O Banco Safra avaliou os potenciais impactos da Copa do Mundo de 2026 sobre as empresas de bens de capital sob sua cobertura. A análise partiu de dados históricos e buscou identificar se jogos da seleção brasileira afetaram de forma mensurável a produção industrial em edições anteriores do torneio.
O estudo combinou a leitura quantitativa da produção de veículos divulgada pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores ao longo de Copas passadas com uma análise qualitativa de conferências de resultados e comunicações corporativas. O objetivo foi identificar menções diretas a efeitos do evento esportivo sobre desempenho operacional e financeiro.
Não foram encontradas evidências de impacto estatisticamente relevante nem sobre a produção industrial nem sobre os resultados das companhias analisadas.
Jogos podem gerar ruídos pontuais de produtividade
Apesar da ausência de efeito estrutural, o banco reconhece que partidas disputadas em horário comercial podem provocar disrupções pontuais de produtividade. Esse risco aparece principalmente em operações industriais mais intensivas em mão de obra.
Ainda assim, a experiência histórica mostra que esses efeitos tendem a se diluir ao longo do trimestre. O impacto agregado, portanto, permanece limitado quando observado em bases trimestrais ou anuais.
A expectativa para 2026 reforça essa leitura. Os primeiros jogos da seleção brasileira devem ocorrer à noite, o que reduz perdas de produtividade. Além disso, empresas podem adotar escalas flexíveis para acomodar os horários das partidas.
Caso o Brasil avance na competição, cresce a probabilidade de jogos em horário comercial. Mesmo nesse cenário, o Safra avalia que eventuais impactos seguem diluídos e sem relevância material para os resultados consolidados.
Impactos variam entre as companhias
Entre as empresas analisadas, a Iochpe Maxion (MYPK3) pode enfrentar ajustes pontuais na produção ou na disponibilidade de mão de obra em dias de jogo. Essas ineficiências tendem a ser localizadas e não devem alterar o resultado consolidado da companhia.
No caso da Marcopolo (POMO4), o Safra avalia que o impacto positivo relacionado à Copa já ficou no passado. A empresa se beneficiou anteriormente por meio da New Flyer, com investimentos adicionais em frotas na América do Norte que já foram entregues. Diferentemente de 2014, a edição de 2026 não deve trazer ganho adicional relevante.
A Randoncorp (RAPT4) pode observar leve aumento de demanda por implementos ligados à distribuição de bebidas. O efeito tende a ser positivo para margens, mas irrelevante diante da escala da companhia.
Para a Frasle Mobility (FRAS3), o impacto mais provável vem do comportamento do consumidor. O Safra considera possível o adiamento de manutenções automotivas em favor de gastos associados à Copa, como eletrodomésticos, bebidas e viagens. Esse movimento pode reduzir levemente a demanda no curto prazo.
Embraer pode ter efeito indireto, mas limitado
No caso da Embraer (EMBR3), o banco vê apenas um possível benefício indireto. Caso companhias aéreas apresentem melhor rentabilidade durante o evento, isso poderia favorecer decisões de renovação de frota.
No entanto, esse efeito enfrenta contrapesos relevantes. A alta recente do combustível, associada a tensões geopolíticas, tende a pressionar tarifas e limitar a demanda. Além disso, eventuais restrições de viagens para a América do Norte podem reduzir o potencial positivo.
Diante desse cenário, o Safra não espera mudanças relevantes na tese de investimento da Embraer em função da Copa do Mundo de 2026.
Visão geral segue conservadora
A leitura final dos especialistas do Safra é de impacto muito limitado do evento esportivo sobre o setor de bens de capital. Embora ruídos pontuais possam ocorrer, especialmente em dias de jogos decisivos, os efeitos tendem a se diluir nos resultados trimestrais.
Assim, a Copa do Mundo de 2026 não altera, de forma relevante, as perspectivas operacionais e financeiras das empresas analisadas.