A agência reguladora do Estado de Minas Gerais (ARSAE-MG) publicou os resultados da terceira revisão tarifária da Copasa (CSMG3) no dia 22 de dezembro, após o fechamento do mercado. O regulador aprovou um aumento médio de 6,56% na tarifa, a ser aplicado a partir de 22 de janeiro de 2026.
Após a divulgação da revisão tarifária, a Copasa também anunciou um grande plano de investimentos para o período de 2027–2030, com capex
médio anual de R$ 4,5 bilhões, visando cobertura total dos serviços de saneamento em sua área de concessão (em conformidade com a lei federal do setor), aumentando a segurança do abastecimento, melhorando a base de ativos e reduzindo perdas.
Revisão tarifária de primeira linha para a Copasa (CSMG3)
Entre as principais mudanças em relação à proposta tarifária preliminar, os especialistas do banco Safra destacam que a ARSAE aprovou:
- (i) uma alteração na metodologia de aplicação do WACC, optando por usar uma abordagem de WACC pré-impostos (permitindo, assim, que a Copasa potencialmente se beneficie de impostos implícitos menores devido ao uso de juros sobre capital próprio para distribuir dividendos), resultando em um WACC pré-impostos de 13,7% ou pós-impostos de 9,8% (vs. os 9,4% propostos);
- (ii) maior reconhecimento de opex, totalizando R$ 3.641 milhões (vs. R$ 3.606 milhões anteriormente);
- (iii) um fator X de recuperação de 0,14% (mesmo que antes) e um fator X de produtividade de 0,68% (inalterado), mas sem aplicação de qualquer mecanismo para compartilhar potenciais ganhos de eficiência de custos;
- (iv) uma estrutura de alavancagem maior (45,8% vs. 44,6%); e
- (v) um RAB ligeiramente menor de R$ 15.678 milhões (vs. R$ 15.840 milhões antes).
No geral, as receitas regulatórias atingiram R$ 8,1 bilhões (vs. R$ 7,9 bilhões anteriormente) e R$ 8,5 bilhões após incluir componentes financeiros.
Revisão tarifária sustenta fluxo de caixa decente
A ARSAE divulgou os resultados da revisão tarifária, que confirmaram o reconhecimento do capex anual. Esse fato deve sustentar um fluxo de caixa decente, permitindo a execução do plano de investimentos recém-anunciado e um crescimento significativo do RAB nos próximos anos.
Considerando tudo, as novas regras, juntamente com alguma eficiência de custos, devem resultar em um EBITDA de aproximadamente R$ 3,6 bilhões–R$ 3,7 bilhões, implicando um aumento de cerca de 20% em relação aos níveis atuais. Em um exercício preliminar, a nova revisão tarifária pode implicar um aumento de 6%–10% nas estimativas sob o cenário base traçado pelo Banco Safra.
As melhorias da revisão tarifária são significativas, mas a privatização deve agregar ganhos de longo prazo.
O Safra acredita que a nova revisão tarifária amortecerá o fluxo de caixa até o próximo ciclo de revisão tarifária. Na sua última atualização, o Safra adicioou a proposta de revisão tarifária e melhorou ligeiramente o desempenho de custos, incluindo uma suposição de corte de custos de 20% até 2027, dado o potencial de privatização.
Um programa completo de eficiência de custos, melhorias na estrutura de alavancagem e um plano de investimentos mais significativo devem adicionar um upside importante ao cenário base.
O Safra lembra que o cenário otimista do banco apontava para um preço-alvo potencial de R$ 65, após considerar premissas mais agressivas.
Visão positiva sobre os rumos da Copasa (CSMG3)
A visão dos analistas do Safra é positiva, pois abre caminho para melhores perspectivas de privatização. Os especialistas do Safra acreditam que o mercado receberá bem os resultados da revisão tarifária da Copasa, já que o arcabouço regulatório não apenas mostrou melhorias importantes em relação à proposta preliminar, mas também parâmetros melhores em comparação com os pares.
Entre os próximos passos importantes para a tese de investimento, o Safra destaca a aprovação de novos contratos de concessão com municípios relevantes, a definição do modelo de privatização e o preço mínimo de venda.