Em um momento marcado por incertezas econômicas e volatilidade nos mercados, o setor de saneamento volta a ganhar espaço entre as alternativas de investimento consideradas mais resilientes. Nesse contexto, o Banco Safra elevou sua recomendação para Copasa (CSMG3) e Sabesp (SBSP3) de Neutra para Compra, após revisar suas projeções para as duas companhias.
O Safra também aumentou os preços-alvo para o fim de 2026. Para a Copasa, a estimativa passou de R$ 65 para R$ 76 por ação, o que representa potencial de valorização de aproximadamente 23%. Para a Sabesp, o novo preço-alvo subiu de R$ 29 para R$ 33, indicando potencial de alta de cerca de 16%.
A avaliação reflete a combinação entre características defensivas do setor e perspectivas favoráveis de crescimento nos próximos anos.
Demanda estável sustenta o setor
A principal vantagem das empresas de saneamento está na baixa sensibilidade ao ciclo econômico. A demanda por serviços de água e esgoto tende a permanecer estável, independentemente das oscilações da atividade econômica.
Além disso, a expansão da cobertura dos serviços continua sendo um importante vetor de crescimento. Tanto a Copasa quanto a Sabesp assumiram compromissos de ampliação da universalização durante seus processos de privatização, o que deve impulsionar investimentos e receitas ao longo dos próximos anos.
Outro fator de apoio é o aumento das temperaturas observado nos últimos anos, que tende a elevar o consumo de água em diversas regiões.
Privatização abre espaço para ganhos de eficiência
O Safra também vê oportunidades relevantes de melhoria operacional nas duas companhias.
As projeções incorporam redução de custos, estratégias comerciais mais eficientes e avanços na gestão da inadimplência. Esses fatores devem contribuir para a expansão das margens e para uma geração de caixa mais robusta.
Após atualizar seus modelos, o banco elevou suas estimativas de resultado operacional para ambas as empresas. As projeções de EBITDA da Copasa cresceram cerca de 8% para o período entre 2027 e 2028. No caso da Sabesp, a revisão foi de aproximadamente 3%.
Segundo a análise, a melhora reflete principalmente os benefícios esperados após a privatização e uma gestão mais focada em eficiência operacional.
Regulação reforça previsibilidade dos investimentos
Outro ponto que sustenta a visão positiva para o setor é o ambiente regulatório.
O marco regulatório do saneamento estabelece mecanismos que favorecem a previsibilidade dos retornos. Entre eles estão a definição de uma remuneração adequada sobre os investimentos, incentivos para ganhos de eficiência e o reconhecimento regulatório dos recursos aplicados na expansão da infraestrutura.
Na avaliação do Safra, essas características ajudam a preservar a geração de caixa das companhias mesmo em períodos de investimentos mais elevados.
Expansão dos serviços cria novas oportunidades
As perspectivas de crescimento também permanecem relevantes.
Em São Paulo, existe a expectativa de que novas áreas possam ser ofertadas para expansão dos serviços de saneamento até o fim de 2026. Essas regiões não foram originalmente incluídas nos contratos da Unidade Regional de Água e Esgoto 1 (URAE-1), o que pode abrir espaço para novos investimentos da Sabesp.
Em Minas Gerais, a Copasa possui outra frente de crescimento potencial. Atualmente, a companhia presta serviços de abastecimento de água em cerca de 300 municípios onde ainda não opera sistemas de esgoto. A ampliação dessa atuação representa uma oportunidade importante de expansão futura.
Eleições e regulação exigem atenção
Apesar da visão positiva, alguns fatores podem gerar volatilidade ao longo dos próximos anos.
As eleições estaduais podem aumentar o nível de ruído para os investidores, uma vez que os governos de Minas Gerais e São Paulo permanecem acionistas das companhias. Além disso, os estados possuem papel relevante na definição das regras regulatórias das concessões.
Ainda assim, o Safra considera que a governança fortalecida após a privatização, os mecanismos de proteção previstos nos contratos e a presença de acionistas de referência ajudam a reduzir riscos mais significativos.
Quais são os principais riscos para Copasa e Sabesp
Entre os principais fatores de risco destacados pelo Safra estão:
- Mudanças regulatórias desfavoráveis.
- Descumprimento das metas de universalização.
- Ganhos de eficiência inferiores ao esperado.
- Condições hidrológicas mais adversas.
- Decisões inadequadas de alocação de capital.
Mesmo diante desses desafios, o banco avalia que o equilíbrio entre crescimento, previsibilidade de receitas e potencial de geração de valor torna Copasa e Sabesp opções atrativas para investidores que buscam exposição a ativos mais defensivos em um cenário de mercado ainda marcado por incertezas.