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Credicorp tem resultado sólido, com melhora do crédito e avanço do Yape

Credicorp tem lucro sólido no início de 2026, com melhor qualidade de ativos, custo de risco menor e avanço do Yape


A Credicorp entregou um resultado sólido no primeiro trimestre de 2026. Na leitura do Safra, o desempenho veio em linha com as estimativas do banco, mas acima do consenso de mercado, com destaque para a melhora da qualidade dos ativos.

O principal ponto positivo foi o custo de risco consolidado, que caiu para 1,3% no trimestre. O indicador ficou abaixo da projeção do Safra e refletiu a melhora da dinâmica de crédito tanto no varejo quanto no atacado do Banco de Crédito del Perú, o BCP.

No trimestre, o custo de risco do BCP recuou para 0,8%, em nível confortável e abaixo da faixa de projeção da própria companhia para 2026. Para o Safra, se essa tendência continuar, cresce a chance de revisão para baixo dessa estimativa, o que pode abrir espaço para revisões positivas de lucro ao longo do ano.

Lucro cresce e rentabilidade segue forte

A Credicorp reportou lucro líquido gerencial de 2,063 bilhões de soles peruanos no primeiro trimestre de 2026. O resultado avançou 30% em relação ao trimestre anterior e 16% na comparação anual, com retorno sobre o patrimônio líquido de 21,1%.

A margem financeira total somou 3,963 bilhões de soles peruanos, com alta trimestral e anual, embora tenha ficado ligeiramente abaixo da estimativa do Safra. Por outro lado, as provisões líquidas vieram bem menores do que o esperado, o que compensou essa diferença e sustentou a leitura positiva do trimestre.

As despesas operacionais recuaram em relação ao trimestre anterior, embora tenham crescido na comparação com um ano antes. Ainda assim, ficaram abaixo da projeção do banco. Com isso, o lucro antes dos impostos permaneceu em linha com a expectativa do Safra.

Yape amplia monetização e melhora rentabilidade

Outro destaque do trimestre veio do Yape, plataforma digital da Credicorp, que continuou a ganhar relevância dentro da operação. A fintech avançou em usuários ativos mensais, monetização e rentabilidade, ao mesmo tempo em que acelerou o ritmo de concessão de crédito.

A receita mensal por usuário ativo subiu para 10,3 soles peruanos, enquanto a despesa mensal por usuário caiu para 5,9 soles peruanos. Como resultado, a diferença entre receita e custo por cliente aumentou para 5,4 soles peruanos, reforçando a alavancagem operacional da plataforma.

Além disso, o negócio de crédito do Yape ampliou o número de clientes atendidos no trimestre. Na avaliação do Safra, a operação segue em trajetória compatível com a meta indicada pela administração para os próximos anos.

Hoje, o Yape já representa 8% das receitas ajustadas ao risco da Credicorp (BAP), acima do nível observado nos trimestres anteriores. Esse avanço aproxima a plataforma da meta de 10% definida pela gestão para o portfólio de inovação.

Carteira cresce e inadimplência recua

No balanço, a carteira de crédito da Credicorp cresceu 1,7% em relação ao trimestre anterior e 8% na comparação anual. O avanço foi puxado principalmente pelo crédito ao consumo, seguido por cartões de crédito e pela operação do Mibanco.

Ao mesmo tempo, os indicadores de inadimplência mostraram melhora. O índice de atrasos acima de 90 dias recuou 24 pontos-base no trimestre, movimento sustentado pela melhora tanto no varejo quanto no Mibanco.

Essa combinação entre expansão da carteira e controle da inadimplência reforça a leitura de que a companhia conseguiu manter crescimento sem deteriorar a qualidade dos ativos, um dos pontos centrais da tese positiva do Safra para o papel.

Capital recua, mas segue acima do nível interno

O índice de capital principal do BCP em operação isolada caiu para 11,3% no trimestre. O movimento refletiu, principalmente, o aumento dos ativos ponderados por risco e o pagamento de dividendos.

Ainda assim, o indicador permaneceu acima do nível de capital considerado adequado internamente pela companhia. Isso sugere que, apesar da queda, o banco segue operando com folga em relação ao seu próprio parâmetro de conforto.

Análise dos especialistas

Na visão do Safra, a Credicorp reforçou no primeiro trimestre de 2026 a tese de momento favorável de resultados. A companhia mostrou capacidade de crescer, manter a qualidade dos ativos sob controle e ampliar a contribuição de frentes de inovação, como o Yape.

Se o custo de risco continuar abaixo do guidance atual, o banco vê espaço para revisões positivas nas projeções de lucro, o que pode funcionar como gatilho adicional para a ação.

Por isso, o Safra reiterou recomendação de compra para Credicorp. Em resumo, a companhia começou 2026 com um trimestre forte, marcado por crédito saudável, rentabilidade elevada e maior diversificação das fontes de crescimento.


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