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Crédito mais restrito para veículos pressiona crescimento das locadoras

Avanço do financiamento para pessoas físicas em fevereiro não compensou a inadimplência elevada e as condições ainda duras de crédito, segundo leitura do Safra para o setor


O crédito automotivo seguiu em trajetória desafiadora em fevereiro de 2026 e manteve a pressão sobre o setor de locação de veículos. Dados divulgados pelo Banco Central do Brasil mostram que o volume de novos financiamentos para pessoas físicas cresceu 15,1% na comparação com o mesmo mês do ano anterior, para R$ 18,4 bilhões. Ainda assim, a inadimplência subiu e as condições de crédito continuaram restritivas.

Na avaliação do Safra, a leitura é levemente negativa para Localiza (RENT3) e Movida (MOVI3). Embora a expansão do crédito para consumidores ajude a sustentar parte da demanda, o nível ainda elevado de atrasos e o custo do financiamento seguem como obstáculos para uma melhora mais consistente do ambiente para as locadoras.

Financiamento de veículos avança entre pessoas físicas

O principal dado positivo de fevereiro veio do crédito para pessoas físicas. O volume de novos financiamentos de veículos avançou 15,1% em relação ao mesmo período de 2025 e alcançou R$ 18,4 bilhões.

Por outro lado, a inadimplência nessa linha subiu 0,30 ponto percentual ante janeiro, para 5,85%. Em relação a fevereiro do ano passado, a alta foi de 1,41 ponto percentual. Ao mesmo tempo, a taxa de juros do crédito para veículos recuou 0,44 ponto percentual no mês, para 27,3%, e caiu 1,86 ponto percentual em 12 meses.

Mesmo com a redução dos juros, o patamar ainda continua elevado. Por isso, o alívio foi insuficiente para mudar de forma relevante o quadro de restrição no mercado de crédito automotivo.

Empresas mostram piora no crédito para veículos

No segmento de pessoas jurídicas, o quadro foi mais fraco. O volume de novos financiamentos de veículos caiu 20% na comparação anual, para R$ 3,5 bilhões.

Além disso, a inadimplência avançou 0,65 ponto percentual frente a janeiro, para 4,5%. Em 12 meses, a alta foi de 1,76 ponto percentual. Já a taxa de juros subiu 0,23 ponto percentual no mês, para 19%, embora ainda permaneça 0,97 ponto percentual abaixo do nível de um ano antes.

Esse desempenho reforça a percepção de um ambiente de crédito menos favorável para empresas, o que também afeta a dinâmica operacional das locadoras.

Condições restritivas devem limitar renovação de frota

Para o Safra, o cenário de fevereiro pouco mudou em relação a janeiro. A aceleração do crédito para pessoas físicas foi contrabalançada pela inadimplência ainda alta, com atraso acima de 90 dias em 5,9%, ante 5,6% no mês anterior, e pelo custo ainda elevado do financiamento de veículos.

Como consequência, os especialistas do Safra seguem esperando condições restritivas de crédito nos próximos meses. Esse cenário tende a pressionar o ciclo de renovação de frota das locadoras, além de reduzir o potencial de crescimento no curto prazo.

O setor ainda enfrenta um ambiente que dificulta a expansão com mais velocidade, mesmo diante de alguma melhora pontual nos volumes financiados.

O que esperar para Localiza e Movida

Diante desse contexto, o Safra mantém recomendação neutra para Movida (MOVI3), com preço-alvo de R$ 11,30. Para Localiza (RENT3), a recomendação segue equivalente à compra, com preço-alvo de R$ 54,80.

A visão do banco reflete a diferença de posicionamento entre as companhias, mas também considera que ambas operam em um ambiente de crédito ainda apertado. Por isso, o desempenho do setor deve continuar bastante ligado à evolução da inadimplência, dos juros e da oferta de financiamento nos próximos meses.


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