A Copel (CPLE6) entrou em uma fase relevante de sua revisão tarifária. Em 7 de abril, a Agência Nacional de Energia Elétrica, a Aneel, aprovou a abertura de consulta pública para reunir dados e informações adicionais sobre a revisão da Copel Distribuição.
A proposta preliminar da agência prevê reajuste tarifário médio de 19,2%, com vigência a partir de junho de 2026. O movimento sinaliza um ambiente mais favorável para a companhia e reduz incertezas em um ponto central da tese de investimento.
A consulta pública seguirá aberta de 8 de abril a 22 de maio. Além disso, a audiência presencial ocorrerá em Curitiba, em 29 de abril.
Números vieram acima do esperado
Os números apresentados pela Aneel vieram, em grande parte, acima das estimativas do Safra. A base regulatória líquida ficou em R$ 19,7 bilhões, cerca de 10% acima da projeção do banco. O resultado reflete maior reconhecimento dos investimentos realizados pela companhia.
O custo operacional regulatório somou R$ 2,2 bilhões, 5% acima da estimativa anterior. Como consequência, o EBITDA regulatório alcançou R$ 3,9 bilhões, acima da projeção de R$ 3,3 bilhões.
Na avaliação do Safra, esse desempenho abre espaço para revisões positivas nas estimativas, especialmente após a incorporação dos ganhos de eficiência operacional.
Pontos de atenção seguem no radar
Apesar do quadro favorável, alguns indicadores exigem cautela. Outras receitas ficaram em R$ 463 milhões, acima da estimativa de R$ 361 milhões. Esse movimento tem leitura negativa para a análise do banco.
Além disso, a inadimplência foi definida em 0,6% da receita, abaixo da projeção de 0,7%. Para o Safra, a meta parece apertada e pode representar um desafio adicional para a companhia.
Ainda assim, outros componentes relevantes ficaram em linha com o esperado. A Parcela B alcançou R$ 5,7 bilhões, enquanto o Fator X foi fixado em 0,54%.
Cenário reforça visão positiva
Na avaliação do Safra, a revisão tarifária da Copel (CPLE6) teve resultado positivo e contribuiu para reduzir a percepção de risco sobre a empresa.
Esse avanço fortalece o cenário para o segundo semestre de 2026 e sustenta outras frentes de crescimento. Entre elas, estão o leilão de capacidade de reserva e os ativos de transmissão.
Com esse pano de fundo, o Safra manteve a recomendação de compra para a ação. A leitura do banco é que a companhia segue bem posicionada para capturar novas oportunidades com maior previsibilidade regulatória.