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Construtoras enfrentam trimestre mais fraco, com destaques pontuais

Vendas desaceleram em meio a pressões inflacionárias e menor atividade no mercado imobiliário, mas algumas empresas devem manter crescimento de lucro


As construtoras brasileiras devem apresentar resultados mais fracos no segundo trimestre de 2026 após um período marcado por desaceleração das vendas e maior cautela dos consumidores.

Segundo o Safra, o trimestre foi impactado por preocupações relacionadas à inflação, por fatores sazonais desfavoráveis e por uma interrupção temporária na concessão de crédito imobiliário pela Caixa Econômica Federal, que afetou especialmente o segmento do programa habitacional federal.

Como consequência, a maior parte das incorporadoras registrou crescimento mais modesto das vendas, o que deve se refletir em resultados financeiros menos robustos.

Além disso, margens continuam pressionadas por provisões mais conservadoras relacionadas aos custos de construção, que sofreram influência da alta recente dos preços do petróleo.

Baixa renda deve manter crescimento de lucro

Apesar do ambiente mais desafiador, as empresas voltadas ao segmento de baixa renda ainda devem registrar crescimento de lucro em relação ao ano anterior.

O Safra estima expansão média de dois dígitos para o setor, embora acompanhada de redução na rentabilidade sobre o patrimônio.

As vendas do segmento cresceram apenas 2% na comparação anual, ritmo significativamente inferior ao observado no primeiro trimestre.

A desaceleração deve reduzir o crescimento das receitas, enquanto a pressão dos custos limita ganhos de margem.

Mesmo assim, algumas companhias seguem apresentando desempenho superior à média do setor.

Tenda deve liderar entre as incorporadoras populares

A Construtora Tenda (TEND3) deve ser o principal destaque entre as empresas de baixa renda.

O Safra espera que a companhia apresente os maiores avanços em lucro por ação e rentabilidade, impulsionada por uma melhora gradual das margens e pela evolução operacional observada nos últimos trimestres.

Direcional (DIRR3) e Cury (CURY3) também devem registrar crescimento consistente dos lucros, sustentadas pela boa execução dos projetos e pela demanda ainda resiliente do segmento.

Por outro lado, Plano & Plano (PLPL3) tende a enfrentar um trimestre mais desafiador. A combinação entre margens mais baixas nas vendas de estoque e revisões de orçamento deve pressionar a rentabilidade da companhia e provocar queda relevante do lucro.

MRV deve continuar pressionada

A MRV (MRVE3) deve apresentar mais um trimestre marcado por desafios relacionados à operação internacional.

Segundo o Safra, perdas contábeis associadas às vendas recentes da Resia devem resultar em prejuízo líquido consolidado para o grupo.

No Brasil, a operação residencial continua mostrando sinais de melhora operacional. Ainda assim, a elevada alavancagem financeira deve limitar a recuperação dos resultados.

A expectativa é de um lucro modesto na operação doméstica, insuficiente para compensar os impactos negativos vindos dos ativos internacionais.

Moura Dubeux e Cyrela devem liderar na média e alta renda

Entre as incorporadoras voltadas aos segmentos de média e alta renda, Moura Dubeux (MDNE3) e Cyrela (CYRE3) aparecem como os principais destaques positivos.

A Moura Dubeux (MDNE3) deve registrar forte crescimento do lucro, impulsionado pelo reconhecimento de receitas relacionadas ao desenvolvimento de terrenos. Mesmo após o recente aumento de capital, a companhia deve apresentar evolução da rentabilidade.

Já a Cyrela (CYRE3) deve entregar mais um trimestre sólido, com crescimento dos resultados e geração consistente de caixa.

Na avaliação do Safra, a companhia continua demonstrando capacidade de combinar crescimento com disciplina financeira.

Eztec e Even devem enfrentar mais desafios

A Eztec (EZTC3) deve registrar queda no lucro em função da maior participação dos lançamentos no mix de receitas.

Esse movimento tende a reduzir o reconhecimento de receitas e pressionar as margens no curto prazo. Por outro lado, a companhia deve compensar parcialmente esse efeito com uma forte geração de caixa impulsionada pelos repasses bancários.

A Even (EVEN3) deve apresentar o desempenho mais fraco entre as empresas analisadas pelo Safra.

As vendas mais baixas registradas ao longo do trimestre devem resultar em forte retração do lucro e em uma rentabilidade significativamente inferior à observada nos últimos anos.

O que esperar da temporada de balanços

Na visão do Safra, o segundo trimestre de 2026 será marcado por um contraste entre a desaceleração operacional do setor e a capacidade de execução de algumas empresas específicas.

As incorporadoras de baixa renda ainda devem entregar crescimento dos resultados, embora em ritmo menor do que nos trimestres anteriores. Já o segmento de média e alta renda deve apresentar resultados mistos, com poucos destaques positivos e retração dos lucros em boa parte das companhias.

Entre as empresas sob cobertura, Tenda, Moura Dubeux e Cyrela aparecem como os principais destaques da temporada, enquanto MRV, Plano & Plano e Even tendem a enfrentar um cenário mais desafiador.


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