O Banco Safra atualizou sua recomendação para Copel (CPLE3) com preço-alvo de 12 meses em R$ 17,20 por ação, o que implica potencial de alta de 17% frente a cotações de referência e mantém a indicação de compra. A tese combina geração consistente de caixa, política de dividendos atrativa e um conjunto de vetores de crescimento.
A Copel apresenta exposição considerada favorável ao ciclo de preços de energia. Entre 2026 e 2028, cerca de 25% do balanço energético estará livre para comercialização, permitindo capturar níveis de preços mais elevados. O próximo leilão de capacidade de reserva também é visto pelo banco como uma via adicional de expansão.
Na avaliação do Banco Safra, a ação oferece uma taxa interna de retorno próxima de 10,6%, acima da média de pares do setor, estimada em cerca de 9%. O perfil de risco é considerado mais baixo pela diversificação do portfólio e pela disciplina financeira.
O banco calcula um dividend yield mínimo sustentável médio em torno de 7,2%, superior à média do setor, ao mesmo tempo em que o balanço preserva espaço para novas iniciativas de crescimento.
Atualizações do modelo
O modelo foi revisado para incorporar os números do 4T25, com desempenho considerado sólido na geração e menores provisões na distribuição, apesar de custos ligeiramente mais altos. A atualização incluiu preços spot coerentes com o cenário da CCEE e referências de plataformas que apontam preços médios próximos de R$ 350 por MWh em 2026.
As premissas operacionais passaram a considerar GSF de 0,85 em 2026 e curtailment médio de 20% no mesmo período. No longo prazo, a curva de preços foi ajustada e agora assume preço médio de cinco anos em torno de R$ 260 por MWh, ante cerca de R$ 190 por MWh anteriormente.
Na distribuição, a estimativa de RAB líquida para a revisão tarifária foi atualizada para R$ 17,9 bilhões. Somadas, as mudanças implicam alta aproximada de 5% nas projeções de EBITDA para 2026 a 2028.
Efeito nas estimativas
Com a revisão de premissas, a projeção de geração de caixa melhora tanto pelo novo patamar de preços quanto por ajustes operacionais. O Safra reforça que a combinação de margens na geração e ganhos de eficiência na distribuição sustenta o caso de investimento.
Curvas de preços e custo de expansão
O Safra recalibrou o modelo de custo nivelado de energia para refletir maior impacto de curtailment, novos parâmetros de capex por fonte e o retorno mínimo exigido para projetos. Com a composição das fontes no plano de expansão de longo prazo, o custo médio estimado ficou próximo de R$ 240 por MWh, próximo às referências de plataformas de energia.
Ainda assim, as curvas de curto prazo seguem mais pressionadas e apontam níveis ao redor de R$ 390 por MWh, o que mantém o ambiente atrativo para quem tem energia disponível para vender no mercado.
Valuation
O preço-alvo de 12 meses é baseado em um DCF por unidade de negócio. O Safra utiliza WACC de 11% para a distribuição e de 10% para geração e transmissão. No preço-alvo, Copel (CPLE3) negociaria em torno de 9,1 vezes EV/EBITDA.
A alavancagem estimada gira em torno de 2,5 vezes dívida líquida sobre EBITDA. Esse nível, combinado ao fluxo de caixa, sustenta um dividendo competitivo e a capacidade de perseguir oportunidades adicionais, como leilões de capacidade de reserva e ativos de transmissão.
Riscos
- Margens pressionadas por um quadro macroeconômico mais adverso, o que pode afetar volumes, inadimplência e custos operacionais.
- Maior volatilidade dos preços de energia no longo prazo, com impactos sobre resultados da unidade de geração.
- Distribuição de dividendos abaixo do esperado, caso haja necessidade de retenção de caixa ou mudança de política.
- Decisões desfavoráveis de alocação de capital em projetos ou aquisições.
O que observar na Copel
Atenção ao próximo leilão de capacidade de reserva, à evolução da revisão tarifária na distribuição, a eventuais movimentos em ativos de transmissão e ao andamento das curvas de preços e do GSF ao longo de 2026.