhou força. Considerando também os recursos do Fundo Social, a execução alcança cerca de 27% do total disponível.
O mercado trabalha com a possibilidade de redução de até um ponto percentual nas taxas de financiamento da Faixa 3, voltada a famílias com renda mensal de até cerca de 7 mil reais. Um movimento semelhante pode alcançar a Faixa 4. Parte dessas medidas pode avançar na reunião do Conselho Curador do FGTS marcada para 28 de julho.
Qualidade de crédito segue sob controle
O endividamento das famílias permanece elevado. O comprometimento de renda gira em torno de 42%, nível bem acima da média histórica. O crescimento acelerado do crédito consignado privado contribuiu para esse quadro.
Apesar disso, os indicadores de qualidade do crédito imobiliário seguem saudáveis na baixa renda. O índice de ativos estressados recuou desde 2020. A inadimplência inicial subiu no fim de 2024, mas já voltou a patamares próximos de 0,4% a 0,5% em abril.
Poupança melhora, mas ainda perde recursos
A poupança registrou entrada líquida de 2,3 bilhões de reais em maio, no segundo mês consecutivo de captação positiva. Ainda assim, o saldo dos últimos doze meses segue negativo em 53 bilhões de reais.
Pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo, as originações somaram 17 bilhões de reais em abril, o maior valor histórico para o mês. O avanço refletiu sobretudo o salto do crédito para construção, impulsionado pela Caixa Econômica Federal. Já o crédito não direcionado mostrou desempenho mais moderado, com leve crescimento no acumulado do ano.
O conjunto dos dados reforça a leitura de que o crédito imobiliário mantém resiliência, mesmo em um ambiente de renda pressionada e ajustes fiscais em discussão.