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Copasa tende a ganhar fôlego, mas privatização dita volatilidade

A renovação da concessão de Belo Horizonte melhora a leitura sobre a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (CSMG3), mas etapas regulatórias e incertezas políticas ainda mantêm o papel em compasso de espera


A Companhia de Saneamento de Minas Gerais – Copasa (CSMG3), passou a reunir mais fatores favoráveis em sua tese de investimento, na avaliação do Banco Safra. Os especialistas em investimentos do banco elevaram o preço-alvo de 12 meses para R$ 65 por ação, ante R$ 49 anteriormente, o que implica potencial de valorização de 15%. Ainda assim, a recomendação segue neutra.

A revisão reflete a atualização do modelo com a nova leitura para a extensão da concessão de Belo Horizonte, a incorporação da revisão tarifária final e uma estimativa mais atualizada para o potencial de redução de custos. Na visão do Safra, a privatização segue como o principal vetor de destravamento de valor, embora o processo ainda exija cautela.

Privatização segue no centro da tese

A recente assinatura da renovação da concessão de Belo Horizonte reduziu um foco relevante de risco para a privatização da companhia. Com isso, o processo parece mais provável neste momento.

Ainda assim, o mercado deve continuar convivendo com volatilidade. Os termos da extensão da concessão ainda não foram divulgados. Além disso, o governo de Minas Gerais ainda precisa obter aprovação do Tribunal de Contas do Estado para avançar com a privatização.

Essas etapas mantêm a tese dependente de definições regulatórias e institucionais. Se a privatização não avançar, o mercado pode voltar a precificar riscos ligados ao ambiente político, sobretudo diante de uma eventual mudança de governo estadual, com possíveis efeitos sobre gestão, investimentos e regulação.

Revisão tarifária sustenta geração de caixa

A revisão tarifária final trouxe elementos que sustentam uma perspectiva mais construtiva para a geração de caixa da Copasa.

O processo confirmou o reconhecimento anual dos investimentos, preservou uma metodologia de custos que, por enquanto, não exige compartilhamento de ganhos de eficiência e definiu um custo regulatório de capital de 9,8%.

O regulador também anunciou uma base de ativos regulatória de R$ 15,7 bilhões. Ao mesmo tempo, a companhia ainda acumula R$ 2,9 bilhões em investimentos não incluídos nessa base. Além disso, a metodologia passou a prever um incentivo adicional caso as metas de cobertura e qualidade dos serviços sejam cumpridas, o que tende a sustentar tarifas mais elevadas por mais tempo.

Nesse cenário, o Safra estima que a combinação entre novas regras e algum avanço em eficiência operacional pode levar o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização para cerca de R$ 3,8 bilhões em 2026. Isso representaria crescimento de aproximadamente 27% em relação aos níveis atuais.

Modelo incorpora novos cenários

O Safra atualizou suas projeções para refletir sete frentes principais. A primeira foi a incorporação da revisão tarifária final. A segunda foi a atualização das premissas de custos, com expectativa de redução de 30% entre 2027 e 2029, capturando parte do ganho potencial associado à privatização.

Também entraram no modelo os resultados mais recentes da Copasa, um novo cenário macroeconômico e uma nova taxa regulatória de longo prazo de 8,1%, em linha com outras empresas de saneamento acompanhadas pelo banco.

Além disso, o modelo considera 70% de probabilidade de inclusão integral do pagamento de outorga de cerca de R$ 1,8 bilhão, ligado à extensão da concessão de Belo Horizonte, na base de ativos regulatória. A projeção também atribui 70% de chance de recuperação do reconhecimento de R$ 2,9 bilhões em investimentos nessa mesma base.

Em conjunto, essas mudanças levaram a um aumento de cerca de 10% nas estimativas de lucro operacional para o período de 2026 a 2028.

Preço-alvo sobe, mas recomendação continua neutra

Com a revisão das premissas, o Safra passou a trabalhar com preço-alvo de R$ 65 por ação para os próximos 12 meses, com base em fluxo de caixa descontado e custo de capital de 10,7%.

No cenário de privatização, o preço-alvo poderia chegar a R$ 80 por ação. Essa leitura considera maior eficiência operacional, reembolso mais elevado de investimentos e uma taxa de desconto menor.

Por outro lado, em um cenário mais negativo, sem privatização e com deterioração do ambiente regulatório e dos indicadores operacionais, o valor justo poderia recuar para R$ 40 por ação.

Mesmo com a revisão para cima, o Safra manteve recomendação neutra. A leitura é que a assimetria melhorou, mas o processo ainda carrega incertezas suficientes para justificar uma postura mais equilibrada.

O que pode mexer com a ação

Os próximos movimentos da Copasa devem depender, sobretudo, do avanço da agenda de privatização e da divulgação dos termos da renovação da concessão de Belo Horizonte.

Ao mesmo tempo, o caso continua exposto a riscos regulatórios, ao cumprimento das metas de universalização, à execução de ganhos de eficiência e à evolução do ambiente político em Minas Gerais.

Para o investidor, a tese ficou mais promissora. Ainda assim, o ritmo de valorização da ação deve continuar condicionado a eventos capazes de reduzir incertezas e confirmar a melhora estrutural da companhia.


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