A Cosan (CSAN3) abriu 2026 com um resultado operacional um pouco melhor do que o esperado. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização ajustado sob gestão somou R$ 3,4 bilhões no primeiro trimestre, com alta de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior e desempenho 3% acima da estimativa do Safra.
Segundo o banco, o resultado refletiu principalmente o avanço de Rumo (RAIL3) e Compass (PASS3). Ao mesmo tempo, o desempenho mais fraco da Radar limitou parte desse ganho.
Na prática, a companhia mostrou resiliência nas operações, ainda que a estrutura financeira continue sendo o principal ponto de atenção para o mercado.
Rumo e Compass sustentam desempenho
Entre os ativos da holding, Rumo e Compass foram os principais vetores positivos do trimestre.
No caso da Compass, o resultado operacional chegou a R$ 1,329 bilhão, 4% acima da estimativa do Safra e 2% superior ao registrado um ano antes. O desempenho foi impulsionado por volumes maiores nos segmentos residencial e industrial, o que favoreceu o mix da operação, além da expansão contínua dos volumes conectados à rede da Edge.
De acordo com o Safra, ao ajustar o efeito de embarques antecipados da Edge, o crescimento da Compass teria sido ainda mais forte no trimestre.
Moove avança e reduz alavancagem
A Moove também apresentou evolução operacional, embora em ritmo mais moderado. O resultado operacional ajustado somou R$ 236 milhões, ligeiramente abaixo da estimativa do Safra, mas ainda acima do patamar de um ano antes.
O crescimento foi sustentado principalmente pelo avanço de volumes na América do Sul. Além disso, a geração de caixa e o recebimento final do seguro da planta do Rio de Janeiro ajudaram a reduzir a alavancagem da companhia.
Outro ponto destacado foi o ganho de participação de mercado no Brasil, o que reforça a leitura de melhora operacional nessa frente do portfólio.
Radar volta a pressionar o conjunto
Se Rumo, Compass e Moove ajudaram, a Radar voltou a pesar sobre o consolidado. A empresa reportou resultado operacional de R$ 103 milhões no trimestre, com queda de 27% na comparação anual.
O recuo refletiu a redução no preço do açúcar recuperável e nos preços da soja, o que afetou as receitas de arrendamento. Além disso, a base de comparação ficou mais difícil por causa do ganho obtido com a venda de uma propriedade no primeiro trimestre de 2025.
Assim, a Radar foi o principal contraponto negativo dentro do portfólio da Cosan no período.
Prejuízo segue elevado
Apesar do desempenho operacional um pouco melhor, a última linha do balanço continuou pressionada. A Cosan reportou prejuízo líquido de R$ 1,583 bilhão no primeiro trimestre.
O número ainda foi elevado, mas ficou melhor do que o prejuízo de R$ 1,788 bilhão registrado um ano antes. Na comparação anual, a melhora refletiu maior contribuição de equivalência patrimonial, com destaque para os efeitos positivos de Rumo e Moove, além da ausência da contribuição negativa da Raízen, que já havia sido baixada contabilmente.
Por outro lado, maiores despesas tributárias e piora do resultado financeiro impediram uma recuperação mais forte.
Resultado financeiro continua pesando
O resultado financeiro foi um dos principais fatores de pressão no trimestre. Segundo o Safra, esse desempenho refletiu a ausência do ganho de marcação a mercado observado no fim de 2025 sobre a posição em Vale, além dos custos ligados ao pré-pagamento de títulos no exterior.
Também pesaram no período os efeitos da estrutura preferencial da Cosan Dez e maiores despesas relacionadas ao contrato de retorno total lastreado em ações da Rumo.
Com isso, mesmo com melhora operacional em parte relevante do portfólio, a estrutura financeira ainda impediu uma recuperação mais clara do lucro.
Cobertura de juros cai, mas perspectiva melhora
A alavancagem e a cobertura de juros seguiram como os principais pontos de atenção. A dívida líquida corporativa expandida da Cosan encerrou o trimestre em R$ 11,5 bilhões, acima dos R$ 9,8 bilhões registrados no fim de 2025.
O movimento refletiu a queima de caixa no período, pressionada sobretudo por juros e outras despesas financeiras ligadas ao pré-pagamento de dívida.
Com isso, o índice de cobertura do serviço da dívida caiu de 0,9 vez para 0,4 vez nos últimos 12 meses. Ainda assim, o Safra vê perspectiva mais favorável para os próximos trimestres, já que a redução do endividamento deve diminuir os pagamentos líquidos de juros e melhorar esse indicador gradualmente.
Dívida fica mais longa, mas mais cara
O custo médio da dívida subiu no primeiro trimestre, passando para uma taxa equivalente ao certificado de depósito interbancário mais 1,15%. Ao mesmo tempo, o prazo médio da dívida aumentou para 6,1 anos.
Na leitura do Safra, esse movimento mostra que a companhia tem conseguido alongar o perfil de vencimentos, embora ainda conviva com custo financeiro elevado.
Por isso, o processo de desalavancagem segue como peça central para a recuperação da tese de investimento em Cosan (CSAN3).
Análise dos especialistas
Na avaliação do Safra, a Cosan segue atravessando um período desafiador, mas os sinais para os próximos trimestres começam a melhorar.
O trimestre mostrou avanço operacional em ativos importantes, como Rumo e Compass, enquanto a pressão financeira ainda dominou a leitura do lucro. Mesmo assim, a tendência de redução do endividamento pode aliviar a carga de juros e melhorar gradualmente os indicadores de cobertura.
Em resumo, a Cosan ainda carrega um balanço pressionado, mas o mercado já começa a olhar para o possível fim dessa fase mais difícil, desde que a desalavancagem avance como esperado.