O Banco Safra apresentou novo preço-alvo de 12 meses de R$ 15,80 para a ação da Copel (CPLE3), o que implica um potencial de valorização total de 18% (25% incluindo dividendos de 2026), justificando a recomendação Outperform.
O dia 7 de novembro foi o último pregão das ações PNB da Copel, já que todas as ações PNB (CPLE6) serão convertidas em PNA a partir de 10 de novembro. A companhia agendou assembleia de acionistas para 17 de novembro a fim de aprovar a fase final do plano de migração para o Novo Mercado, sob o qual todos os acionistas de PN receberão uma ação ON e uma ação especial Classe C, que será resgatável obrigatoriamente (R$ 0,77 por ação).
Assim, o Banco Safra ajustou o modelo para considerar essa migração (sem diferença entre as estimativas de DPS para PN/ON, já que as PNs serão convertidas em ON) e refinando as projeções.
No conjunto, o Safra vê a avaliação ainda atrativa, implicando um IRR de ~11%, um dividend yield sustentável médio de ~7,5% e espaço para novas opções de crescimento (leilões de reserva, ativos de transmissão, entre outros).
Pequena mudança nas estimativas em CPLE3
O Banco Safra aproveitou para incorporar os volumes do 3T25 (melhor desempenho do segmento residencial), preços spot (segundo as recentes atualizações da CCEE, mais altos para 3T25 e 4T25 e menores, em média, em R$ 135/MWh para 2026), GSF (0,85 para 2026), o pagamento pelo resgate das ações Classe C (total de R$ 1,3 bi) e o payout necessário para atingir a meta de alavancagem de ~2,5x dívida líquida/EBITDA.
Também atualizou a premissa de restrição de geração (média de 20% no 4T25 e 15% em 2026). Essas mudanças combinadas implicam um aumento de 2,7% nas estimativas de EBITDA para 2025–2027.
Valuation da Ação da Copel
O preço-alvo de 12 meses baseado em DCF é de R$ 15,80/ação, utilizando WACC de 11% para a unidade de distribuição (DisCo) e 10% para geração e transmissão (G&T).
No preço-alvo, a ação negociaria a 9,1x EV/EBITDA. Atualmente, o papel é negociado a um IRR de 11%, mais atrativo que o dos pares (~9,5% em média no setor), especialmente devido ao baixo risco do portfólio.
O balanço patrimonial permite um bom rendimento de dividendos e fluxo de caixa mais forte que a média do setor (7,5% vs. 4%), e a alavancagem estimada de 2,5x dívida líquida/EBITDA ainda abre espaço para oportunidades de crescimento, limitando o potencial de queda, na visão do Safra.
Ação ainda oferece boa combinação entre dividendos e crescimento
A Copel possui exposição atrativa à alta dos preços de energia — cerca de 30% de seu balanço energético estará disponível para comercialização entre 2026–2028.
A nova estimativa do Safra para o custo marginal de expansão é de ~R$ 220/MWh, o que deve beneficiar sua área de geração (GenCo).
Além disso, o Safra vê o próximo leilão de reserva de capacidade oferecendo novas oportunidades para empresas hidrelétricas.
Por fim, há uma forte necessidade de reforço no segmento de transmissão (bem como na base de ativos das distribuidoras para mitigar impactos de geração distribuída), o que deve criar oportunidades orgânicas e inorgânicas.
No geral, o Safra vê a Copel pronta para iniciar uma nova fase de crescimento.
Riscos:
- (i) Margens menores devido a um cenário macro mais difícil (volumes, inadimplência e pressão de custos);
- (ii) Volatilidade devido aos preços de longo prazo na unidade de geração;
- (iii) Distribuição de dividendos abaixo do esperado; (iv) Decisões ruins de alocação de capital.