O EBITDA recorrente reportado da Copel (CPLE3) (ex-equivalência patrimonial) de R$ 1.358 milhões (+16% de crescimento anual) ficou em linha com as expectativas do Banco Safra e do consenso do mercado.
O EBITDA IFRS reportado de R$ 1.811 milhões foi 46% maior A/A, principalmente devido a vários impactos não recorrentes, dos quais o Banco Safra destaca os seguintes:
- (i) venda de ativos no 4T25 (R$ 132 milhões);
- (ii) ressarcimento por impactos de curtailment (R$ 266 milhões);
- (iii) ganhos da atualização financeira da base de ativos da DisCo (VNR, que atingiu R$ 89 milhões); e
- (iv) impacto negativo de R$ 26 milhões de contabilidade IFRS.
O lucro líquido reportado de R$ 1,067 bilhão (+82% A/A) ficou 86% acima da estimativa do Banco Safra (64% acima do consenso), refletindo os impactos positivos mencionados e uma alíquota efetiva menor, apesar do pior resultado financeiro e menor equivalência patrimonial.
Resultado da Copel (CPLE3) no 4T25
A receita (ex-linha de construção) cresceu 25% A/A (+21% vs. Safra), impulsionada principalmente por:
- (i) maiores receitas da unidade de trading e ganhos de modulação;
- (iii) consolidação da Mata de Santa Genebra e ajuste inflacionário no segmento TransCo;
- (iv) reajuste tarifário na DisCo;
- (v) ressarcimento por impactos de curtailment (R$ 266 milhões); parcialmente compensados por
- (vi) curtailment de 34% (acima da estimativa de 25%);
- (vii) volumes fracos na unidade DisCo (volumes totais estáveis A/A, com mercado cativo -4,9% A/A).
Os custos gerenciáveis consolidados (incluindo provisões e excluindo ganhos não recorrentes com venda de ativos) ficaram 4,1% acima da estimativa, refletindo custos de manutenção maiores do que o esperado.
As despesas PMSO na DisCo ficaram 12% acima do estimado e 20% maiores A/A, apesar da menor provisão de inadimplência (0,5% da receita líquida vs. estimativa de 1,1% e 1,7% no 3T25).
A taxa de perdas subiu 40bps T/T para 7,7%, ficando abaixo do patamar regulatório de 8,1%. O lucro líquido foi impulsionado pela venda de ativos, demais ganhos não
recorrentes já citados e uma alíquota de imposto menor, compensando o pior resultado financeiro e menor equivalência patrimonial.
A alavancagem caiu para 2.7x dívida líquida/EBITDA (vs. 2.8x no trimestre anterior). O Banco Safra nota que a Copel vendeu ~51 MWa de 2026–2029, a preços implícitos acima de R$ 220/MWh, segundo as estimativas.
Desempenho operacional em linha com estimativas
Na avaliação do Banco Safra, os resultados operacionais ajustados foram neutros, amplamente em linha com as estimativas. A companhia conseguiu entregar bons resultados na unidade de geração, compensando pressões de custos maiores na distribuição.
A empresa também conseguiu vender energia (embora em volumes limitados) a preços aparentemente favoráveis. O Banco Safra mantém a recomendação de Compra para Copel, apesar do forte desempenho das ações no ano, já que vê bom colchão para dividendos, expansão de margem devido à exposição de longo prazo a preços mais altos de energia e espaço para crescimento com o próximo leilão de reserva de capacidade.