O Banco Safra reiterou recomendação de compra para a Copel (CPLE3) e elevou o preço-alvo da ação para R$ 17,50 ao fim de 2026, ante R$ 17,20 anteriormente.
Segundo os especialistas, o novo valor implica potencial de valorização total de aproximadamente 18%, sustentado pela forte geração de caixa da companhia, pela estratégia de alocação de capital e pelo valuation considerado atrativo.
A ação da Copel negocia atualmente com taxa interna de retorno real próxima de 13%, acima da média dos pares do setor elétrico.
Além disso, o Safra projeta dividend yield médio de cerca de 7% nos próximos três anos.
Distribuidora e leilão de capacidade impulsionam projeções
A revisão das estimativas incorporou os resultados do primeiro trimestre de 2026, novas premissas macroeconômicas e os impactos da revisão tarifária aprovada para a distribuidora da companhia.
Segundo o Safra, o reajuste tarifário resultou em um EBITDA regulatório acima do esperado para o segmento de distribuição.
O banco também atualizou projeções para preços de energia no mercado de curto prazo, ganhos de modulação e os efeitos dos novos contratos conquistados no Leilão de Reserva de Capacidade de 2026.
Os contratos do leilão envolvem a ampliação da capacidade das usinas Segredo e Foz do Areia.
Na avaliação do Safra, os novos contratos devem adicionar mais de R$ 2 bilhões ao EBITDA da companhia entre 2030 e 2031.
Copel deve manter forte geração de caixa
O Safra segue com visão positiva para a capacidade de geração de caixa da Copel, cenário que deve permitir investimentos relevantes sem comprometer a distribuição de dividendos.
O banco projeta payout médio próximo de 90% entre 2026 e 2028.
Ao mesmo tempo, a companhia deve manter alavancagem próxima da meta definida pela administração, entre 2,7 vezes e 3,1 vezes dívida líquida sobre EBITDA.
Recentemente, a Copel anunciou parâmetros para sua estrutura ótima de capital, com alavancagem-alvo de 2,9 vezes, mas com flexibilidade para atingir até 3,2 vezes sem comprometer o balanço.
Segundo o Safra, a estratégia reforça o compromisso da empresa com retorno aos acionistas mesmo em um ambiente macroeconômico mais desafiador.
Prévia aponta crescimento operacional no segundo trimestre
Para o segundo trimestre de 2026, o Safra projeta EBITDA regulatório de R$ 1,65 bilhão, alta de 9,4% na comparação anual.
A estimativa considera o guidance operacional divulgado pela companhia, preços de energia observados no período e desempenho recente de custos.
Já o lucro líquido deve permanecer praticamente estável em relação ao mesmo trimestre do ano passado, em cerca de R$ 570 milhões.
Valuation segue atrativo
O preço-alvo do Safra para a Copel considera metodologia de fluxo de caixa descontado, com diferentes taxas de desconto para os segmentos de distribuição, geração e transmissão.
Mesmo após a valorização recente das ações, o banco avalia que o valuation continua atrativo diante do potencial de geração de caixa e dos ganhos esperados com os contratos de capacidade.
Entre os principais riscos para a tese de investimento, o Safra destaca preços de energia abaixo do esperado, piora na gestão de custos, decisões judiciais desfavoráveis e eventuais falhas na alocação de capital.